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CLIMA TENSO

Sessão da Câmara de Sapiranga tem protestos e volta de vereador afastado

Plenário lotado marcou o retorno de Tiago de Moraes (PP); pela segunda semana, vereadores ficam sem espaço para fala durante a sessão

Publicado em: 07/10/2025 às 18h:22 Última atualização: 07/10/2025 às 18h:23
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A sessão ordinária da Câmara de Vereadores de Sapiranga, realizada nesta terça-feira (7), foi marcada por protestos do público, plenário lotado e, pela segunda semana consecutiva, pela ausência de espaço para manifestações dos parlamentares. O encontro também registrou o retorno do vice-presidente do Legislativo, Tiago de Moraes (PP), ao cargo.

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Manifestantes lotaram o plenário | abc+



Manifestantes lotaram o plenário

Foto: Joceline Silveira/GES-Especial

O parlamentar havia sido afastado por 90 dias, em 30 de setembro, por decisão judicial que atendeu a um pedido do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) em ação de improbidade administrativa relacionada a um suposto esquema de rachadinha em seu gabinete.

Sessão marcou o retorno do vice-presidente, Tiago de Moraes (PP) | abc+



Sessão marcou o retorno do vice-presidente, Tiago de Moraes (PP)

Foto: Joceline Silveira/GES-Especial

Na última segunda-feira (6), o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS) concedeu liminar que autorizou o vereador a retomar o mandato. Durante a sessão, Moraes permaneceu em silêncio e foi alvo de vaias do público presente no plenário.

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Sem espaço para fala e sob protestos

A indignação do público que acompanha a sessão no plenário aumentou quando os vereadores decidiram repetir a medida adotada na semana anterior, suprimindo o grande expediente e o período de explicações pessoais — momentos destinados às manifestações em plenário.

A proposta foi aprovada por sete votos a três. A presidente Olívia Steigleder (PP), conforme o regimento, não vota. A decisão provocou forte reação do público, que respondeu com vaias e gritos de “rachadinha” e “vergonha”.

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Entre os vereadores contrários à supressão do tempo de fala, Egon Kirchheim (PCdoB) defendeu o direito ao debate. “Eu não tenho problema com a comunidade, eu quero falar, o parlamento é para ‘parlar’ não é para se esconder. Por isso eu voto contrário a esse pedido pra que a gente possa, pelo menos botar pra fora aquilo que está aguardo e aquilo que a comunidade quer ouvir”

A vereadora Greici Medina (Cidadania) também criticou a decisão: “Mais uma vez suprimem o grande expediente e o espaço das manifestações pessoais. Isso envergonha a imagem da Casa Legislativa. Todos fomos eleitos da mesma forma e temos os mesmos direitos aqui dentro.”

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Já Mirco Coronetti (MDB), que havia votado a favor da medida na semana anterior, mudou de posição nesta terça. “Na semana passada votei a favor porque falariam de um vereador ausente, e é ruim falar de alguém que não pode se defender. Mas hoje todos estão aqui. Então, voto contra.”

Presença de vereador também gerou dúvidas 

Outro ponto que gerou questionamentos foi a presença do vereador Marconi Ebert (PL) na sessão. A Justiça Eleitoral determinou, no fim de julho, a cassação do diploma do parlamentar reeleito em 2024 por abuso de poder econômico e compra de votos, atendendo a um pedido do Ministério Público Eleitoral (MPE) em ação de investigação judicial eleitoral (AIJE).

 Presença do vereador Marconi Ebert (PL) também foi questionada pelo público que acompanhava a sessão | abc+



Presença do vereador Marconi Ebert (PL) também foi questionada pelo público que acompanhava a sessão

Foto: Joceline Silveira/GES-Especial

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A decisão também o tornou inelegível por oito anos, a partir das eleições de 2024, e anulou os votos recebidos, determinando o recálculo dos quocientes eleitoral e partidário.

Nas redes sociais, Marconi Ebert afirmou que a decisão é de primeira instância e que segue recorrendo. “Eu não fui cassado. Perdi em primeira instância e recorri. A gente sabe que qualquer decisão só tem efeito depois de transitada em julgado. Por isso, não muda nada”, declarou o parlamentar.

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O servidor público Deoclécio Grippa levou cartazes para a sessão plenária | abc+



O servidor público Deoclécio Grippa levou cartazes para a sessão plenária

Foto: Joceline Silveira/GES-Especial

Entre o público que acompanhava a sessão, o sentimento era de indignação. O servidor público Deoclécio Grippa expressou frustração com a presença de vereadores investigados e cassados no plenário.

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“A população está indignada. Os vereadores cassados permanecem na Câmara, e a gente tinha que sair. Por bem menos já tiraram gente daqui, por coisas bem mais simples. O senhor acha que esse não é o sentimento do morador de Sapiranga? É sim. É vergonhoso, o povo está com vergonha. Nossa cidade só se vê envolvida nisso. Essa é a verdade”, disse.

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Procurado pela reportagem, o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) não retornou até o fechamento desta edição.

Questionada sobre o assunto, a assessoria da Câmara de Vereadores limitou-se a informar, por nota. “Não estou sabendo. Temos sessão logo mais e tudo normal.”

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