O imbróglio envolvendo as pré-candidaturas de Edegar Pretto (PT) e Juliana Brizola ao governo do Estado ganhou um novo capítulo na tarde desta terça-feira (7). Após a divulgação de cartas dos ex-deputados reafirmando a intenção de concorrer ao Piratini, assim como o empenho na reeleição de Lula (PT) ao Planalto.
Enquanto Juliana se apresentou como possibilidade real de derrotar Luciano Zucco (PL) em um eventual 2º turno, citando pesquisas, Pretto reforçou a unidade de uma frente ampla de esquerda com Psol, PSB, PCdoB, PV e Rede no entorno de sua pré-campanha.

Foto: Divulgação
No meio da disputa está a direção nacional do PT, que orientou uma estratégia política a ser seguida no Rio Grande do Sul. A determinação reitera que a tática deve estar alinhada à leitura nacional e internacional da conjuntura política atual, priorizando a campanha de reeleição de Lula à presidência da República.
Para tornar isso possível, foi orientada a necessidade de construir uma aliança com o PDT, agregando partido de centro-esquerda e esquerda, historicamente aliados do PT. A construção deverá ser feita sob a liderança de Juliana Brizola, significando que o PT deve abrir mão da cabeça de chapa no Estado, algo inédito para a sigla.
Além disso, deixa a cargo de Pretto a função de liderar a aliança com o PDT, que deverá ter uma comissão com todos os partidos aliados visando a construção de um plano de governo conjunto.
Apesar da orientação formal, Pretto publicou em suas redes sociais que solicitou a convocação do Diretório Estadual do PT para tratar deste tema. O ex-deputado reiterou que a decisão da frente ampla liderada pelo PT deve ser respeitada no Estado. “Democracia é construção, não imposição. Não pode ser seletiva, precisa ser respeitada em todas as instâncias”, completou.
A decisão será pauta de uma reunião do Diretório Nacional, agendada para o dia 23 de abril, em Brasília.
Leia a decisão completa:
A Comissão Executiva Nacional, reunida em 7 de abril de 2026 e, no uso de suas atribuições políticas e estatutárias,
RESOLVE
Da análise do cenário internacional e nacional: Reconhecer que o cenário político atual é marcado pela ascensão do fascismo em escala global, expressa pela ofensiva da ultradireita nos principais países do mundo democrático, bem como por manifestações concretas de violência e intervenção internacional, notadamente em regiões como a América Latina e o Oriente Médio.
Da caracterização do cenário brasileiro: Afirmar que, no Brasil, esse fenômeno se manifesta na organização de um campo político liderado pela ultradireita, de orientação fascista, que busca impor uma derrota histórica às forças democráticas, com impactos diretos na correlação de forças na América do Sul, na América Latina e no cenário internacional. E destruição do projeto de um Brasil justo, democrático e soberano. A vitória da direita fascista no Brasil ainda significa o enfraquecimento das instituições que sustentam a nossa democracia, abrindo a possibilidade de um ciclo autoritário no país.
Da centralidade da disputa nacional: Definir que a reeleição do presidente Lula constitui eixo central da tática política no próximo período, sendo fundamental para o reequilíbrio da correlação de forças no continente e para a afirmação internacional das forças democráticas no enfrentamento ao fascismo.
Além da consolidação do nosso projeto de futuro: desenvolvimento industrial, tecnológico, com igualdade de oportunidades e distribuição de riquezas.
Da estratégia de construção política: Estabelecer que a derrota da ultradireita no Brasil pressupõe a construção de um amplo campo democrático, liderado por uma aliança de centro-esquerda, com capacidade de mobilização da sociedade brasileira, orientada à defesa de um projeto nacional de desenvolvimento baseado na produção e na distribuição de riquezas.
Da articulação regional e internacional: Reconhecer que a reeleição do presidente Lula terá papel estratégico nas disputas políticas na América do Sul, na América Latina e no cenário global, contribuindo para o fortalecimento das forças democráticas.
Da tática política no Rio Grande do Sul: Determinar que a tática política no Estado do Rio Grande do Sul deve estar alinhada à leitura nacional e internacional da conjuntura, com encaminhamentos coerentes e responsáveis, dando consequência a análise com ações que colaborarem com essa imposição histórica. Não há nada mais importante que a reeleição do Presidente Lula.
Das alianças políticas: Reafirmar a necessidade de construção de aliança com o Partido Democrático Trabalhista (PDT), considerado força fundamental na consolidação do campo democrático brasileiro. Essa construção deverá agregar os partidos de centroesquerda que historicamente são nossos aliados.
Da orientação eleitoral: Definir a construção de uma tática eleitoral conjunta com o PDT, e demais partidos do campo democrático, sob a liderança da companheira Juliana Brizola, como expressão política dessa estratégia no Estado do Rio Grande do Sul. Entendemos que o companheiro Edegar Pretto é a liderança com maior legitimidade para liderar essa construção.
Comissão do Programa de Governo: Instituir uma comissão em conjunto com o PDT e os demais partidos aliados, visando articular as diretrizes para a elaboração do programa de governo. A representação do Partido dos Trabalhadores nesta instância será composta pelos membros da Comissão Executiva Nacional filiados no Rio Grande do Sul e por três membros indicados pelo Diretório Estadual.
Pauta do Diretório Nacional: Incluir na pauta da próxima reunião do Diretório Nacional, que será realizada em Brasília, no dia 23 de abril, o debate sobre a tática eleitoral no Rio Grande do Sul, como etapa necessária para a definição da estratégia política e o fortalecimento do palanque de reeleição do Presidente Lula no estado.
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