Uma desafiadora travessia pelo maior cânion do Sul do Brasil. Sete caminhantes entraram pela garganta do Fortaleza, em Cambará do Sul, para uma expedição que faz parte da série documental Aparados da Serra – Cânions do Brasil.
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Foto: André Constantin/Divulgação
O projeto, feito por uma produtora gaúcha, a Transe Arte e Conteúdo, conta com recursos da Lei Paulo Gustavo e é viabilizado através da Secretaria de Cultura do Estado e Ministério da Cultura. Conta, ainda, com autorização da gestão dos Parques Nacionais Aparados da Serra e Serra Geral (ICMBio – Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
A proposta inédita sobre a região dos cânions da Serra Geral está em produção desde o ano passado. A série terá 13 episódios, com lançamento ao público em fins de 2027, em canais do Brasil e exterior. Um extenso território está sendo documentado, em aspectos da natureza e da etnografia, nos campos de altitude, cânions e planícies costeiras do Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
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Há décadas, a descida por cânions como o Fortaleza e o Itaimbezinho, ícones da região dos Aparados da Serra, não é permitida pela gestão dos Parques Nacionais dos Aparados da Serra, exceto para pesquisas ou ações de reconhecimento. Com o tempo, antigas trilhas foram engolidas pela mata e deslizamentos.
E a natureza mutante do desfiladeiro exigiram intensa preparação da equipe. “Por dois dias, que resumiram semanas de preparação, em jornadas de 12 horas de trilhas, avançamos desde o vértice do Fortaleza, em Cambará do Sul, a 1.050 metros de altitude, até a abertura do cânion, em Jacinto Machado (SC), onde descortina-se a planície costeira de Santa Catarina”, relata o diretor da série, André Costantin.
“Avaliações de modelos de clima, técnicas de orientação, trekking e rapel foram conjugadas para as ações de captação de imagens por câmeras e drone, sem comprometer o ritmo da expedição. Dentro do cânion, cada um depende do outro, o tempo inteiro e a cada passo. Por isso, além de imagens, a travessia gera memórias, histórias e emoções que serão retratadas na série”, complementa Constantin.
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No grupo, sete caminhantes: além de Costantin, Daniel Herrera (produtor executivo e diretor de fotografia); os guias dos territórios Joarez Furlanetto (Jacinto Machado, SC), Flávio Getúlio Lima (Praia Grande, SC) e Michel Quadros Velho (Cambará do Sul, RS); e os apoios de orientação de Jean Finkler e Heitor Bianchi (Caxias do Sul, RS).
Outros locais
Na região dos Aparados da Serra, além do Fortaleza, a equipe da série vem registrando cânions e sítios como Itaimbezinho, Malacara, Josafaz, Índios Coroados, Amola Faca, Realengo e Monte Negro.
No Cânion Malacara, também no território de Cambará do Sul, a equipe acompanhou em março as incursões de um grupo que dá apoio à pesquisa de anfíbios raros, como o Melanophryniscus cambaraensis, um sapinho de barriga vermelha que traz no nome científico a origem endêmica de Cambará do Sul e só ocorre ali, nas cachoeiras escondidas.
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Os itinerários de pesquisa e gravação devem se estender aos picos de Santa Catarina, na região de Urubici e de Bom Jardim da Serra. A linguagem da série aborda a natureza e as culturas da região, em lugares e comunidades onde a palavra ancestral “perau” ainda é usada, ao invés de cânion.