Um tapete de 20 metros está nos últimos ajustes em Lindolfo Collor. A peça, confeccionada por quatro empresas que juntas representam boa parte da mão de obra do município, vai além da estética: é uma representação simbólica de um povo que mantém, há gerações, o trabalho quase artesanal na produção de tapetes em couro.
“Esse tapete de 20 metros não é apenas uma peça decorativa. Ele representa a história de Lindolfo Collor, as gerações que trabalham com o tapete, a economia do município e o sustento de várias famílias. É o nosso trabalho, a nossa identidade e a nossa história que ganham forma”, afirma a coordenadora de Cultura, Jessica Schmitz.
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Foto: Geison Concencia/GES-Especial
A dimensão da peça se torna compreensível quando se observa a importância do couro para a economia local. Segundo o prefeito, Gaspar Behne, a 11ª Feira do Tapete e Artefatos em Couro surge como reconhecimento a um setor que responde por cerca de 70% do Produto Interno Bruto (PIB) do município.
“A confecção desse tapete tem um valor que vai além do material. Quatro empresas se uniram e cada uma fez a sua parte. Isso revela o potencial da nossa cidade. A feira é um reconhecimento a toda essa cadeia produtiva”, destaca Behne.
Com pouco mais de seis mil habitantes, cerca de três mil pessoas trabalham no setor coureiro. O número, no entanto, poderia ser ainda maior. A demanda pelos tapetes e artefatos produzidos em Lindolfo Collor — que chegam ao mercado internacional por meio da exportação — esbarra na falta de mão de obra suficiente para atender à produção.
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De acordo com a diretora do Grupo Minuano, Barbara Enzweiler, a empresa conta com cerca de 1.700 funcionários apenas no município, com uma produção diária de aproximadamente três mil peles. “Exportamos para diversos países”, ressalta.
Se para quem empreende o cenário é positivo, para os trabalhadores também representa oportunidade. A supervisora de produção do Grupo Minuano, Andrinéia Luiza Corrêa Costa, lembra que iniciou na empresa há 20 anos e construiu sua trajetória profissional. “Hoje, meu filho também trabalha aqui. É um legado que atravessa gerações”, comenta..
Tapete feito com 2,4 mil retalhos de couro
A iniciativa reúne quatro empresas locais — Couro e Arte, Grupo Minuano, Plátano Tapetes e Thai Tapetes — envolvendo cerca de 30 profissionais e 2,4 mil retalhos de couro. A peça é confeccionada por meio da técnica tradicional de corte e costura, característica marcante do artesanato da região. Cada empresa produz uma parte do tapete, que posteriormente será unida em uma única peça.
Além de destaque na feira, o tapete será utilizado em eventos culturais ao longo do ano, simbolizando a força, a união e a tradição dos tapeceiros locais. A peça poderá ser conferida durante a 11ª Feira do Tapete e Artefatos em Couro, que ocorre de 27 a 29 de março, no Ginásio Municipal, com entrada gratuita.
Trabalho que atravessa gerações
No Grupo Minuano, a diretora Barbara representa a terceira geração da família à frente da empresa. “Estamos em Lindolfo Collor há 50 anos. Temos uma ligação muito forte com a cidade, tanto que o Ginásio Municipal leva o nome do meu avô, Herbert Oscar Enzweiler”, destaca.
Com 26 anos de atuação, a Couro e Arte também integra o projeto do tapete de 20 metros e mantém uma produção média mensal de 12 mil peças. Seus 85 funcionários produzem, além de tapetes, móveis e outros artefatos em couro.
A Plátano Tapetes, por sua vez, reúne 18 funcionários e produz cerca de dois mil metros de tapetes por mês. O gerente de produção, Cristian Metz, observa que sua trajetória profissional se confunde com a do setor. “Comecei aos 18 anos e sigo até hoje. O tapete é fundamental para a cidade como um todo. Nós crescemos junto com esse segmento”, afirma.
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Mais recente no mercado, com cinco anos de atuação, a Thai Tapetes carrega o espírito empreendedor do proprietário, Laércio Morguesdern, que já atuava no setor antes de abrir o próprio negócio. “Hoje produzimos cerca de 150 metros de tapetes por semana. Poderíamos produzir mais, mas falta mão de obra”, relata.
Empresas mais tradicionais e iniciativas mais recentes formam, juntas, a base da economia de Lindolfo Collor. Elas sustentam famílias e reforçam a identidade de um município reconhecido como a capital dos tapetes em couro.
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