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DESDOBRAMENTOS

Investigação sobre possíveis irregularidades na liberação da Havan em Novo Hamburgo é aberta pelo Ministério Público

Processo questiona dispensa de contrapartida, avaliação de terreno e eventual conflito de interesse entre o Executivo e a antiga proprietária da área aonde a megaloja se instalou

Publicado em: 03/12/2025 às 18h:22 Última atualização: 03/12/2025 às 18h:23
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O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) instaurou um inquérito civil para investigar possíveis irregularidades nos procedimentos administrativos de licenciamento e autorização para a instalação da megaloja da Havan em Novo Hamburgo.

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A medida, formalizada pelo 1º Promotor de Justiça da Promotoria de Justiça Especializada de Novo Hamburgo, Sandro de Souza Ferreira, visa avaliar “potenciais lesões à ordem urbanística e, a depender do resultado das investigações, ao meio ambiente.”

Ação popular leva MP a apurar licenças concedidas à Havan em Novo Hamburgo | abc+



Ação popular leva MP a apurar licenças concedidas à Havan em Novo Hamburgo

Foto: Juliana Nunes/GES-Especial

Segundo Ferreira, “vislumbra-se a possibilidade de que a municipalidade possa ter cometido irregularidades no âmbito dos procedimentos que culminaram com as licenças e autorizações para a instalação do empreendimento”. Ele afirma que as ações podem ter causado danos ao ordenamento urbanístico e, dependendo do avanço das investigações, também ao meio ambiente.

Origem da investigação

A base da investigação do MP é uma ação popular ajuizada em 10 de novembro pelo advogado hamburguense Vinicius Klein Bondan na 4ª Vara Cível Especializada em Fazenda Pública, da Comarca local, que tem como réus o prefeito Gustavo Finck (PP), a Prefeitura de Novo Hamburgo, a empresa Havan, e o antigo proprietário do terreno, a 2G Consultoria Empresarial.

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O promotor também anexou ao inquérito matérias da imprensa local, incluindo duas reportagens do ABCmais sobre a denúncia e seus desdobramentos na Câmara de Vereadores

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Como diligência inicial, o prefeito Finck foi requisitado, por ofício, a encaminhar à Promotoria de Justiça Especializada cópias integrais de todos os expedientes administrativos relacionados ao empreendimento Havan em Novo Hamburgo, no prazo de 15 dias.

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Procurado pela reportagem, Finck disse que não irá se pronunciar sobre o assunto. Já o Município afirmou que a Procuradoria-Geral do Município (PGM) apenas se manifestará nos autos.

Há poucos dias o prefeito afirmou publicamente que “não há nada obscuro na vinda da Havan”, associando a denúncia à atuação política de seus adversários.

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Os principais questionamentos

A ação popular, que aponta um prejuízo estimado em mais de R$ 10 milhões aos cofres públicos, levanta três pontos centrais:

Dispensa de Contrapartida Urbanística : Questiona-se a retirada de uma exigência inicial da Comissão Permanente do Plano Diretor para o prolongamento da Rua Bento Manoel (do Colégio Estadual Vila Becker até a Rua Rincão, passando sobre o Arroio Luiz Rau) e a criação de uma rotatória. Esta obra, considerada fundamental para organizar o trânsito na Rua Rincão , era a contrapartida da Havan (DUE nº 13). Após o prefeito Gustavo Finck nomear novos integrantes da Comissão, uma nova DUE (nº 14) foi publicada, onde a exigência da obra, estimada entre R$ 5 milhões e R$ 10 milhões, foi retirada.

Subavaliação de Terreno: A ação indica que o terreno de 20 mil metros quadrados, vendido pela 2G à Havan por mais de R$ 21 milhões (cerca de R$ 1,12 mil por metro quadrado), foi subavaliado. A Prefeitura aceitou substituir a doação de 10% da área total para uso público por um pagamento em dinheiro equivalente a 10% do valor de avaliação negociado pela Prefeitura (R$ 7,5 milhões), resultando em uma indenização de R$ 744,2 mil. O advogado alega que a contrapartida deveria ter sido de R$ 2,1 milhões, estimando um prejuízo de cerca de R$ 1,4 milhão ao município.

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Conflito de Interesse: A ação levanta a suspeita de vínculo pessoal e patrimonial entre o prefeito Finck e um dos sócios da 2G Consultoria Empresarial, Germano Grings. O prefeito reside em um apartamento de luxo na Avenida Maurício Cardoso, avaliado em pelo menos R$ 1,5 milhão, que pertenceria ao diretor da 2G

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