Desde o dia 2 de fevereiro, no retorno do recesso parlamentar, o público está impedido de comentar as transmissões ao vivo das sessões da Câmara de Vereadores de Novo Hamburgo. A medida foi adotada por decisão da equipe técnica da Casa e atinge principalmente cidadãos que acompanham os trabalhos de forma on-line.

Foto: Reprodução/YouTube
Segundo a assessoria da Casa, decisão de bloquear os comentários nas transmissões ao vivo no YouTube foi motivada pela “falta de estrutura técnica e de equipe dedicada” para acompanhar e responder às mensagens em tempo real das mensagens publicadas.
Em nota, a Câmara afirmou que o espaço funcionava apenas como um chat e não como um canal oficial de comunicação institucional. “Diante disso, optou-se pela desativação dos comentários, a fim de evitar interpretações equivocadas quanto à sua finalidade”, diz trecho do documento.
Ainda conforme o Legislativo, a participação da população segue assegurada por meio dos canais oficiais, como o site institucional e a Ouvidoria, considerados os “meios adequados e apropriados para o envio de manifestações, sugestões, solicitações e demais interações”.
Dificuldade de acompanhamento
A medida gerou polêmica entre eleitores que acompanham as sessões de forma remota, especialmente aqueles que não conseguem estar presencialmente no plenário em razão do horário das reuniões, realizadas às segundas e quartas-feiras, às 14 horas.
“Quando trocaram o horário das sessões, prejudicando a participação da comunidade, falaram que poderíamos participar online. Mas já nas duas primeiras sessões os comentários foram desativados”, protestou a assistente social Karla Mombach. “É um absurdo o que está acontecendo.”
Normas mais rígidas no plenário
A desativação dos comentários on-line ocorre em meio a outras mudanças adotadas no início do ano legislativo. A Resolução da Mesa Diretora nº 3/2026 revogou o regulamento em vigor desde 2016 e estabeleceu normas mais rígidas para o público que acompanha as sessões presenciais.
Entre as alterações está a limitação do tamanho de materiais de manifestação, com a proibição de cartazes que ultrapassem o formato A4 (210 x 297 mm). A aplicação prática da nova regra já provocou atritos no plenário.
O artista visual Alexandre Reis avalia que as medidas restringem a liberdade de expressão. “Está sendo ignorado o que a gente tem a dizer. Parece que é mais importante o tamanho da folha do que o que está escrito nela. Nossas manifestações não são consideradas, e o que nos propõem é limitar o tamanho da expressão que temos para nos manifestar. Isso é totalmente antidemocrático”, afirmou.