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Relembre o caso

Mulher que matou ex-namorado em Igrejinha segue presa; defesa apresenta recurso

Em junho, após matar Micael Müller, a ré foi à delegacia, confessou o crime e alegou legítima defesa. No entanto, provas reunidas durante investigação indicam que versão apresentada pela mulher não foi a do que realmente aconteceu

Publicado em: 22/12/2025 às 14h:19 Última atualização: 22/12/2025 às 14h:26
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A defesa de Nicole Machado, que foi presa em julho de 2025 por matar o ex-namorado Micael Müller, em Igrejinha, ainda vai recorrer da decisão da Justiça que manda a ré para Júri popular por homicídio triplamente qualificado. O processo que apura o crime entrou em nova etapa em novembro, depois que o juiz Diogo Bononi Freitas proferiu a sentença de pronúncia, decidindo que a acusada seria julgada pelo Tribunal do Júri do Rio Grande do Sul (TJ-RS).

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Micael Müller foi morto em junho pela ex-namorada | abc+



Micael Müller foi morto em junho pela ex-namorada

Foto: Reprodução/Redes Sociais

Nicole segue presa no Presídio Estadual Feminino de Torres. A defesa ainda pode apresentar esse recurso, pedindo a exclusão de alguma das qualificadoras ou a despronúncia da acusada. “O tribunal vai julgar esse recurso e, então, vai marcar a data do julgamengo, em que vamos oralmente sustentar a nossa tese. Entendemos que improcede a decisão. A Nicole não matou o Micael de forma intencional. Ela apenas se defendeu”, disse o advogado da ré, Ademir Campana.

Se o recurso não for aceito, ele seguirá para a segunda fase, em que será marcado o julgamento pelo júri popular. Logo após a morte do homem de 28 anos, a mulher foi à delegacia, confessou o crime e alegou legítima defesa.  “Ela está muito abalada, pois nunca havia passado por isso”, garante Campana. 

A família de Micael Müller e o advogado, Luiz Fernando Cunha, contestaram a versão. “Inclusive na setença o juíz negou à ré o direito de apelar em liberdade, acrescentando que havia a existência de indícios no sentido de que ela, Nicole, tentou fugir da região após ter se apresentado na delegacia. Inclusive, ela foi encontrada no litoral do Estado”, explica Cunha. 

Relembre o caso

Em depoimento à Polícia Civil, Nicole contou que no dia 10 de junho, à noite, foi até a casa de Micael no bairro XV de Novembro, em Igrejinha. Ambos começaram a discutir, ele teria pego o telefone dela e começado a divulgar fotos intimas, e foi quando iniciou a briga e a troca de agressões físicas. “Foi tudo muito rápido, ele começou a me sufocar e eu peguei uma faca que estava embaixo do travesseiro dele e me salvei”, disse ela na época. 

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Micael Müller foi sepultado no Cemitério Municipal de Taquara, em 11 de junho. Ela seguiu em liberdade. A família de Micael e amigos pediram justiça, dizendo que a acusada estaria mentindo, e que o crime foi intecional. 

Ainda em liberdade, dias após o crime, Nicole Machado gravou vídeo dizendo que agiu em legítima defesa | abc+



Ainda em liberdade, dias após o crime, Nicole Machado gravou vídeo dizendo que agiu em legítima defesa

Foto: Arquivo pessoal

Nicole inclusive postou um vídeo nas redes sociais, dizendo que amava Micael, mas que sofria constantes agressões e humilhações e reforçou a tese de que teria agido em legítima defesa. Amigos e familiares seguiram com protestos em Igrejinha para cobrar celeridade na resolução do caso.

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Polícia acha contradições

O argumento de legítima defesa foi descartado pela Polícia, que encontrou contradições nas provas e depoimentos. Elementos teriam comprovado que ela teria cometido o crime de forma intencional e não para se defender. De acordo com o delegado Fábio Idalgo Peres, responsável pela investigação, os laudos feitos pelo Instituto-Geral de Perícias (IGP) no corpo da vítima indicaram que a morte decorreu de “múltiplos golpes de faca na região torácica”.

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No dia 11 de julho, ela foi presa em um prédio comercial em Capão da Canoa, no litoral norte do Rio Grande do Sul. Nas últimas etapas do processo, durante interrogatório, as testemunhas foram ouvidas enquanto a ré permaneceu em silêncio. “Sabemos que ela jamais teria feito algo contra a vida dele de forma intencional. Era uma relação tumultuada, e no dia do ocorrido eles brigaram e, ao ser agredida, ela apenas se defendeu”, diz a defesa da ré.

“Entendemos que a perícia não foi ampla no local do crime. Por isso, queremos que outros pontos sejam reconsiderados”, finaliza a defesa da acusada. 

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