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FEMINICÍDIO

"Vai lá ver o que eu fiz com ela": Homem que matou esposa em Novo Hamburgo confessou crime a vizinha antes de fugir

Conforme a Polícia Civil, Karizele de Oliveira Sena foi morta por oito facadas dadas pelo marido

Isaías Rheinheimer
Publicado em: 24/01/2026 às 11h:54 Última atualização: 24/01/2026 às 11h:55
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Relatos de vizinhos ajudam a reconstruir os momentos que antecederam e sucederam o feminicídio de Karizele de Oliveira Sena, de 30 anos, morta a facadas na madrugada deste sábado (24) no bairro Industrial, em Novo Hamburgo. Testemunhas afirmam que foram acordadas pelos gritos de socorro da vítima e da filha adolescente de 13 anos, que chegou a sair para a rua pedindo ajuda e solicitando que a polícia fosse acionada.

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Karizele de Oliveira Sena tinha 30 anos e faria aniversário no mês que vem  | abc+



Karizele de Oliveira Sena tinha 30 anos e faria aniversário no mês que vem

Foto: Arquivo pessoal

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Uma vizinha de 41 anos, que morava na casa ao lado e mantinha contato diário com Karizele, relata que cruzou com o autor do crime logo após o ataque. Segundo ela, o homem fugia a pé, subindo em direção à Avenida Primeiro de Março. “A menina já estava aqui fora quando ele passou e disse ‘vai lá ver o que eu fiz com ela’”, conta.

A mulher correu até a residência e encontrou Karizele caída na sala, gravemente ferida e agonizando. A testemunha acionou imediatamente o socorro e a polícia. No entanto, quando equipes da Brigada Militar e do Samu chegaram ao local, a vítima já estava morta.

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Conforme a Polícia Civil, Karizele foi atingida por oito facadas.

Vizinhança afirma que brigas eram recorrentes entre o casal

A mesma vizinha contou que o casal tinha um histórico de brigas frequentes, que teriam se intensificado nos últimos meses. Segundo ela, os conflitos eram motivados, principalmente, por ciúmes. “Ele tinha um ciúme possessivo.”

Ainda de acordo com a testemunha, o casal esteve em uma festa na noite de sexta-feira (23) e retornou para casa por volta de 1 hora da madrugada de sábado. Assim que chegaram, vizinhos ouviram uma discussão, que cessou pouco depois.

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Crime aconteceu na madrugada deste sábado | abc+



Crime aconteceu na madrugada deste sábado

Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial

Por volta das 4h30, a testemunha foi acordada pelos gritos de socorro. “Ela chamou meu nome. Eu não ouvi de imediato porque estava dormindo, mas meu marido me acordou dizendo que alguém estava me chamando. Era ela”, afirma.

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Ao sair para a rua, a vizinha encontrou a adolescente de 13 anos em desespero, pedindo ajuda e solicitando que a polícia fosse chamada porque o padrasto havia esfaqueado a mãe. “Foi horrível e triste”, completa.

Discussão entre o casal teria começado na festa

Outro relato veio de um vizinho de 17 anos, que afirmou que as discussões começaram ainda durante a festa. Segundo ele, o casal foi retirado do local após uma briga e voltou para casa.

Já na residência, os conflitos continuaram. O jovem afirmou que, por volta das 4 horas, o homem teria agredido Karizele com uma cabeçada, fazendo com que ela sangrasse. Em seguida, ela teria ido para o quarto e se deitado.

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Ainda conforme esse relato, o agressor saiu de casa e, ao retornar, estava com uma faca e partiu para cima da vítima, que estava acompanhada das filhas, a adolescente de 13 anos e a bebê de 9 meses. “Ele deu um golpe por cima das crianças e esfaqueou ela. Um no peito, um na altura do coração e outros na barriga”, conta o vizinho.

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O jovem também relatou que, após o ataque, quando fugia, ele mostrou a uma vizinha ferimentos no próprio pescoço e disse que havia sido arranhado, repetindo a frase para que ela fosse até a casa ver o que ele havia feito.

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O vizinho diz que o homem já residia há mais tempo no local e teria um histórico de violência em relacionamentos anteriores. Ele afirmou que o casal vivia junto há cerca de seis anos e que as brigas eram recorrentes. “Era todo final de semana. A polícia vinha, mas ela acabava voltando com ele”, disse.

“Eles tinham histórico de ocorrências”

O delegado Alexandre Quintão, da Delegacia da Mulher de Novo Hamburgo, confirma o histórico de violência doméstica.

“Eles tinham histórico de ocorrências da vítima contra o suspeito, porém voltavam a se relacionar e morar juntos. O último registro entre eles foi em 2024, uma agressão do suspeito contra a vítima”, pontua. Nesse último registro, a vítima chegou a solicitar medida protetiva, que expirou o prazo e não foi renovada.

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Até o fim da manhã deste sábado, o suspeito seguia foragido. O caso é investigado pela Polícia Civil como feminicídio.

As duas crianças foram acolhidas por familiares da vítima. Karizele de Oliveira Sena será velada e sepultada em Butiá, sua cidade natal.

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