A trajetória de Jacobina Maurer, líder da Revolta dos Mucker, pode ganhar reconhecimento oficial como patrimônio cultural e histórico do Rio Grande do Sul. O deputado estadual Issur Koch (PP) protocolou o Projeto de Lei nº 81/2025, que propõe declarar “Os Caminhos de Jacobina” — percurso ligado ao movimento ocorrido no século XIX, em Sapiranga– como relevante interesse cultural e histórico do Estado.

Foto: Paola Altneter/GES-Especial
Jacobina, figura central da revolta, liderou centenas de seguidores em um dos episódios mais controversos da história gaúcha, marcado por conflitos religiosos e sociais entre imigrantes alemães e autoridades locais. O trajeto hoje conhecido como “Caminhos de Jacobina” remonta aos deslocamentos feitos por ela e seus seguidores durante o levante, especialmente na região da Linha Ferrabraz.
A proposta pretende não apenas preservar essa memória, mas também incentivar pesquisas, turismo histórico e ações culturais que reforcem a importância do episódio na formação da identidade gaúcha.
Segundo Issur, o reconhecimento estadual complementa o trabalho já realizado pela Prefeitura de Sapiranga, que tombou o trajeto como patrimônio material e imaterial do município. “Preservar essa história é garantir que as próximas gerações compreendam o papel das comunidades de imigrantes na construção do nosso Estado”, afirmou o parlamentar.
O projeto ainda prevê que o Executivo estadual possa firmar parcerias com entidades públicas e privadas para ações de preservação, divulgação e incentivo ao turismo cultural.
A líder e a revolta
Jacobina Maurer tornou-se símbolo da resistência de um grupo religioso perseguido no século XIX. A Revolta dos Mucker, que liderou, culminou em confrontos violentos e um massacre na região da Linha Ferrabraz, que hoje compreende áreas dos municípios de Sapiranga, Campo Bom e Novo Hamburgo.