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"Sequelas irreversíveis": Caso de patrão que obrigou funcionário a decepar o próprio dedo tem desfecho na Justiça

Sentença do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul se deu pelos crimes de tortura e apologia ao crime; vítima permanece com sequelas

Publicado em: 01/04/2026 às 17h:35 Última atualização: 01/04/2026 às 17h:35
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Há pouco mais de um ano, no dia 22 de março de 2025, o caso de um homem torturado e mantido em cárcere privado por oito horas chocou o Estado. O agressor era patrão da vítima.

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Alicate está sendo analisado pelo IGP após ter sido apontado como instrumento usado para cortar um dedo | abc+



Alicate está sendo analisado pelo IGP após ter sido apontado como instrumento usado para cortar um dedo

Foto: Polícia Civil

Funcionário de um ferro-velho em Canoas, o homem de 49 anos foi acusado de roubo pelo chefe. Foi acorrentado e submetido a sessões de tortura, sendo obrigado, inclusive, a arrancar o próprio dedo com um alicate.

O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS) confirmou, nesta semana, a sentença referente ao caso denunciado pelo Ministério Público ainda em 2025.

O réu Ricardo Sodré Fernandes da Silva, 44 anos, foi sentenciado a 14 anos e oito meses de reclusão, em regime fechado, pelos crimes de tortura e apologia ao crime, devido às gravações da violência. A reportagem não localizou a defesa do condenado. O espaço está aberto. 

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Sequelas e tratamento

A esposa da vítima afirma que, embora o patrão permaneça preso e tenha sido sentenciado, a condenação não alivia a angústia da família, já que o marido nunca mais foi o mesmo.

“Acho que ele merecia mais”, ressalta. “Meu marido nunca se recuperou do que aconteceu. Tem sequelas irreversíveis e ainda trata psicologicamente os efeitos da violência”, lamenta.

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Morando fora de Canoas desde que o caso veio à tona, ela relata que o marido sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC) no ano passado e agora necessita de cuidados especiais, além das mutilações sofridas na época.

“A nossa vida nunca mais foi a mesma”, diz. “A gente não vive desde então. A gente sobrevive. Porque nunca nos recuperamos do que aconteceu. Estamos vivendo aquela tortura ainda.”

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Entenda o caso

Um desentendimento por conta de uma quantia em dinheiro levou o patrão a prender o funcionário no dia 22 de março de 2025.

Acorrentado, teve os cabelos queimados por um maçarico, os joelhos perfurados por uma furadeira e teve água fervente jogada sobre as costas.

O ápice da violência sofrida durante o período de cárcere privado foi ter sido obrigado a arrancar o próprio dedo com um alicate para não ser morto.

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Após passar oito horas acorrentado, a vítima conseguiu escapar e buscar ajuda. Foi socorrido e levado à emergência do Hospital Nossa Senhora das Graças.

A Polícia Civil entrou em ação ao tomar conhecimento do caso. Prendeu o dono do ferro-velho, que fica no Centro de Canoas, dois dias depois.

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Investigação

A apuração do caso foi conduzida pela 1ª Delegacia de Polícia de Canoas. Na época, o delegado Marco Guns divulgou que toda a denúncia acabou confirmada por meio de vídeos gravados pelo próprio patrão.

“Ao analisar o aparelho celular do suspeito, descobrimos que ele havia gravado toda a violência que aconteceu no estabelecimento.”

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No local, a Polícia Civil apreendeu as ferramentas que permaneciam sujas com o sangue da vítima, inclusive o alicate usado para decepar o dedo. “Foi um caso de violência desmedida”, lamentou Guns. “Nada justifica o sofrimento imposto à vítima. Se ele não escapasse, tudo leva a crer que a tortura continuaria.”

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