abc+

NA ASSEMBLEIA

CPI dos Pedágios: Deputados protocolam pedido de investigação sobre concessões do RS

Comissão pretende investigar possíveis falhas técnicas, jurídicas e financeiras na modelagem dos pedágios dos Blocos 1, 2 e 3 do programa estadual de concessões.

Publicado em: 05/12/2025 às 11h:34 Última atualização: 05/12/2025 às 11h:35
Publicidade

A Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul (ALRS) recebeu, no final da tarde de quinta-feira (4), o pedido formal para a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Pedágios. A iniciativa é liderada pelo deputado Paparico Bacchi (PL), que preside a frente parlamentar contra as concessões.

Publicidade

CLIQUE AQUI PARA ENTRAR NA COMUNIDADE DO ABCMAIS NO WHATSAPP

“Não podemos aceitar que decisões equivocadas continuem penalizando os gaúchos por décadas. A CPI é fundamental para exigir responsabilidade, transparência e uso correto dos recursos públicos”, afirmou o parlamentar. 

Iniciativa de Paparico Bacchi (PL) recebe assinaturas de diferentes siglas e mira contratos dos Blocos 1, 2 e 3 das concessões rodoviárias. | abc+



Iniciativa de Paparico Bacchi (PL) recebe assinaturas de diferentes siglas e mira contratos dos Blocos 1, 2 e 3 das concessões rodoviárias.

Foto: Fernando Gomes/ALRS

A proposta, protocolada com 19 assinaturas, busca apurar eventuais irregularidades técnicas, jurídicas e financeiras na modelagem das concessões rodoviárias do governo estadual, especialmente nos Blocos 1 e 2 — ainda em fase preliminar de licitação — e no contrato já em execução do Bloco 3, Caminhos da Serra Gaúcha.

O requerimento que embasa o pedido da CPI se sustenta em apontamentos do Tribunal de Contas do Estado (TCE), por meio da Informação Técnica 34/2025, e da Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados (Agergs).

Publicidade

LEIA MAIS: Orçamento para 2026 passa na Assembleia em meio a críticas e à previsão de déficit de R$ 3,79 bilhões

Os órgãos de controle identificaram falhas nos cálculos que, segundo os deputados, podem levar ao aumento do custo de capital e, consequentemente, a uma elevação indevida das tarifas, contrariando o princípio da modicidade tarifária (tarifas justas).

Outras fragilidades registradas incluem:

Publicidade

• Modelagem deficiente;
• Estudos de demanda desatualizados;
• Falta de transparência nas audiências públicas.

Apoio pluripartidário na Assembleia  

A proposta apresentada por Bacchi reuniu apoio de deputados de diferentes campos políticos, incluindo PT, PSOL, PCdoB, Novo, Republicanos e Podemos. O líder da bancada PT/PCdoB, o deputado Miguel Rossetto (PT) reforçou o apoio à instalação da CPI.

Publicidade

Para ele, o modelo de pedágios proposto pelo governo estadual carece de respaldo técnico e precisa ser revisado.

“A Assembleia cumpre seu dever. Vamos trabalhar para instalar imediatamente a CPI e investigar com rigor um processo que prevê contratos sem justificativa técnica, utiliza recursos públicos, assegura taxas de retorno altíssimas aos concessionários e impõe graves prejuízos à população. Destinar R$ 3 bilhões do Funrigs a esse modelo é absolutamente irresponsável”, declarou.

Reação de entidades

A abertura da CPI provocou reação de entidades do setor produtivo. Em nota conjunta, Farsul, Fiergs, Setcergs e Transforma RS manifestaram “preocupação institucional e contrariedade” com o pedido, alegando falta de “caracterização de fato determinado”.

Publicidade

CLIQUE AQUI PARA RECEBER NOSSA NEWSLETTER

Para as entidades, instaurar uma CPI sem objeto claramente delimitado, especialmente em um tema complexo e ainda em andamento, pode gerar “ruídos desnecessários”, afetar a imagem do Estado e comprometer a confiança de investidores no momento em que o Rio Grande do Sul busca ampliar sua capacidade de atração de investimentos.

Publicidade

As organizações defenderam que o debate sobre infraestrutura ocorra em espaços técnicos e transparentes, reunindo especialistas, órgãos de controle, setor produtivo, sociedade civil e o Parlamento. Também se colocaram à disposição para colaborar, oferecendo dados e estudos que contribuam para qualificar a discussão pública.

Publicidade