Comemorado em 13 de julho, o Dia do Rock se tornou marcante pelo mundo devido a uma grande variedade de shows, entre outros eventos que exaltam esse estilo musical. Saindo do mainstream, retornando ao topo das plataformas musicais, do fundo das garagens ou nos grandes festivais, esse som vem ultrapassando gerações.
Surgindo no final dos anos 1940, o rock ‘n’ roll chega hoje em constante mudança e evolução através de seus subgêneros.

Foto: Bruna de Bem/GES-Especial
Região é berço do rock
O rock pode até não ser a música mais tocada nas últimas décadas, mas o surgimento de bandas novas dão a expectativa de que ele não chegue ao fim. Elas representam essa renovação, provando que o rock não morreu, mas está sendo reinventado a cada dia que passa.
A região do Vale do Sinos tem o rock em suas raízes, de onde surgem centenas de bandas em um cenário de frequentes festivais e diversas casas de shows que dão vida ao rock ‘n’ roll. Atualmente, bandas como a Marsalla, de Sapiranga, ajudam a movimentar essa cena, marcando presença em eventos e bares região afora.
“Estamos sempre renovando nosso repertório, incorporando coisas que nos representam, com renovação, mas mantendo nossas raízes”, explica a vocalista Ana Júlia. A Marsalla surgiu há sete anos e é formada por Gabriel Hoch (baixista), Deni Lutz (guitarrista) e Duda Voltz (baterista).
Deles, existe a vontade de fazer um som novo, com a musicalidade das origens, tendo bandas como AC/DC de referência, mas também o que há de mais atual no estilo, como Måneskin. “Nos mantemos na ativa nos adequando e criando novos públicos. Fico muito feliz quando vejo uma galera mais nova curtindo nosso show, sendo uma referência para quem está iniciando, minhas alunas principalmente, seguindo nesse caminho do rock ‘n’ roll”, explica a vocalista que também é professora de canto.
No Dia Mundial do Rock, eles lançam o novo single “Teu olhar me tem” nas plataformas que podem ser conferidas no Instagram @marsallarockband.
Tem punk rock em Campo Bom
De Campo Bom, a Kalifornia faz punk rock há mais de dez anos. Com um repertório autoral, a banda lançou um EP em 2016.
O “Não sabe o que faz” foi gravado no estúdio Hill Valley, mas também tiveram outros singles no decorrer dos anos. Eles começaram com a intenção de gravar, mas, depois de alguns shows, resolveram seguir pelos palcos da região.
“Percebemos que depois da pandemia diminuíram os espaços para tocar, mas, de certa forma ainda acontecem eventos que envolvem as bandas. Elas que se movimentam e criam uma cena, achando espaço e fazendo acontecer. O movimento existe e acontece em qualquer canto que tenha uma tomada e dê para plugar os equipamentos”, comenta o guitarrista Matheus Zorn, que toca ao lado de Vinícius Schütz (bateria), Diego Becker (baixo) e Charles Weiss-Rieger (vocal).
No próximo dia 9, a Kalifornia faz show na Casa Rosada, em Novo Hamburgo. Para conferir o som dos guris, basta entrar no Instagram @kaliforniabpr.
Renovação da cena
O momento é de transição de bandas antigas. Chegou a hora das clássicas se aposentarem. É o caso do Black Sabbath, que se despediu dos palcos no último dia 5, no megafestival Back to the Beginning, que rolou na Inglaterra.
A partir daí, podem surgir mudanças, expressões diferentes de novas bandas. É a renovação do ciclo. Pelo músico e produtor musical, Davi Pacote, diariamente passam novas bandas e pessoas engajadas em manter o rock vivo, mesmo que fora do mainstream.
“Ainda existem muitas bandas na ativa e empolgadas em produzir. Hoje com mais qualidade de composição, execução dos instrumentos devido ao acesso à informação para aprender a tocar, ouvir referências diferentes para se inspirar e criar suas músicas. Então, acima de tudo, acho que estamos no ápice da qualidade criativa do rock por aqui”, acredita.

Foto: Arquivo Pessoal
Pacote possui um trabalho mais identificado com a cena musical do punk e hardcore. No seu estúdio, o Hill Valley, de Porto Alegre, já estiveram várias das principais bandas nacionais e internacionais do gênero nas últimas duas décadas.
Sua história com a música começou depois de assistir a um clipe do Ramones na televisão. “Automaticamente vi que aquilo era a coisa mais legal do mundo e que queria fazer algo parecido”, afirma. Para ele, a renovação musical é importante, mas também a manutenção de um ambiente que proporcione que apreciadores de outras gerações possam se identificar.
“Tem lugares, como Curitiba, que acabam mantendo uma cena de shows lotados de gente já adulta que continua saindo pra assistir shows regularmente, bandas que continuam empolgadas pra tocar com dedicação. Isso é algo que infelizmente não vejo na mesma proporção por aqui”, comenta. O Instagram dele é @davipacote.
Pertencimento
A busca por músicas novas e a sede por mudanças fazem a renovação do rock. A sensação de pertencimento mostra que todos podem fazer parte disso, o que leva os mais jovens a seguirem acompanhando os shows. A rebeldia, uma característica atribuída ao gênero, talvez tenha ficado por conta de outros estilos, mas, de tempos em tempos o rock ainda aparece mais forte, às vezes ofuscado, mas podendo voltar em variadas proporções.
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