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REGIÃO

Aula gratuita de defesa pessoal mobiliza mulheres no Vale do Sinos

Prefeitura de Sapucaia do Sul promove projeto que ensina técnica a qualquer mulher que deseje participar

Priscila Carvalho
Publicado em: 07/08/2025 às 11h:30 Última atualização: 07/08/2025 às 15h:34
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Desde a última semana, a Prefeitura de Sapucaia do Sul, em parceria com a Secretaria Municipal de Esporte e Lazer vem oferecendo aulas especiais de Defesa Pessoal Feminina, projeto gratuito e aberto a qualquer mulher que deseje participar.

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Titular da Secretaria de Esporte, Daniel Rosa destacou que a gestão já possui um trabalho de artes marciais na cidade, com o projeto Caminho dos Campeões, oferecido no Ginásio Kurashiki, de segunda a sexta-feira, com judô, jiu-jitsu, muay thai, boxe e boxe pra melhor idade, para homens, mulheres e crianças no contraturno escolar.

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Gatilho

O caso do ex-jogador de basquete que espancou a namorada dentro de um elevador no Rio Grande do Norte, porém, motivou a aula especial para mulheres. “Aquilo realmente foi o gatilho. Sou professor de Educação Física e de Arte Marciais, fui atleta, e quando nós vimos aquilo, pensamos que não poderíamos ficar de braços cruzados”, disse o secretário. Surgiu, então, a ideia de oferecer as aulas nos núcleos de ginástica feminina na cidade, feitos nas comunidades e onde qualquer mulher pode participar.

Com isso, as ações vêm sendo realizadas às terças e quintas-feiras, em algum núcleo da cidade, das
8h30 às 9h30 ou das 14h às 15h. “A gente vê na mídia divulgarem as agressões, mas pouco se vê sobre como se prevenir”, disse a professora de Ginástica Comunitária dos núcleos, Solange do Carmo Silva.

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Trabalho em cima da prevenção

As aulas são conduzidas pelo professor de Educação Física e mestre em Artes Marciais, Alexandre Carneiro. “O mais importante da Arte Marcial é a entendermos que a gente trabalha em cima da prevenção, de se precaver antes que o fato aconteça”, disse, destacando que depois que o fato acontece a vantagem se torna do agressor, na maior parte das vezes, pela força física do mesmo. “Vejo na Internet muita movimentação, muita gente mostrando movimentos, mas já pegando a situação depois que ela começa”, ponderou.

Por isso, o professor primeiro busca orientar as participantes em como elas podem proceder estando sozinhas numa situação com um agressor. Entre as dicas, está a de evitar chegar próximo, para escapar caso o agressor queira agarrar a vítima. “A gente procura orientar também que se busque ficar próximo a lugares amplos, lugares que tenham saída, para a vítima poder se livrar de uma situação e procurar ajuda”, reforçou.

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Nos casos de violências dentro de casa, Carneiro sugere ficar atenta aos sinais, porque normalmente o agressor ofende verbalmente a vítima primeiro e depois parte para a ofensa física. “Geralmente, a violência doméstica começa com uma discussão do casal, e quando ele vê que não causa mais efeito discutir, parte para uma ação física. E dessa ação física, infelizmente, se torna o que a gente tem visto muito por aí: os feminicídios”.

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Para os casos em que a agressão já iniciou, o professor também ensina as participantes a fazer movimentos que atinjam os pontos vitais dos agressores, como garganta e a genital, no caso do homem. “Existem pontos vitais que a gente pode fazer ações para evitar a agressão. Mas o importante é não deixar acontecer. Defesa pessoal é se defender antes que aconteça o fato”, enfatizou.

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Participantes destacam importância

Na terça-feira (5), a segunda edição do projeto contou com 48 mulheres, na sede do bairro Cohab. “Sempre é bom a gente saber algumas técnicas”, disse Célia de Oliveira Nunes, 51 anos, uma das participantes. Solange Almeida, 61, conta que aprendeu coisas que não sabia. “É muito importante pra nós mulheres, é fundamental”.

“Foi joia, muito legal mesmo”, opinou Fátima Benchinol, 72. A colega dela, Simone Valesca da Rosa, 56 anos, comenta que familiares já sofreram violência doméstica, e entende que as aulas são essenciais. “Para aprender a se defender, para quando chegar no momento tu saber o que fazer, até mesmo na rua.”

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