Duas cidades da região estão entre os 19 municípios do Rio Grande do Sul que conquistaram o selo ouro na 2ª edição do Selo Nacional Compromisso com a Alfabetização, referente à avaliação de 2025.
Morro Reuter e Nova Santa Rita repetiram o desempenho da primeira edição e confirmaram, pelo segundo ano consecutivo, o compromisso com a alfabetização das crianças na idade certa.

Foto: Daniela Moraes/PMMR
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O reconhecimento é concedido pelo Ministério da Educação (MEC), dentro do Compromisso Nacional Criança Alfabetizada (CNCA).
Esta edição alcançou uma adesão expressiva dos entes federativos, com inscrição de 4.872 redes de ensino das 5.595 que participam do CNCA. Desse total, 4.728 redes foram certificadas com o Selo Nacional Compromisso com a Alfabetização (ouro, prata e bronze), o que representa 97% de êxito entre as redes participantes.
Um dado chama atenção ao observar o perfil das cidades que alcançaram o selo ouro no Rio Grande do Sul. Todas são consideradas cidades de pequeno porte, com economia fortemente ligada à agricultura.
Com exceção de Nova Santa Rita, que tem mais de 30 mil habitantes, Tapera, com pouco mais de 10 mil moradores, e Cristal, com cerca de 8 mil, todas as demais cidades não ultrapassam a marca de 5 mil habitantes.
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Além de Morro Reuter e Nova Santa Rita, a lista inclui municípios do interior como Boa Vista do Sul, Campestre da Serra, Chiapetta, Cristal, Derrubadas, Esperança do Sul, Itati, Nova Roma do Sul, Porto Lucena, Porto Mauá, Porto Vera Cruz, Quinze de Novembro, Saldanha Marinho, São Pedro das Missões, Tapera, Taquaruçu do Sul e Vista Alegre do Prata.
A coincidência no porte populacional, no entanto, não explica sozinha os resultados.
O que une essas cidades é o percentual alcançado nos indicadores de alfabetização, mostrando que tamanho não determina qualidade do ensino, mas sim planejamento, acompanhamento e compromisso com a aprendizagem.
Para Sônia Feldmann, secretária de Educação de Morro Reuter, o porte do município facilita a proximidade, mas não garante resultados por si só.
“Ser uma cidade pequena não é o segredo. O que faz a diferença é a intencionalidade das ações e o foco no direito de aprender de todos os estudantes”, analisa.
Morro Reuter: planejamento contínuo e responsabilidade compartilhada
Entre os municípios gaúchos, Morro Reuter se destaca no topo da lista. O município terminou a avaliação com 139 pontos, ocupando a terceira colocação no ranking estadual, empatado com Campestre da Serra.
Ficou atrás apenas de Esperança do Sul, com 142 pontos, e Derrubadas, com 141. Nenhum município gaúcho obteve a pontuação máxima, que é de 150 pontos.
Para a secretária municipal de Educação, que também é vice-prefeita, o resultado é reflexo de um trabalho construído ao longo do tempo.
Segundo Sônia, o “segredo” de Morro Reuter está no planejamento contínuo, no compromisso coletivo e na responsabilidade compartilhada que envolve estudantes, professores, gestores e toda a comunidade escolar.
A secretária destaca, ainda, que a conquista do selo ouro pelo segundo ano consecutivo não está ligada a uma ação isolada, mas a uma cultura educacional consolidada, baseada em formação continuada, acompanhamento das aprendizagens desde a Educação Infantil e uso de dados para orientar decisões pedagógicas.
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Entre as ações implementadas estão o investimento permanente na formação de professores e gestores, o monitoramento sistemático do processo de alfabetização, o trabalho colaborativo entre Secretaria de Educação, equipes diretivas e docentes e uma gestão educacional próxima das escolas.
Outro diferencial apontado pela secretária é o olhar integral para a criança, com ações de inclusão, trabalho multiprofissional e forte envolvimento das famílias.
“Alfabetizar vai além de ensinar a ler e escrever. É garantir acolhimento, equidade e oportunidades reais de aprendizagem”, ressalta.
Nova Santa Rita: avaliação constante e investimento direto na sala de aula
Se em Morro Reuter o destaque está na proximidade e no planejamento contínuo, em Nova Santa Rita o diferencial passa pela avaliação permanente da aprendizagem e pelo investimento direto na relação entre professor e aluno.
O município, o maior entre os 19 gaúchos com selo ouro, terminou a avaliação na 13ª colocação, com 126 pontos conquistados, mas repetiu o feito da primeira edição, garantindo o selo ouro pelo segundo ano consecutivo.

Foto: Secretaria de Educação
A secretária municipal de Educação, Margarete Ferretti, explica que o resultado é fruto de um conjunto de ações articuladas.
“Esse compromisso envolve um coletivo de ações. São várias práticas na rede que nos levam a conquistar o selo ouro”, afirma.
Entre os ações adotadas pelo município está o ditado mensal aplicado aos alunos do 1º e 2º ano, utilizado como ferramenta de avaliação diagnóstica.
“Esse ditado nos permite acompanhar o nível de alfabetização de toda a rede. A Secretaria faz esse acompanhamento mensalmente, identificando se a criança é pré-silábica, silábica ou já está lendo”, explica.
Com base nesses dados, a rede organiza intervenções pedagógicas, reforça práticas de leitura e desenvolve ações como o cantinho da leitura, além de valorizar as boas práticas dos professores.
“A gente expõe os trabalhos na Secretaria, valoriza os professores e empolga os alunos. Isso cria um movimento positivo dentro da rede”, pontua.
A secretária também destaca o uso responsável dos recursos federais, o registro sistemático das ações na plataforma do Ministério da Educação e os investimentos em estrutura.
“Temos formação continuada, alimentação de qualidade com produtos da agricultura familiar, uniforme, material escolar, transporte adequado e reformas permanentes nas escolas, tudo isso, sem dúvidas, favorece e fortalece o aprendizado”, opina.
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Outro desafio enfrentado por Nova Santa Rita é o crescimento populacional acelerado, por estar ligada à região metropolitana e colada em Porto Alegre.
“Todo dia chegam crianças de outras cidades, com diferentes culturas e vivências. Isso exige que a gente esteja sempre se reorganizando e dialogando com as famílias”, relata.
Mesmo diante desse cenário, o compromisso é manter o desempenho. “Atingir é importante, mas manter é o maior desafio. Por isso, seguimos em movimento o tempo todo. Não dá para entrar na zona de conforto”, explica.
As outras cidades da região figuram na lista, mas sem o mesmo destaque
Além do selo ouro, o Ministério da Educação também concede as categorias prata e bronze, reconhecendo avanços no processo de alfabetização.
No selo prata, o Rio Grande do Sul teve 118 municípios certificados, entre eles 15 cidades dos vales do Sinos, Caí, Paranhana, Serra e litoral: Bom Princípio, Canoas, Esteio, Gramado, Ivoti, Montenegro, Novo Hamburgo, Pareci Novo, Picada Café, Presidente Lucena, Santo Antônio da Patrulha, São Sebastião do Caí, Sapucaia do Sul, Taquara e Tramandaí.
Já no selo bronze, o estado aparece com 59 municípios, incluindo Cachoeirinha, Canela, Gravataí, Nova Petrópolis e Osório.
Por outro lado, cidades importantes da região, como Estância Velha, Dois Irmãos, São Leopoldo, Campo Bom e Sapiranga, não aparecem em nenhuma das categorias nesta edição.
O fato de os nomes destes municípios, com exceção de São Leopoldo que nunca se inscreveu no programa, sequer constarem na lista dos certificados chama a atenção já que na primeira edição do selo, em 2024, haviam conquistado o selo ouro.
Explicações de quem não se inscreveu
A prefeitura de Sapiranga explica que optou por não realizar a inscrição na 2ª edição do Selo de Alfabetização em razão de uma discordância da equipe pedagógica quanto à redução do indicador 4 para o nível 1 no critério “Criança Alfabetizada”.
“A equipe avaliou que essa redução não refletia adequadamente o trabalho pedagógico desenvolvido na rede municipal, o que motivou a realização de uma análise interna mais criteriosa e, de forma responsável, a decisão de não participar naquele momento”, diz nota enviada pela assessoria.
Entretanto, o município garante que vem fortalecendo suas ações na área da alfabetização por meio de investimentos contínuos em formação docente, projetos pedagógicos e acompanhamento das aprendizagens.
“Destacam-se a formação continuada dos professores alfabetizadores, a participação em iniciativas como o Projeto Alfabetiza Tchê, o lançamento da segunda Revista de Alfabetização, a criação do Projeto Avança Mais SAPI e a previsão do Fórum Municipal de Alfabetização em 2026, reafirmando o compromisso com a qualificação das práticas pedagógicas e a melhoria dos resultados educacionais”, diz a mesma nota.
A prefeitura de Estância Velha se limitou a dizer que em 2025, “após a análise dos critérios de avaliação optou por não participar desta edição do Selo”, sem apresentar os pontos que foram determinantes para a não inscrição do município.
“Ressaltamos, no entanto, que o município permanece como participante do Programa Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, reafirmando seu compromisso com a implementação de políticas públicas, ações formativas e práticas pedagógicas voltadas à garantia do direito à alfabetização das crianças”, diz a nota enviada.
A secretaria de Educação de Campo Bom explica que optou, nesta edição, por priorizar o fortalecimento interno das ações pedagógicas e de gestão da alfabetização, considerando o momento de reorganização da política educacional do município e a necessidade de consolidação de processos estruturantes antes da adesão à premiação.
“A não participação não representa ausência de ações ou de compromisso com a alfabetização”, diz nota encaminhada pela assessoria.
Para os próximos anos, Campo Bom diz que seguirá “empenhada em qualificar ainda mais os indicadores de aprendizagem, fortalecer os processos de gestão pedagógica e ampliar estratégias de acompanhamento das crianças, de modo a garantir o direito à alfabetização na idade certa”.
“Processos de alfabetização foram afetados pelo aumento da vulnerabilidade”, diz prefeitura de São Leopoldo
O município de São Leopoldo é um dos poucos da região que não consta como inscrito em nenhuma das duas edições do selo.
A prefeitura disse que a decisão se deve à priorização de ações emergenciais de recomposição das aprendizagens, necessárias diante dos impactos persistentes da pandemia e das enchentes na trajetória escolar dos estudantes.
“A rede municipal vem executando ações para qualificar a aprendizagem. Em 2025, realizamos avaliações diagnósticas nos 3º e 5º anos e, com a participação das escolas, elaboramos um documento coletivo com estratégias de intervenção para esses anos, cujos processos de alfabetização foram afetados pelo aumento da vulnerabilidade”, pontua a Secretaria, por meio de nota.
A administração diz, ainda, que prioriza “o engajamento docente em formações de alfabetização e letramentos, com a realização do Fórum Municipal de Alfabetização. Fortalecemos também as formações em ambientes virtuais e por meio do Programa Alfabetiza Tchê”.
A prefeitura de Dois Irmãos foi procurada, mas não retornou o contato até a publicação desta matéria.
O que é o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada
O Selo Nacional Compromisso com a Alfabetização é dividido em três categorias: bronze, prata e ouro. A categoria ouro está vinculada ao atingimento da meta do Indicador Criança Alfabetizada (ICA).
O objetivo é incentivar a implementação de políticas, programas, estratégias e práticas de gestão pública da educação, alinhadas às metas de alfabetização e à redução das desigualdades previstas no Plano Nacional de Educação (PNE) e no CNCA.
Já o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada é realizado em regime de colaboração entre a União, estados e municípios. A meta é garantir que 100% das crianças brasileiras estejam alfabetizadas ao final do 2º ano do ensino fundamental, conforme a Meta 5 do PNE.