*Alerta: Esta reportagem aborda a violência contra a mulher. Se você é sensível ao tema, a matéria pode despertar gatilhos. Veja abaixo como denunciar.
A Justiça deu início ao processo criminal que apura o assassinato da jovem Ana Beatriz Fernandes da Rocha, de 20 anos, morta a facadas no início de abril em Parobé.
Na última terça-feira (28), o juiz Cléber do Amaral Schenkel, titular da 1ª Vara Judicial da Comarca local, aceitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público contra Gabriel de Freitas, de 32 anos.

Foto: Bruno Morais/GES-Especial
Com a decisão, o ex-companheiro da vítima passa oficialmente à condição de réu, respondendo por feminicídio qualificado sob circunstâncias que agravam a pena, como motivo torpe, meio cruel, dissimulação e emboscada.
VEJA TAMBÉM: Homens são flagrados ao furtar argila de dique em Novo Hamburgo
O crime, que chocou a comunidade do Vale do Paranhana, ocorreu no dia 7 de abril, por volta do meio-dia, no bairro Laranjeira.
Segundo a denúncia, Ana Beatriz, que era natural da Bahia, foi atraída até a residência onde morava com o acusado sob o pretexto de buscar pertences pessoais e resolver pendências financeiras após o término do relacionamento.
A acusação aponta que Gabriel se aproveitou da situação para surpreender e imobilizar a jovem, a atingindo com diversas facadas pelo corpo, o que caracterizou, para o Ministério Público, um ato de extrema crueldade que submeteu a vítima a um intenso sofrimento físico.
Na época do crime, o delegado responsável pelo inquérito chegou a indicar a premeditação do crime. “Segundo apurado, o suspeito estava com a ideia de ceifar a vítima há alguns dias, situação que se intensificou na noite anterior aos fatos. Além da faca utilizada, o suspeito teria deixado separada uma fita adesiva grossa para imobilizar as mãos da vítima”, afirmou à reportagem dias após o crime.
O relacionamento era instável, com idas e vindas e muitas desavenças. Apesar disso, não houve registros de boletim de ocorrência contra o suspeito por parte da vítima. O delegado
Fuga após o crime
Após o ataque fatal, o homem fugiu do local, mas foi localizado cerca de duas horas depois, em Glorinha.
Ao analisar os elementos apresentados pelo Ministério Público, o magistrado Cléber do Amaral Schenkel destacou a existência de justa causa para a abertura da ação penal, confirmando que todos os requisitos legais foram atendidos.
LEIA TAMBÉM: A vida após a enchente: dois anos depois, histórias revelam diferentes caminhos de recomeço no RS
A ação encontra-se na fase de citação do réu, etapa em que Gabriel de Freitas será formalmente notificado para que sua defesa apresente uma resposta escrita à acusação dentro do prazo legal.
Somente após essa etapa o Judiciário definirá o cronograma de audiências e a eventual pronúncia do acusado ao Tribunal do Júri.
A reportagem tenta localizar a defesa do réu. O espaço segue aberto para a manifestação.
Onde pedir ajuda em casos de violência contra a mulher
Brigada Militar – 190
Deve ser acionada imediatamente em situações de violência em andamento. Atendimento 24 horas em todo o Estado.
Polícia Civil
A vítima pode registrar ocorrência preferencialmente em uma Delegacia da Mulher ou em qualquer Delegacia de Polícia. Também é possível solicitar medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha.
Delegacia on-line
Permite o registro de ocorrência e a solicitação de medidas protetivas de urgência pela internet, sem necessidade de deslocamento.
Central de Atendimento à Mulher – Disque 180
Funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana. Recebe denúncias, orienta sobre direitos e encaminha para a rede de atendimento. A ligação pode ser anônima.
Ministério Público do Rio Grande do Sul
Atende vítimas em suas Promotorias de Justiça e oferece canais de atendimento virtual.
Defensoria Pública – 0800 644 5556
Presta orientação jurídica gratuita às vítimas.
Centros de Referência de Atendimento à Mulher
Oferecem acolhimento psicológico e social, além de orientação e encaminhamento jurídico.