Um mês após o desaparecimento de Silvana Germann de Aguiar, a Polícia Civil confirmou, nesta terça-feira (24), que já possui elementos suficientes para garantir o indiciamento do policial militar preso por suspeita da morte da ex-mulher e dos pais dela.
A mulher de 48 anos teria sido vista pela última vez no dia 24 de janeiro, quando supostamente saiu de casa para encontrar um amigo em direção à cidade de Gramado. A suspeita, no entanto, é que nem mesmo o passeio existiu.

Foto: PAULO PIRES/GES
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A viagem para a Serra gaúcha seria uma armadilha criada para atrair os pais de Silvana, Isail Vieira de Aguiar, de 69 anos, e Dalmira Germann de Aguiar, de 70 anos, para uma emboscada, segundo a Polícia.
“Já temos elementos para indiciá-lo pelas mortes, porém, o inquérito propõe uma ação penal e, para isso, precisamos entregar o cenário completo do que aconteceu com as vítimas e a dinâmica dos crimes naquele final de semana”, esclarece o delegado Anderson Spier.
Diretor da 1ª Delegacia de Polícia Regional Metropolitana, ele aponta que o inquérito já soma dois volumes e quase 300 páginas. Isso porque, somente de testemunhas, foram 30 pessoas ouvidas — entre moradores, amigos e parentes das vítimas.
Além disso, há provas técnicas. A Polícia, por exemplo, sabe que o celular da vítima nunca esteve em Gramado. Além disso, tem conhecimento de que ele foi usado após o desaparecimento.
“Acontece que o armazém das vítimas possuía um telefone fixo. Sabemos, pelos registros, que houve uma ligação no domingo, justamente um dia após o desaparecimento, feita com o celular da Silvana”, aponta. “Acreditamos que esta ligação, com a postagem falsa criada na rede social dela, fazia parte do cenário montado para mostrar que a Silvana estava bem”, argumenta.
Investigação
O caso permanece sendo tratado como um feminicídio seguido por duplo homicídio, aponta a Polícia Civil.
Entre os laudos aguardados pelos investigadores estão a quebra do sigilo bancário do suspeito e da vítima, a abertura da rede social da vítima e a análise do sangue encontrado na casa.
“Foram encontradas amostras de sangue na área de serviço da casa da Silvana e na pia dela. No quartinho pertenciam a um homem, mas as da pia pertencem a uma mulher, mas ainda não sabemos se é da vítima”, frisa.
Prorrogação da prisão do suspeito deve ser solicitada
Oriundo do 15º Batalhão da Polícia Militar de Canoas, o policial militar está preso desde o último dia 10 e deve continuar encarcerado, avisa o delegado. Mesmo ainda restando 15 dias do pedido de prisão temporária, a Polícia não descarta pedir a prorrogação à Justiça para a conclusão do inquérito.
“É preciso ficar claro que, mesmo se tratando de uma prisão temporária, ela foi concedida pelo judiciário por existirem elementos que apontavam a culpabilidade do suspeito”, reforça o delegado. “Ainda temos um prazo de 15 dias, mas caso o inquérito não esteja concluído neste prazo, vamos pedir a prorrogação da prisão, porque precisamos dele preso para fechar o caso”, completa.
Polícia apura motivação do crime
O suspeito já prestou depoimento na sede da 2ª Delegacia de Polícia de Cachoeirinha duas vezes. No primeiro, como testemunha, ele tratou de explicar sobre a rotina que mantinha com a ex-mulher, já que compartilhavam a guarda de um filho de 9 anos.
Já no segundo depoimento, na última sexta-feira (20), o soldado da Brigada Militar valeu-se do direito de permanecer em silêncio ao ser questionado sobre o crime.
Conforme o delegado, dias antes do desaparecimento, houve uma denúncia no Conselho Tutelar feita por Silvana contra o PM, que ignoraria as restrições alimentares do próprio filho.
“Eles tinham um filho em comum e existia uma tensão visível na relação”, explica. “As divergências na criação do menino, relacionadas à alimentação, comportamento e forma de dormir, pareceram piorar nos últimos meses.”
Buscas pelas vítimas
A partir de denúncias, a Polícia Civil já organizou buscas em três terrenos diferentes na tentativa de encontrar os corpos das vítimas, mas ainda não obteve o resultado almejado.
Conforme o delegado Anderson Spier, não está descartada a hipótese de que o inquérito seja concluído sem a localização dos cadáveres, algo previsto na atual legislação criminal.
“Foram feitas diligências e buscas em determinadas áreas, mas não há sinais dos corpos”, lamenta. “Desde o caso da Eliza Samudio, entretanto, existe o entendimento de que é possível o indiciamento sem a localização dos cadáveres, então não está descartada esta hipótese.”