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Fissuras na base

"Fica uma lacuna com o governo": Coller comenta crise após votação de projeto que altera regras de aposentadoria dos servidores

Presidente da Câmara de Novo Hamburgo, Cristiano Coller (PP), confirma que exonerações de CCs foram retaliação ao voto contra a Reforma da Previdência proposta pelo Executivo

Publicado em: 03/11/2025 às 22h:52 Última atualização: 03/11/2025 às 22h:56
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A votação do Projeto de Emenda à Lei Orgânica (Pelom) nº 2/2025, que trata da reforma da previdência dos servidores municipais de Novo Hamburgo, expôs fissuras na base de apoio ao governo Gustavo Finck (PP). A proposta foi aprovada, em segundo turno, na tarde desta segunda-feira (3), por 10 votos a 4, e provocou repercussões imediatas no Executivo e no Legislativo.

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Presidente da Câmara, Cristiano Coller, criticou a imprensa na sessão desta segunda | abc+



Presidente da Câmara, Cristiano Coller, criticou a imprensa na sessão desta segunda

Foto: Daniele Souza/CMNH

O resultado chamou atenção pela posição de dois vereadores até então alinhados ao governo. Assim como na primeira votação, ocorrida em 29 de outubro, Cristiano Coller (PP), presidente da Câmara, e Felipe Kuhn Braun (PSDB) votaram contra o projeto, acompanhando Enio Brizola (PT) e Professora Luciana Martins (PT).

A postura de Coller, integrante do mesmo partido do prefeito e considerado um dos principais articuladores do governo no Legislativo, surpreendeu colegas e gerou desconforto no Centro Administrativo Leopoldo Petry.

Exonerações após a votação

Ainda na quarta-feira (29), logo após a primeira votação, o Executivo exonerou cargos de confiança ligados aos vereadores Coller e Kuhn Braun. Os nomes eram indicações políticas e técnicas de ambos, que integram a base governista. A medida foi interpretada como uma reação à dissidência na votação do projeto da Previdência.

Na legislatura passada, situação semelhante já havia ocorrido. Em 2023, quando o então vereador Gustavo Finck — hoje prefeito — votou contra proposta semelhante apresentada pela ex-prefeita Fátima Daudt (MDB), Coller e Kuhn Braun também se posicionaram contrariamente.

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“Foi decisão do prefeito”, diz Coller

Na sessão desta segunda-feira (3), Cristiano Coller falou pela primeira vez sobre as exonerações e defendeu sua coerência na votação. “Todo mundo aqui é adulto, ninguém é criança. Quando a gente é base de governo, acaba indicando algumas pessoas para trabalhar no Executivo, pessoas com capacidade. Fico preocupado porque os chefes dessas pessoas estão me procurando para saber se há possibilidade de mantê-las. Mas, se dependesse de mim, elas nem tinham saído. Foi um desejo do Executivo, uma decisão única do prefeito”, afirmou ao usar a tribuna.

O vereador disse lamentar as demissões, mas reafirmou que não mudaria seu voto.“Não ia mudar o meu voto aqui porque, há dois anos, eu estava nesse mesmo lugar brigando para que esse projeto não fosse aprovado. Fico chateado pelas pessoas que saíram, porque são trabalhadores, mas mantive minha coerência.”

Durante o pronunciamento, em tom de desabafo Coller também respondeu às críticas de “traição” feitas por aliados do governo. “Disseram que eu fui traíra. Daí eu até questionei ‘por que que eu fui traíra’. Daí disseram: “Ah, porque lá atrás traiu a Fátima Se trair a Fátima foi na questão do projeto de aumento do IPTU, na qual eu era base de governo, sim, ajudei a eleger aquele governo, e eu votei contrário, então eu sou traíra mesmo. Então sou traíra. E agora, nesse momento também eu não podia voltar atrás de uma decisão que eu tinha tomado lá atrás, senão quem ia ser traíra era eu, traíra com as pessoas que votaram em mim, que me ajudaram a estar aqui”.

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“Uma lacuna com o governo”

Ao analisar a repercussão do seu voto, o presidente do Legislativo reconheceu que o episódio cria um distanciamento entre ele e o Executivo. “Claro que para mim é ruim, fica uma mancha, uma lacuna entre mim e o governo. Mas estou tranquilo, porque mantive a minha coerência. Eu ainda sou vereador, continuo com a minha função de votar.”

Coller encerrou o discurso agradecendo o apoio da família e reforçando o desejo de que o governo municipal “cumpra o que prometeu” durante a campanha. Também fez um apelo aos colegas para que analisem com atenção os projetos que ainda serão votados neste fim de ano legislativo. “Ainda temos praticamente dois meses até o fim do ano e muitos projetos importantes para votar. Que cada vereador estude bem as propostas e use seu espaço para defender ou se posicionar de forma consciente, porque as decisões aqui impactam diretamente a vida das pessoas”, disse.

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Por fim, Coller desejou que 2026 seja um ano melhor para o município. “Torço muito para que a administração cumpra o que se comprometeu e que 2026 seja muito melhor que 2025, porque este ano foi difícil. Espero que as coisas melhorem para Novo Hamburgo.”

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