A sessão da Câmara de Vereadores de Novo Hamburgo desta quarta-feira (28) terminou em ocorrência policial. O vereador Juliano Souto (PL) deu voz de prisão a um homem que o mandou “calar a boca” após uma discussão sobre a ausência de público no Legislativo.

Foto: Divulgação: Moris Musskopf/CMNH
O homem que recebeu ordem de prisão após um caso interpretado pelo vereador como desacato é Diego Corrêa. Ele frequenta as sessões da Câmara e já havia tido outros embates com Souto, autor de projetos polêmicos neste ano.
Diego Corrêa é conhecido em Novo Hamburgo por sua atuação como líder comunitário no bairro Santo Afonso e membro de movimentos sociais e populares. Atualmente é assessor parlamentar do deputado estadual Leonel Radde (PT), ligado a pautas de segurança pública, direitos humanos e periferias.
Quem é Juliano Souto
O vereador envolvido na polêmica é conhecido na política regional. Foi eleito no ano passado com 3.677 votos, a segunda maior votação. Se apresentou na campanha como o “01 de Bolsonaro em Novo Hamburgo”.
Em 2020, Juliano Souto concorreu como vice na chapa liderada por Delegado Zucco. A então prefeita Fatima Daudt foi reeleita e eles ficaram em segundo, com 26 mil votos. Nos anos seguintes, Souto trabalhou como assessor do deputado Luciano Zucco.
Souto começou na política aos 19 anos, ocupando cargos de confiança na Prefeitura de Sapiranga e na Assembleia Legislativa. Na iniciativa privada, atuou nas áreas de consultoria jurídica, financeira e empresarial.

Foto: Divulgação: Moris Musskopf/CMNH
Briga política
A ordem de prisão de Diego Corrêa dada pelo vereador Juliano Souto a plenos pulmões e com dedo em riste durante a sessão legislativa ganhou imediatamente contornos de disputa política.
Os vereadores Enio Brizola e Professora Luciana, ambos do PT, saíram em defesa do líder comunitário e contestaram a legalidade do gesto de Juliano Souto. A discussão ficou ainda mais acalorada quando pessoas que estavam no plenário e a vereadora Luciana levantaram a suspeita de que Souto estaria armado.
A informação não foi confirmada pelos agentes da Guarda Municipal que estavam na Câmara. Os vereadores do PT pediram que Souto fosse revistado, o que não ocorreu. Durante a polêmica Souto se ausentou do plenário por cerca de três minutos. Alegou ter ido ao banheiro.
Souto e as advogadas Isadora Cunha e Gabriela Piardi chegaram a discutir junto à porta principal da Câmara. Souto queria que Corrêa fosse levado algemado para a Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA), que fica quase em frente ao Legislativo.
O vereador acabou saindo primeiro em direção à DPPA. Diego Corrêa deixou o local escoltado por agentes da Guarda Municipal minutos depois. Ambos registraram ocorrência, cada um com sua versão, e foram liberados.
Apesar da confusão, projeto passou
Apesar do tumulto, o projeto de lei complementar 12/2025 foi aprovado por ampla maioria: foram 13 votos favoráveis e apenas um contrário. A matéria trata da permuta de imóveis da Prefeitura no bairro Canudos.
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