abc+

VÍDEO: Deputados criticam burocracia na reconstrução após enchentes no Rio Grande do Sul

Encontro da Comissão Externa da Câmara dos Deputados sobre os Danos Causados pelas Enchentes no Rio Grande do Sul ocorreu nesta segunda-feira em Novo Hamburgo

Publicado em: 13/07/2026 às 18h:35 Última atualização: 13/07/2026 às 18h:35
Publicidade

A Comissão Externa da Câmara dos Deputados sobre os Danos Causados pelas Enchentes no Rio Grande do Sul promoveu, nesta segunda-feira (13), o seminário “Proteção contra Enchentes e Retomada Econômica da Região do Vale do Sinos“.

Publicidade

ENTRE NO NOSSO CANAL NO WHATSAPP

Encontro da Comissão Externa da Câmara dos Deputados sobre os Danos Causados pelas Enchentes no Rio Grande do Sul em Novo Hamburgo | abc+



Encontro da Comissão Externa da Câmara dos Deputados sobre os Danos Causados pelas Enchentes no Rio Grande do Sul em Novo Hamburgo

Foto: Paola Altneter/GES-Especial

No encontro, deputados, autoridades e representantes de entidades debateram os impactos que as enchentes de 2024 ainda provocam na região, os desafios da reconstrução da infraestrutura e da retomada econômica e as estratégias para fortalecer o desenvolvimento do Vale do Sinos.

De acordo com o secretário extraordinário para Apoio à Reconstrução do Rio Grande do Sul, Ramon de Jesus, ao todo, o Estado recebeu R$ 112 bilhões para as obras de reconstrução e recuperação da região metropolitana. “Foram R$ 6,5 bilhões para a recuperação dos diques e construção de diques na região metropolitana, fundo que hoje está em torno de R$ 7,6 bilhões”, diz.

O Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs), criado para gerir os recursos financeiros destinados à reconstrução e resiliência das regiões afetadas pelas cheias, vai somar cerca de R$ 24 bilhões, segundo o secretário. Porém, a burocracia para acesso aos recursos foi um dos pontos de crítica levantados pelos deputados.

Publicidade

Em relação à Compra Assistida, 13.841 unidades habitacionais foram entregues no Estado e outras 13 mil estão sendo construídas por meio de empreendimentos, conforme Ramon de Jesus. No Vale dos Sinos, 6.702 residências foram aprovadas, 2.499 foram entregues e 4.709 foram contratadas. Em Novo Hamburgo, 542 foram aprovadas, 212 entregues e 600 contratadas.

Diques

O deputado federal e relator da Comissão, Pompeo de Mattos (PDT-RS), relembrou episódios climáticos recentes e os desafios para evoluir no cenário de proteção contra as cheias. “Nós enfrentamos uma enchente em 2023 e parece que não aprendemos”, diz.

O deputado menciona que, entre 2023 e 2024, praticamente nenhuma obra foi realizada. “Agora estamos em 2026, no prenúncio de uma nova enchente, e foi feito muito pouco no sentido de mitigar e de proteger as nossas cidades, economia, empresas e casas”, afirma.

Publicidade

CONFIRA: Tudo Fácil em Novo Hamburgo: Agência vai acelerar a emissão da nova carteira de identidade

Elencado como fundamental no processo de proteção das regiões, Mattos citou a situação dos diques durante o seminário. “Não tem dique no Vale do Taquari e no Vale do Caí. Os diques do Vale dos Sinos, bem aquém, tanto é que o dique de Novo Hamburgo e São Leopoldo precisam ser melhorados. O dique de Canoas, em parte, está andando. Em parte, está sendo só projetado. O dique de Eldorado nem saiu do papel. O dique que protege o Aeroporto Salgado Filho não foi feito e, se essa nova enchente, que se prenuncia ainda para este ano, chegar nos moldes que se prevê, nós vamos perder o aeroporto. Isso significa um prejuízo de mais de R$1 bilhão”, relata. “Nós estamos perdendo para a ‘burocracia’. Errar é humano, mas permanecer no erro é burrice. E o pior: não falta dinheiro, falta projeto”, completa.

Publicidade

Economia

O deputado federal Marcel van Hattem (Novo-RS) declara que o primeiro ponto da reconstrução e retomada econômica é garantir que o que aconteceu não se repita. “Para isso, nós precisamos de obras, porque um investimento só é feito em um município quando o empreendedor que vem trazer um investimento novo ou aquele que está ampliando ou recuperando o seu sabe que não vai perder tudo da noite para o dia”, diz.

A burocracia se torna o principal entrave neste cenário, conforme van Hattem. “É muito importante a gente focar nas obras que estão faltando, o dinheiro que deveria vir e os prazos que são muito longos. Já tem dinheiro em caixa para fazer as obras. A gente entende que tem prazo para aprovação de projeto, mas três anos é demais”, afirma, referindo-se a projetos de proteção às enchentes de Novo Hamburgo e Eldorado do Sul. 

O deputado afirmou que a Comissão vai atuar para reduzir os prazos e acelerar as obras de proteção contra as cheias. Além disso, a falta de representantes do Governo do Estado também foi alvo de críticas dos deputados.

Publicidade

Encaminhamentos

O encontro da Comissão Externa da Câmara dos Deputados sobre os Danos Causados pelas Enchentes no Rio Grande do Sul em Novo Hamburgo não é o primeiro. O seminário visa debater e acompanhar o cenário de reconstrução do Estado.

De acordo com o deputado estadual Felipe Camozzato (Novo), nas reuniões são realizados diagnósticos, acompanhamento dos cronogramas e enumeração das prioridades para a região, de acordo com os prefeitos e lideranças.

Publicidade

LEIA MAIS: “Chuva volumosa e excessiva”: Onda de tempestades associada ao El Niño vai impactar o Sul do Brasil por pelo menos 5 dias; saiba a partir de quando

“Hoje nós vimos que, em relação a Novo Hamburgo, há sim uma demanda para que o Estado possa olhar com mais atenção para os projetos, que não foram feitos por parte do Estado, mas sim do município. Que a gente possa acelerar essas obras, assim como na região do Vale dos Sinos, porque isso também é demanda de outros municípios. Algumas semanas atrás, em Eldorado do Sul, nós vimos a Prefeitura conseguindo, após o seminário, mexer nos prazos junto à Secretaria de Reconstrução e reduzir de maneira significativa os prazos de projeto e execução, e queremos colocar essa mesma pressão a partir desta reunião “, sustenta.

Publicidade

Estratégias em Novo Hamburgo

De acordo com o prefeito Gustavo Finck (PP), o município não esperou até 2029 — prazo do governo do Estado para apresentação dos projetos — e mostrou a proposta no primeiro semestre deste ano. “Um projeto bem ampliado de toda a contenção de cheias do município de Novo Hamburgo, desde a divisa de Campo Bom até São Leopoldo, orçado em torno de R$ 800 milhões, solicitando recursos [para] que a gente consiga ter esse projeto executivo”, esclarece. “A gente pede a celeridade desses projetos, porque a gente não pode esperar 2029 para ter os projetos e 2032 para ter as obras”, afirma.

A proposta em questão contempla o alteamento do dique da Santo Afonso com a nova cota de coroamento (10 metros), estruturação de um dique novo de Campo Bom até a Vila Kroeff, que será interligado ao dique já existente, e construção de seis casas de bombas, de acordo com o prefeito.

Veja o vídeo

Seminário discute estratégias para evitar enchentes no Vale do Sinos
Publicidade