A ressaca do mar no litoral norte, em especial nas praias de Tramandaí e Imbé, segue forte nesta segunda-feira (5). A força da água em direção à beira-mar teve início ainda na madrugada de domingo, após um final de semana de instabilidade no litoral.
Desde então, o cenário vem impressionando quem permanece na região e exigindo mobilização constante das secretarias de Obras dos municípios mais afetados. [Veja o vídeo no final da matéria]
Na manhã desta segunda-feira, o avanço do mar seguia chamando a atenção, com a água ultrapassando a linha das guaritas de salva-vidas e avançando em direção à faixa de areia.
Em Tramandaí, os danos foram mais expressivos, especialmente nos quiosques instalados próximos ao mar, atingidos diretamente pela força da água. Moradora de Campo Bom e veranista frequente em Tramandaí, a supervisora escolar Juliana von Scharten Pereira, de 68 anos, disse nunca ter presenciado uma situação semelhante.
“Conheço bem a realidade daqui e nunca tinha visto algo assim. Fiquei bem apavorada com o que eu vi, principalmente na Barra. A água avançou muito, a passagem está difícil, a gente acaba caminhando dentro da água. Não tem ninguém sentado na beira-mar, porque não dá. As pessoas ficam mais para cima, nos combros de areia, ou então na avenida”, relata.
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De acordo com a prefeitura de Tramandaí, pelo menos seis quiosques sofreram danos em razão da ressaca. Em uma ação conjunta, proprietários e poder público amarraram algumas estruturas para evitar que fossem levadas pela água.
Um dos quiosques mais atingidos fica nas proximidades da Avenida da Igreja e teve os pilares arrancados pela força do mar. Para evitar o colapso total da estrutura, equipes da Secretaria de Obras realizaram um trabalho emergencial de contenção, com a colocação de uma barreira de areia no entorno do local. A mesma medida foi adotada em outros quiosques que também correm risco.
Desde domingo, a Secretaria de Obras de Tramandaí atua de forma contínua para conter o avanço da água, minimizar os danos e evitar transtornos maiores. Escavadeiras e caminhões caçamba estão sendo utilizados na retirada de entulhos, na movimentação de areia e na recomposição da faixa atingida.
Entre os comerciantes afetados, a preocupação agora é com a reconstrução. O empresário Tiago Ferreira, 38, dono de um dos quiosques mais danificados, afirmou que a ressaca surpreendeu. “Normalmente a gente se prepara para ressaca mais perto de fevereiro, e dessa vez veio antes”, disse.
“O desgaste não é só financeiro, é psicológico também. A gente fica apreensivo, sem saber até onde o mar pode avançar. Já vimos quiosques sendo levados recentemente”, comenta. Segundo ele, a parte externa e a fixação da estrutura foram danificadas. “Agora é esperar o mar baixar para começar a reconstrução”, completou.
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Como ficou em Imbé
Em Imbé, os transtornos foram considerados menores em comparação a Tramandaí. Na área central do município, os quiosques ficam fora da faixa de areia, o que evitou danos maiores. No entanto, nos balneários mais afastados, como Albatroz, houve registro de danos em ao menos um quiosque. Também foram identificados problemas em estruturas nos balneários de Mariluz.
Durante a madrugada, o avanço da água chegou próximo à rua em alguns desses trechos, onde não há barreiras de proteção naturais ou artificiais. Ainda em Imbé, a prefeitura informou o registro de um ponto de erosão na Interpraias, entre Imara e Atlântida Sul.
Apesar do cenário provocado pela ressaca, o dia de sol e tempo ameno levou muitos veranistas a buscarem alternativas para aproveitar a praia. Em Tramandaí, o calçadão da Avenida Beira-Mar se transformou no principal ponto de movimento, com pessoas praticando atividades físicas logo cedo, substituindo a tradicional caminhada na areia.
Outros aproveitaram o espaço para andar de skate, patins ou patinetes. Mesmo com a recomendação do Corpo de Bombeiros para evitar a entrada no mar, muitos visitantes decidiram permanecer próximos à praia e ocuparam uma pequena faixa de areia que não foi alcançada pela água, atrás das guaritas de salva-vidas, e até mesmo áreas mais altas das dunas, onde instalaram guarda-sóis.
O industriário Ivan José Dias, 51, é de Sapiranga e chegou a Tramandaí nesta segunda-feira acompanhado da esposa, a professora Luana de Matos Dias, de 32 anos, dos filhos Lauana, de 12, e Lucca, de 5 anos, além de um casal de amigos de Campo Bom.
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Mesmo diante da ressaca, o grupo decidiu aproveitar o dia. “Chegamos cedo e estava pior. Agora já melhorou um pouco e esperamos que continue assim. Isso não impede de vir para a praia. Quem vem, vem para aproveitar, não importa se tem mais ou menos areia. O importante é estar aqui”, afirma. O grupo deve permanecer no litoral até sexta-feira, na expectativa de que o mar recue nos próximos dias.
Outro veranista que está com a família instalado nas dunas é o empresário André Rodrigues Vieira, 49 anos, de Estrela, no Vale do Taquari. Segundo ele, vir para a praia e ficar trancado no hotel não compensa. “Tem que aproveitar, trazer a família e fazer festa igual, com água, sem água, com ressaca, sem ressaca, vamos ficar o dia inteiro aqui (beira-mar) e aproveitar”, disse.
Veira conta que a família conseguiu aproveitar os dias de “mar caribenho” também. “A gente veio segunda, pegamos uns dias bons de praia, com mar limpo”, conclui.