Foi divulgado nesta segunda-feria (9) um documento com o posicionamento da Associação Comercial, Industrial e de Serviços (ACI) de Novo Hamburgo, Campo Bom, Estância Velha, Dois Irmãos e Ivoti, relacionado ao Projeto de Concessão do Bloco 1 Rodovias. A posição é contrária ao atual modelo, apresentado em outubro de 2025 pelo governo do Estado.
O parecer foi reforçado a partir do debate realizado na última quinta-feira (5) na sede da ACI. O encontro contou com a presença dos deputados estaduais, Delegado Rodrigo Zucco (Republicanos), Felipe Camozzato (Novo) e Joel Wilhelm (PP), além de empresários, representantes de entidades de classe e universidades.

Foto: Juliano Piasentin/GES-Especial
“O encontro evidenciou, de forma consistente, os impactos econômicos, sociais e logísticos que o projeto, em seu formato atual, pode causar às regiões abrangidas”, afirma o presidente Robinson Klein. No total, foram destacados cinco pontos principais ao projeto.
O primeiro tópico faz referência ao que a entidade chama de falta de transparência e aprofundamento técnico. “O modelo de concessão apresentado não detalha de forma clara os critérios de composição tarifária, os investimentos previstos e os retornos esperados, limitando a análise técnica e o debate público qualificado”, diz trecho do documento.
A ACI destaca que há necessidade de avaliação de alternativas com menor impacto econômico ao usuário das rodovias, já que na proposta estão previstas 23 póticos de cobrança no estilo free flow. Os locais serão divididos entre as nove estradas que compõe o bloco: RS-010, RS-020, RS-040, RS-115, RS-118, RS-235, RS-239, RS-466 e RS-474.
O impacto financeiro é evidenciado no segundo tópico, sendo considerado desproporcional pela entidade. “As tarifas projetadas tendem a elevar significativamente os custos de deslocamento e logística, penalizando diretamente a população e o setor produtivo, com reflexos negativos na economia regional.”
Obras na pauta
Já o terceiro ponto aborda as obras previstas. Conforme a ACI, as intervenções não atendem as demandas prioritárias da região, como viadutos. A crítica é contestada pela Secretaria da Reconstrução Gaúcha (Serg), que afirma possuir no projeto alternativas que oferecem segurança e modernidade viária.
Outra questão abordada pela entidade diz respeito às especificidades regionais da região de abrangência do Bloco 1. “[As regiões] possuem características econômicas, sociais e logísticas distintas, que exigem um modelo mais equilibrado, justo e aderente à realidade local.”
Por fim, a ACI defende o diálogo e a revisão do modelo. Mudanças serão divulgadas pelo Estado ainda em fevereiro, de acordo com o governador Eduardo Leite (PSD). O mandatário admitiu que os valores por quilômetro rodado, atualmente estimado em R$ 0,21, serão reduzidos. Locais estipulados para receber pórticos free flow também podem ser alterados.
Entidades voltam a se reunir no dia 25 de fevereiro na sede do Setcergs em Porto Alegre. O fórum é promovido pelo Sindicato e pela Federasul. O lançamento do edital do Bloco 1 está previsto para março.
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