Embora o projeto de lei nº 4/2026 — que criava o vale-refeição de R$ 1.020,77 para os vereadores — tenha sido retirado de tramitação na manhã desta segunda-feira (9), o clima na Câmara de Novo Hamburgo foi de tudo, menos de calmaria.
O recuo estratégico, anunciado pelo presidente Juliano Souto (PL) após reunião com o prefeito Gustavo Finck (PP), serviu de combustível para um dos debates mais acalorados da atual legislatura.
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Foto: Divulgação:Moris Musskopf/CMNH
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O termômetro subiu quando a vereadora Deza Guerreiro (PP) subiu à tribuna. Em um discurso contundente, ela mirou as colegas Daia Hanich (MDB) e Professora Luciana Martins (PT), que votaram contra o projeto no primeiro turno. Sem citar nomes diretamente, Deza questionou a coerência das parlamentares, sugerindo que elas “colocaram os demais colegas na fogueira” e criticou o fato de acumularem salário e subsídio por exercerem outras profissões além da vereança.
“Eu acho que o vereador não deveria ter dois empregos. Nós ganhamos um bom salário [subsídio] para estarmos aqui de segunda a sexta”, disparou Deza, afirmando que abandonou sua profissão de corretora para ser “100% vereadora”.
A reação
A resposta veio em tom de indignação. A vereadora Daia Hanich (MDB), que é inspetora da Policial Civil, reagiu aos ataques, classificando a postura de Deza como “inadmissível”. Ela defendeu a legalidade de sua situação e ressaltou que a dedicação ao mandato não é medida pelo acúmulo de cargos.
Citando ex-parlamentares que ocuparam cadeiras na Câmara hamburguense, indagou: “Doutor Raul Cassel e Doutor Gerson Peteffi, excelentes médicos; Inspetor Luz, policial, inspetor. Eu? Inspetora Daiane. Qual a diferença entre nós? A única diferença é que eu e a vereadora Luciana somos mulheres”.
A parlamentar enfatizou que “política não é profissão” e lamentou a ausência de colegas que lançaram críticas na tribuna, mas não permaneceram para o debate. “Eu estou dentro da lei. Não é porque tenho outro trabalho que não me dedico plenamente. Votei por princípios e não admito ser atacada por isso”, rebateu Daia, lamentando o conflito entre as parlamentares mulheres.
Já a Professora Luciana Martins (PT) defendeu a transparência dos ritos legislativos e afirmou estar tranquila quanto aos valores que recebe, uma vez que todos os dados constam no Portal da Transparência. “Se tivermos uma discussão honesta e legítima sobre o que pensamos dos mandatos, contem com minha participação”, concluiu.
Recuo político
O clima acalorado ocorreu horas depois de a Câmara anunciar a retirada de tramitação do Projeto de Lei nº 4/2026, que previa o pagamento de um vale-refeição mensal de R$ 1.020,77 para cada um dos 14 vereadores. A decisão foi comunicada pelo presidente da Casa, Juliano Souto (PL), após reunião entre representantes do Legislativo e o prefeito Gustavo Finck (PP) no final d amanhã desta segunda.
A proposta havia sido aprovada em primeiro turno na última quarta-feira (4), por 11 votos a dois. Segundo nota lida por Souto, a retirada não foi uma imposição do Executivo, mas resultado de um “entendimento comum” diante da situação financeira do município. O acordo prevê que o tema retorne à pauta em maio, inserido em um pacote mais amplo de valorização do funcionalismo público.