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MAUS-TRATOS

"Negligência extrema e sofrimento contínuo": Laudo aponta abandono e crueldade em canil; veterinária está entre indiciados

Ao todo, 238 animais foram resgatados de situação insalubre em abril deste ano

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Publicado em: 29/05/2026 às 16h:35 Última atualização: 29/05/2026 às 16h:36
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Cerca de um mês após o resgate de 238 animais, dois proprietários e uma veterinária de um canil de Dois Irmãos foram indiciados por maus-tratos. Os dois responsáveis pelo espaço foram presos em flagrante no dia 22 de abril, mesmo dia em que o local, situado no bairro Travessão, foi interditado.

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O delegado Felipe Borba relembra que o caso chegou às autoridades por meio de uma denúncia anônima, o que culminou no cumprimento de mandado de busca e apreensão e “revelou um cenário de negligência extrema, sofrimento contínuo e exploração comercial dos animais”. 

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Canil foi interditado em Dois Irmãos por maus-tratos aos animais | abc+



Canil foi interditado em Dois Irmãos por maus-tratos aos animais

Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial

Segundo o delegado, o laudo do Instituto-Geral de Perícias (IGP) apontou que os cães e gatos viviam em um grau de bem-estar considerado “muito baixo”, caracterizando situação permanente de maus-tratos.

A perícia ainda identificou irregularidades como ausência de pisos impermeáveis e de sistema adequado de drenagem, o que ocasionava acúmulo de dejetos e sujeira nos ambientes onde os animais permaneciam confinados. Medicamentos vencidos e carteiras de vacinação previamente assinadas em branco por médico veterinário, sem o devido controle de imunização dos animais, também foram encontrados.

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A perícia ainda identificou diversos problemas de saúde nos animais, incluindo casos de sarna, dermatites, diarreia, brucelose e piometra. Também foram constatadas deformidades em membros de alguns exemplares, indicando possível reprodução indiscriminada entre animais portadores de genes indesejáveis.

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Foco exclusivo no lucro

Borba salienta que depoimentos de ex-funcionários reforçaram a tese da Polícia de que o estabelecimento operava “com foco exclusivo no lucro, em detrimento do bem-estar animal”. Segundo relatos colhidos no decorrer da investigação, os animais chegavam a permanecer até dois dias sem alimentação e havia determinação para reutilização de seringas em dezenas de cães como forma de redução de custos operacionais.

A Polícia contatou ainda a realização de cruzamentos descontrolados, inclusive entre animais aparentados, visando exclusivamente à comercialização dos filhotes, que podiam ser vendidos por valores de até R$ 6 mil.

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De acordo com o delegado, “os elementos informativos produzidos demonstram que os investigados mantinham animais em condições incompatíveis com o bem-estar animal, submetendo-os a sofrimento, negligência sanitária e ausência de cuidados básicos”.

“Dois médicos veterinários que trabalharam no canil foram ouvidos e relataram que tomaram a iniciativa de deixar a condição de responsáveis técnicos justamente por perceberem que as orientações e os pedidos de adequação formulados não eram, de forma deliberada, atendidos pelos donos do estabelecimento.”

Em relação ao indiciamento da médica veterinária responsável técnica, há indícios de que ela “ao menos concorreu por omissão para a manutenção das condições de maus-tratos verificadas no estabelecimento, deixando de adotar medidas efetivas compatíveis com os deveres inerentes ao exercício da medicina veterinária”.

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Após o resgate, os animais foram encaminhados a uma ONG, onde passaram a receber atendimento veterinário e cuidados adequados. A dupla responsável presa em flagrante foi solta no dia seguinte da interdição do canil, que seguia fechado nesta sexta-feira (29).

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