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ABC NAS RUAS

Homem ligado à política no Vale do Sinos usava empresa de turismo como fachada para transporte de drogas

Polícia Civil desmonta esquema; operação cumpre mandados em cidades como Novo Hamburgo, São Leopoldo e Campo Bom nesta sexta-feira (5)

Isaías Rheinheimer
Publicado em: 05/09/2025 às 07h:36 Última atualização: 05/09/2025 às 08h:52
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Uma empresa de turismo servia de fachada para um esquema ousado de tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e circulação de outros produtos ilícitos.

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O responsável, um criminoso considerado de alta periculosidade, de 50 anos, utilizava ônibus da própria companhia para recrutar passageiros que, na verdade, atuavam como “mulas”, pessoas cooptadas pelo crime organizado para transportar mercadorias ilícitas e evitar que os verdadeiros chefes fossem responsabilizados. (Veja o vídeo no fim da matéria).



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Esses indivíduos embarcavam em viagens supostamente turísticas até a fronteira do Estado, mas o real objetivo era trazer drogas e outros produtos ilegais, retornando ao Rio Grande do Sul sob a aparência de turistas comuns.

O esquema permitia que o líder da quadrilha movimentasse grandes quantias de dinheiro e mantivesse sob disfarce uma rede voltada ao tráfico e à lavagem de capitais.

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“Durante o nosso trabalho, nós percebemos que uma empresa de turismo, deste reconhecido líder do crime, estava utilizando diversas pessoas como espécies de laranjas ou mulas para transportarem mercadorias ilícitas vindas de regiões fronteiriças, passando-se por turistas”, explica o delegado Ayrton Figueiredo Martins Júnior, titular da Draco de São Leopoldo.

Operação Porto Bello

A descoberta levou à deflagração da Operação Porto Bello, realizada nesta sexta-feira (5), com o cumprimento de 17 mandados de busca e apreensão em cidades do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina.

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No Vale do Sinos, a ofensiva ocorre em Novo Hamburgo, São Leopoldo, Campo Bom, Dois Irmãos e Araricá, Sapiranga, Sapucaia do Sul. Também há ações em Santana do Livramento, além dos municípios catarinenses de Capivari de Baixo, Palhoça e São José.

A Justiça também determinou o bloqueio e sequestro de valores que ultrapassam R$ 20,7 milhões, vinculados aos investigados.

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Lavagem de dinheiro e importação irregular

Além do transporte de drogas, a Draco identificou que a quadrilha atuava em outras frentes criminosas. Empresas especializadas na venda de celulares de marcas como Apple e Xiaomi, localizadas em Novo Hamburgo e São Leopoldo, também foram alvos da operação.

De acordo com a polícia, o grupo utilizava esses estabelecimentos para lavar dinheiro do tráfico e para burlar a fiscalização da Receita Federal, especialmente em operações de importação.

“O grupo está praticando condutas de lavagem de dinheiro oriundo do tráfico de drogas e de organização criminosa radicada no Vale do Sinos. Também se descobriu esquema para burlar fiscalização da Secretaria da Receita Federal”, detalha o delegado.

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Líder com histórico violento

O chefe do grupo já era conhecido da polícia por seu envolvimento em crimes graves. Entre seus antecedentes estão registros por extorsão mediante sequestro, corrupção ativa, formação de quadrilha, receptação, estelionato, posse ilegal de armas de calibre restrito e furto qualificado.

Seu perfil violento e a capacidade de estruturar esquemas sofisticados o tornaram alvo prioritário da investigação. Este homem tem ligação com a política de Campo Bom, inclusive já ocupou o posto de suplente de vereador no município.

A Polícia Civil reforça que a operação é parte de um trabalho mais amplo, iniciado após o recebimento de informações sobre a atuação do grupo no Vale do Sinos e em Santa Catarina. Novas medidas judiciais poderão ser tomadas conforme o avanço das apurações.

Veja o vídeo

Homem ligado à política usava empresa de turismo como fachada para transporte de drogas
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