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Problema recorrente

Alagamentos expõem drenagens ineficientes e prefeituras são desafiadas a encontrar soluções contra fortes chuvas

Chuvas intensas voltam a causar transtornos no Vale do Sinos e municípios admitem limitações e prometem medidas estruturais

Dário Gonçalves
Publicado em: 18/02/2026 às 17h:46 Última atualização: 18/02/2026 às 21h:06
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A sequência de chuvas dos últimos dias voltou a expor um problema que tem se repetido a cada chuva forte em cidades do Vale do Sinos: ruas alagadas, água invadindo casas e moradores contabilizando prejuízos. O cenário foi registrado ao menos em Novo Hamburgo, São Leopoldo, Estância Velha e Sapiranga, e reacende o debate sobre a eficiência da drenagem urbana e a capacidade das prefeituras de responder a eventos cada vez mais intensos e frequentes.

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Loteamento enviou funcionários para fazer a limpeza de casas atingidas | abc+



Loteamento enviou funcionários para fazer a limpeza de casas atingidas

Foto: Dário Gonçalves/GES-Especial

A proposta agora, segundo gestores municipais, é revisar prioridades, ampliar investimentos e buscar soluções estruturais. Mas os episódios recentes mostram que o desafio é recorrente, principalmente nos últimos anos, desde as enchentes de 2023 e 2024.

Finck fala em dificuldades de escoamento em áreas baixas

Em Novo Hamburgo, alagamentos foram registrados no domingo (15) e voltaram a ocorrer na terça-feira (17), em diferentes pontos da cidade. Em alguns casos houve transbordamento de arroios; em outros, o acúmulo ocorreu pela incapacidade de escoamento da água da chuva.

Durante esclarecimentos na Câmara nesta quarta-feira (18), o prefeito Gustavo Finck reconheceu dificuldades estruturais, especialmente em bairros como Santo Afonso, Industrial e Liberdade, que estariam em áreas de “cota zero”, sem declividade suficiente para que a água escoe até a casa de bombas. “Temos alagamentos pontuais que precisam ser resolvidos”, disse.

Finck afirmou que uma reunião com a Defesa Civil e engenheiros da Prefeitura está marcada para sexta-feira (20) para elaboração de um plano mais eficiente e admitiu que, se necessário, poderá remanejar recursos previstos para asfaltamento e destiná-los à drenagem.

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“Se for necessário, vamos tirar dinheiro do asfalto para colocar na drenagem da nossa cidade. O asfalto está precário, estamos a rua Montevidéu. Queremos deixar ela totalmente reformada porque ela é muito importante não só para o bairro Santo Afonso, mas também para a drenagem da nossa cidade”, declarou.

Necessidade de remover famílias

Gustavo Finck (PP) na sessão desta quarta-feira (18) na Câmara de Vereadores | abc+



Gustavo Finck (PP) na sessão desta quarta-feira (18) na Câmara de Vereadores

Foto: Juliano Piasentin/GES-Especial

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O prefeito também mencionou a necessidade de intervenções em arroios como Wiesenthal e Pampa, além de limpeza no Arroio Gauchinho. “Temos grandes problemas que estamos resolvendo com o Boulevard Germânia, onde muita terra está descendo para o Gauchinho. Tem mais de 200 famílias às margens do arroio, que precisam ser removidas para fazermos uma limpeza como fizemos no Arroio da Boa Saúde e não teve mais problemas.”

Finck também destacou a necessidade de intervenções em outros bairros. “No Kephas, temos áreas invadidas, mas temos que trazer tranquilidade também para essas pessoas, assim como na Vila Esmeralda. É necessário fazer uma drenagem eficiente em toda a cidade. O Governo do Estado tem nos ajudado. Então tem muitas demandas que temos que fazer”, concluiu.

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Canudos, Industrial e Boa Saúde entre os mais afetados

Em nota, a Prefeitura, por meio da Defesa Civil e da Secretaria Municipal de Obras Públicas e Infraestrutura (SMOPI), informou que as ações recentes de limpeza e manutenção já apresentam resultados, com redução nos pontos suscetíveis a alagamentos.

No bairro Canudos, especialmente nas localidades Getúlio Vargas e Kipling, o município afirma que houve diminuição nos índices após intervenções como limpeza da rede pluvial e ampliação da vazão após a Avenida dos Municípios. No bairro Industrial, também teria sido registrada redução, embora o descarte irregular de lixo ainda comprometa o funcionamento da drenagem.

Já no bairro Boa Saúde, os alagamentos estariam associados principalmente ao Arroio Cerquinha e à proximidade de residências com o leito, o que favorece represamento em eventos mais severos.

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Durante o último episódio de chuva, a Defesa Civil registrou 39 milímetros em 35 minutos, com maior concentração nos primeiros 15 minutos. Segundo a Prefeitura, mesmo com o volume expressivo em curto intervalo, os alagamentos foram pontuais e de rápida dissipação.

A administração municipal afirma manter mapeamento permanente das áreas mais afetadas e prevê novos trabalhos na Rua Bento Gonçalves com a Rua Alberto Torres, no bairro Pátria Nova, e na Rua Minuano, no bairro Liberdade. Também destaca ações contínuas de desassoreamento de arroios, limpeza de valas e hidrojateamento da rede pluvial.

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Lama invade casas em Estância Velha

Estância Velha também registrou transtornos significativos com a chuva de terça-feira (17). Na Rua Ereda Weber, no bairro União, a família de Tatiane Lima Closs, 36 anos, viveu horas de apreensão ao saber que a casa havia sido invadida por uma enxurrada de água e lama.

Ela, o marido Altair Fraga, 43, e a filha Giovana Closs Fraga, 15, estavam fora da cidade durante o feriadão e retornariam apenas nesta quarta-feira (18). A volta precisou ser antecipada após vizinhos avisarem que a água havia descido com força de uma área onde está sendo aberto um novo loteamento nas proximidades.

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Ao chegar, encontraram o primeiro andar da residência tomado por cerca de 20 centímetros de lama. O cenário, na tarde de quarta-feira, ainda era de sujeira espalhada por todos os cômodos, com móveis atingidos e prejuízos materiais. Funcionários contratados pelo loteamento realizavam a limpeza da residência com lava-jatos.

“Foi a primeira vez que isso aconteceu dessa forma. As outras duas vezes, em junho e novembro de 2023, a prefeitura veio, fez drenagens e resolveu o problema. Agora, aconteceu isso vindo toda essa lama”, relata Tatiane.

Na casa em frente, segundo ela, a situação foi ainda mais grave. “A água e a lama passaram por dentro e eles perderam praticamente tudo.” Diante das condições do imóvel, a família precisou procurar abrigo. “Tivemos que passar a noite na casa de um amigo, mas não conseguimos dormir”, conta. Nesta quarta-feira, Tatiane registrou boletim de ocorrência para formalizar os danos e buscar ressarcimento.

Prefeitura cobra obras de contenção

A Prefeitura informou que ainda na terça-feira acionou a empresa responsável pelo condomínio. O empreendedor e o técnico da obra estiveram no local e duas famílias atingidas estão sendo transferidas para imóveis locados pelo empreendedor, que também providencia limpeza e reparos.

A administração municipal informou ainda que acompanhará as ações e solicitará obras no empreendimento para evitar novos episódios. Equipes também iniciaram limpeza das vias públicas e desobstrução da rede pluvial.

Conforme a Prefeitura, acima da rua teriam se formado duas espécies de bacias de retenção improvisadas pela própria chuva, que acumularam grande volume de água e acabaram transbordando, causando danos de forma pontual.



A Defesa Civil registrou precipitação de 35 milímetros em menos de uma hora no Centro, 20 milímetros no bairro Campo Grande e 33 milímetros no Rincão dos Ilhéus. Segundo o município, após cessar a chuva, a água costuma escoar normalmente pela rede.

São Leopoldo faz limpeza das bocas de lobo após temporal

Um dia após o temporal que provocou estragos em São Leopoldo, a Prefeitura trabalhou realizando a limpeza de bocas de lobos nos bairro mais atingidos. Na terça-feira (17), caíram aproximadamente 40 milímetros de água, em apenas 45 minutos, causando transtornos, alagamentos, quedas de postes e falta de energia.

De acordo com o secretário de Mobilidade e Obras de São Leopoldo, Tarzan Corrêa, ao longo da quarta-feira (18), a pasta trabalhou na limpeza das bocas de lobos nos bairros mais atingidos, sendo eles Rio Branco, Vicentina e Santos Dumont, incluindo o loteamento Bom Fim e a Vila Brás. “Trabalhamos também na Vila Paim (Vicentina) e na Vila Progresso (Rio dos Sinos), e semana que vem vamos limpar na Feitoria. Na região da Avenida Mauá, teve problemas com as bombas.”

Corrêa explicou que durante à enchente de 2024, as bocas de lobo ficaram 30 dias debaixo de água o que causou um acúmulo de resíduos, fazendo com que a vazão ficasse menor. “Notamos que conforme chove forte, acaba alagando cada vez mais, mas estamos trabalhando para arrumar essa situação”.

Um dia após o temporal que provocou estragos em São Leopoldo, ocorrido na última terça-feira (17), a Prefeitura trabalhou realizando a limpeza de bocas de lobos nos bairro mais atingidos.  | abc+



Um dia após o temporal que provocou estragos em São Leopoldo, ocorrido na última terça-feira (17), a Prefeitura trabalhou realizando a limpeza de bocas de lobos nos bairro mais atingidos.

Foto: Prefeitura de São Leopoldo

Conforme o secretário, a pasta tem projetos estruturais que ainda não foram liberados pelo Estado e governo federal. “Só fomos liberados para realizar a limpeza dos arroios João Corrêa e Kruse. Se não fosse pela limpeza realizada no João Corrêa, a situação da chuva de terça-feira teria sido muito pior.”

Na manhã de quarta-feira, a Defesa Civil realizou a entrega de lonas (já foram distribuídas cerca de 1.000m²) e o levantamento dos locais com árvores caídas e ou vias obstruídas para dar andamento ao serviço. Também foram realizadas vistorias técnicas e atendimentos. Até ontem, não havia registro de desabrigados, desalojados, feridos ou óbitos.

Sapiranga: 62 milímetros em meia hora

Em Sapiranga, o volume foi ainda mais concentrado: 62 milímetros em pouco mais de 30 minutos. Os registros de alagamento ocorreram principalmente nos bairros Centro, Centenário e Amaral Ribeiro, além de pontos nas proximidades da Rua Antão de Farias, Avenida Mauá, Rua Santa Helena, Avenida 20 de Setembro e no viaduto do bairro São Luiz (RS-239).

Segundo a prefeitura, a rede de drenagem não comportou o volume intenso em curto espaço de tempo. Na segunda-feira (16), equipes da Secretaria de Obras atuaram na limpeza de vias e reparos em pontos de acúmulo de terra e folhas trazidos pela água. Técnicos da Secretaria de Planejamento fazem a visita em pontos críticos, para estudar melhorias na drenagem (medidas de urgência e também projetos mais complexos).

O município informou ter investido mais de R$ 8 milhões em drenagem e macrodrenagem desde junho de 2023, especialmente em pontos críticos, além de manter um trabalho permanente de limpeza e manutenção da rede pluvial. Por fim, a Prefeitura informou que conta com projetos aprovados junto ao Governo do Estado, que preveem novas intervenções estruturais, como a implantação de galerias e melhorias viárias, ampliando a capacidade de escoamento das águas.



Hidrojateamento e limpeza de bocas de lobo

Em Canoas, a drenagem e vazão das bocas de lobo ainda são insuficientes em alguns pontos considerados críticos na cidade. No fim de janeiro, a água da chuva invadiu pátios e casas em diversas ruas do bairro Niterói.

Segundo a Prefeitura de Canoas, as equipes técnicas da Secretaria Municipal de Defesa Civil atuam no monitoramento e na resposta a ocorrências climáticas registradas no município.

“As equipes são acionadas para avaliação da situação e adoção das medidas necessárias, com foco na segurança da população e na normalização das áreas afetadas. Em caso de ocorrências, a população pode acionar a Defesa Civil pelo telefone (51) 98255-0805 para atendimento e orientações”, afirma o secretário municipal da Defesa Civil, Vanderlei Marcos.

De acordo com o titular da pasta, a principal ação preventiva no município é o hidrojateamento e a limpeza de bocas de lobo.

 

*Colaboraram Eduardo ZanottiTais Forgearini.

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