Kelvyn Luan Tavares Nunes, de 31 anos, é o homem apontado como autor do feminicídio que vitimou Karizele de Oliveira Sena, 30, na madrugada deste sábado (24), em Novo Hamburgo.
Kaka foi morta a facadas na frente das filhas. Com base nas primeiras evidências reunidas pela investigação, a Delegacia da Mulher representou pela prisão preventiva do suspeito junto ao Poder Judiciário.

Foto: Arquivo pessoal
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A confirmação foi feita pelo delegado Alexandre Quintão, que informou que o pedido de prisão foi protocolado ainda nas primeiras horas da manhã, assim que a equipe reuniu indícios suficientes de autoria.
“Se for localizado, será preso em flagrante mesmo se preventiva ainda não tiver sido emitida pelo Judiciário, pois não deixamos de procurar por ele desde o momento do crime”, afirma o delegado Alexandre Quintão.
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Nunes trabalhava por conta própria com conserto de eletrônicos e possui antecedentes criminais por ameaça, lesão corporal e perturbação da tranquilidade pública. Ele é natural de Butiá, assim como Kaka. O suspeito morava há mais de dez anos no Vale do Sinos.
“Vai lá ver o que eu fiz com ela”
Entre os elementos que sustentam o pedido de prisão estão os relatos de testemunhas, o histórico de violência doméstica e o fato de o suspeito ter abandonado o carro em frente à residência após o crime, fugindo a pé do local.
Uma vizinha viu o momento em que Nunes fugiu de casa após atacar Kaka. “A menina (filha de Kaka, de 13 anos) já estava aqui fora quando ele passou e disse ‘vai lá ver o que eu fiz com ela’”, conta a testemunha.
A vítima foi encontrada caída na sala da casa, quase na porta de saída, e morreu antes da chegada do socorro. A Polícia Civil confirmou que ela foi atingida por oito facadas.

Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial
O histórico de violência no relacionamento também pesa contra o suspeito. Em 2024, Karizele chegou a registrar ocorrência e obter medida protetiva contra Nunes. No entanto, conforme os registros policiais, a medida perdeu a validade e o casal retomou o relacionamento.
O irmão da vítima, Tiago Sena, relatou que a violência era recorrente. Segundo ele, em um dos episódios mais graves, Kelvyn Nunes teria quebrado os dentes de Kaka com uma garrafa de uísque. Sena também afirmou que o cunhado tentou agredir a mãe da vítima em outra ocasião. “A gente avisava que isso ia acontecer”, disse o irmão.
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Nunes e Kaka estavam juntos há cerca de seis anos e tinham uma filha em comum, um bebê de 9 meses. A adolescente de 13 anos, que também presenciou o crime e saiu para a rua pedindo socorro, é filha de um relacionamento anterior de Karizele. Ambas as crianças foram acolhidas por familiares.
A investigação também apurou que Nunes teve um relacionamento anterior e que também havia histórico de violência doméstica nessa relação.
O crime ocorreu por volta das 5 horas, em uma residência na esquina da Avenida Primeiro de Março com a Rua Ana Neri, no bairro Industrial.
Onde buscar ajuda
Mulheres em situação de violência doméstica podem buscar ajuda de forma gratuita e sigilosa. Em casos de emergência, a orientação é ligar para o 190, da Brigada Militar. Também é possível registrar ocorrência em qualquer Delegacia de Polícia, especialmente nas Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (Deam).
Outra opção é o Ligue 180, Central de Atendimento à Mulher, que funciona 24 horas por dia, inclusive aos fins de semana e feriados. O serviço oferece orientação, acolhimento e encaminhamento para a rede de proteção.