O caso da morte do menino Hariel Correia da Rosa, de apenas 37 dias de vida, segue sendo investigado. O bebê foi encontrado sem vida no berço pela avó materna no começo da noite da última sexta-feira (30) em Taquara. Um dia antes, ele e a irmã gêmea haviam sido levados para uma consulta no Hospital Bom Jesus, na cidade, onde foram diagnosticados com gripe e conjuntivite.
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Foto: Arquivo pessoal
A mãe das crianças, Luana Chaiane de Souza Correia, de 24 anos, conta, contudo, que após a morte de Hariel, a irmã dele foi novamente levada à casa de saúde, onde um exame apontou que ela estava com bronquiolite. A filha mais velha de Luana, de 1 ano e 2 meses, já estava internada para tratamento da mesma doença quando o menino morreu.
Agora, as duas meninas estão hospitalizadas em emergências de hospitais de Porto Alegre. A mais velha está na Associação Hospitalar Vila Nova e a mais nova na Santa Casa. Luana explica que não havia vagas para as duas em uma mesma instituição, e por isso foram colocadas em locais diferentes — o que dificulta a situação dos pais, que são moradores de Taquara e precisam se deslocar todos os dias para a capital, onde cada um fica com uma filha.
A mãe questiona por que os exames não foram solicitados antes da morte do filho. “Ele morreu em menos de 24 horas depois que procurei o hospital. Menos de 24 horas”, lamente.
Dia anterior ao falecimento
Luana relata que a filha mais velha foi a primeira a apresentar sintomas e foi internada no hospital de Taquara na quarta-feira (28). Desde então, ela e o marido, Cleiton Mateus da Rosa, 27, passaram a se revezar: ela passava o dia na casa de saúde com a menina, enquanto ele ficava com os gêmeos em casa e de noite invertiam.
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Na quinta-feira (29), ela percebeu que o casal estava tossindo, espirrando, ofegante e com secreção nos olhos. Ela, então, resolveu levá-los ao hospital. Segundo Luana, após relatar toda a situação à médica, uma clínica-geral, a mulher teria afirmado que não iria mexer nas crianças para não descobri-las porque a sala estava gelada.
Após olhar para a menina, sem examinar ou auscultar, a profissional teria receitado um spray nasal e um colírio para os dois. “Ela falou que não ia receitar medicação porque não era necessário, porque eles estavam bem. Como ela sabia que eles estavam bem se ela não olhou?”, indaga a mãe. Luana ainda ressalta que a nebulização só teria sido indicada após a avó dos bebês perguntar se podia.
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Em casa, a jovem lembra que a mãe dela chegou a notar que Hariel estava muito pálido, mas, como haviam acabado de retornar da consulta, se atentaram a fazer o tratamento orientado.
Horas antes da morte
Na sexta-feira, antes de sair de casa para ir ao hospital ficar com a filha mais velha, ela conta que seguiu a rotina normal. Quando o marido chegou para ficar com os gêmeos, o mesmo: a cada três horas ele ia até os filhos, trocava as fraudas, os alimentava, os colocava para arrotar e os fazia dormir novamente.
Pouco antes de sair de casa para trocar o turno do hospital com a esposa, Cleiton teria observado que eles estavam quietos, aparentemente dormindo, e por isso resolveu não os acordar, e deixar que a sogra — que chegaria em seguida — os amamentasse.
Quando a avó das crianças chegou, ela primeiro atendeu à menina, que chorava. Depois, quando se aproximou do berço de Hariel, percebeu que algo não estava certo. “A minha mãe disse que ele estava branco e com a boca roxa”, conta Luana. Ao perceberem que o menino estava sem vida, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado e o levou para o hospital. No local, não quiseram atestar a morte, então o corpo do bebê foi levado para a necropsia.
O laudo que deve indicar a causa da morte não havia sido liberado até a tarde desta terça-feira (4). O prazo é que o resultado saia em até 90 dias.
“Foi uma negligência médica, porque a médica não examinou. Não conheceu o meu filho. Ela foi conhecer ele depois de morto”, diz Luana. “Ela não tinha nem destapado para olhar a cara dele quando eu o levei na quinta-feira.”
Gêmeos saudáveis
O casal de gêmeos nasceu prematuro em um hospital de Porto Alegre no dia 23 de abril. Luana conta que, apesar de terem nascido de quase 35 semanas, não tinham tido nenhum problema de saúde até a semana passada, nem mesmo haviam precisado de um acompanhamento médico além do indicado para recém-nascidos.
Investigação
O caso foi registrado na Polícia Civil. Segundo o delegado Valeriano Garcia Neto, titular da Delegacia de Polícia (DP) de Taquara, a investigação ainda está na fase de colher depoimentos.
O laudo de necropsia do Instituto-Geral de Perícias (IGP), contudo, é aguardado para que a causa da morte da criança seja esclarecida. “Dependemos muito do laudo pericial, que vai nos descrever se houve alguma outra lesão, algum outro motivo que possa ter causado a morte do bebê”, aponta o delegado.
Posicionamento
Procurado pela reportagem, o Hospital Bom Jesus assegurou que o atendimento a Hariel “seguiu todos os protocolos da OMS [Organização Mundial de Saúde]” e que “a conduta médica realizada foi adequada diante do quadro clínico em que o paciente apresentava no momento, sem sinais de alerta ao exame”.
Segundo a instituição, a notícia do falecimento do menino foi recebida com pesar, e a família foi orientada e acolhida. “O caso está sendo investigado pelos órgãos responsáveis e a instituição está no aguardo deste desfecho para tomar as devidas condutas”, finalizou a casa de saúde.
Doações
Com a necessidade de irem todos os dias até Porto Alegre para cuidar das filhas, Luana conta que o casal tem precisado de ajuda financeira. Eles conseguiram se abrigar durante esse período na casa de parentes em Canoas, mas relatam que, ainda assim, há outros gastos, que aumentaram repentinamente e de forma significativa.
No momento, ela está desempregada e o marido, que trabalha com serviços gerais, não tem renda fixa. Por isso, eles estão pedindo doações de quem puder ajudar com algum valor. A chave Pix é 04259818007 (CPF), em nome de Luana Chaiane de Souza Correia. A conta é do banco Inter.