A Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Princesa Isabel, de Campo Bom, é a única gaúcha cujo projeto está entre os dez finalistas brasileiros do prêmio Meu Pátio é o Mundo. A iniciativa internacional tem o objetivo de reconhecer projetos de educação sustentável na primeira infância realizados no Brasil, Argentina, Chile, Bolívia, Peru, Paraguai e Uruguai.
Organizada pela empresa Arcor, a ação tem parceria com a Organização Mundial Pré-Escolar (Omep) e no Brasil com a Omep ARBS (Associação Regional Baixada Santista) – , responsável por coordenar o prêmio.
O projeto da Emef Princesa Isabel, chamado Escola que Renasce: sustentabilidade e comunidade no pós-enchente, é voltado à implantação de hortas suspensas para o aprendizado ecológico e o contato com o meio ambiente, junto à revitalização dos espaços de recreação da escola após a enchente e o incentivo do uso de contêineres para descarte do lixo.
Renascimento
A partir do projeto institucional do meio ambiente, do qual a professora de educação infantil Maidi Mosele é representante, a equipe decidiu criar hortas suspensas, ou seja, em um nível mais alto do chão.
“A ideia do projeto iniciou no ano passado, quando a nossa escola foi atingida pela enchente em maio (foi mais de 1,50 metros), e a gente começou a organizar a escola no sentido de que a gente não pode ter horta no chão, porque a água vem, a água vai”, conta a diretora e professora Carla Castro, responsável pelo projeto desenvolvido em conjunto com a equipe escolar.
“E é um caso recorrente de enchentes aqui no bairro Bairrinha. Então a professora Maidi começou, com as crianças, a criar hortas suspensas, para que a gente não perdesse a cada enchente e não tirasse das crianças esse direito da vivência com o meio ambiente”, continua.
A diretora afirma também que o descarte incorreto de lixo ao redor da escola era comum entre a comunidade no pós-enchente, o que inspirou a equipe a incentivar o uso de contêineres para o descarte de resíduos.
Maidi explica que a ideia das hortas é pensada para permitir que as crianças possam manter o contato com a natureza. “Por conta das cheias e questão de contaminação, pensamos nisso porque as crianças precisam vivenciar essa questão do plantio. No momento em que elas colocam a mãozinha delas, elas estão vivenciando. E nada mais puro e genuíno do que ver que se é integrante de uma comunidade, da natureza, e fazer parte daquilo.”
Os pequenos Joaquim de Almeida Freitas, de 6 anos, e Fernando da Silva Golf, de 5, já aprenderam a fazer suas plantações por meio da horta suspensa. “Eu plantei pimentão. Aprendi que tem que fazer bem delicado para crescer muito grande. Eu abri um buraquinho na terra, coloquei e tapei”, diz Joaquim. “E eu plantei tomate, eu abri o buraquinho igual o coleguinha fez. E depois tem que regar uma vez por mês para as plantinhas crescerem, mas só se não chover”, acrescenta Fernando.
Para a secretária municipal de Educação, Mara Daubermann, a iniciativa da escola é motivo de orgulho e inspiração. “O projeto ‘Escola que Renasce’ é a prova viva de que a educação vai muito além das salas de aula. Ela inspira, reconstrói e planta valores que transformam o futuro”, elogia.
“Esse reconhecimento nacional é o reflexo de um trabalho coletivo, de professores, alunos, famílias e servidores que acreditaram que era possível recomeçar. Ver essa escola entre as dez melhores do Brasil, representando o nosso Estado, é motivo de muito orgulho e esperança”, finaliza.
Próxima etapa
Na próxima etapa, as escolas finalistas receberão tutoria para elaboração dos projetos que serão enviados ao júri. “Agora estamos tendo tutorias com uma pessoa representante do instituto que vai nos orientar e a final ocorre agora no final de outubro, a gente tem que fazer um outro artigo que concorre a um outro aporte financeiro para a escola contemplar o projeto”, descreve Carla.
“O que eles levam em conta é a participação da comunidade, o que mudou na escola, no que as crianças participaram e o que tem de positivo”, continua.
Confira todos os finalistas
Pequenos Guardiões da Natureza Amazônica – Manaus (AM)
CMEI Dilsen Silva Alves
Profª Cristiane Machado de Oliveira
Vila Verde – Recife (PE)
Escola Vila Aprendiz
Prof. William Zamora Kattah
Crianças e Infâncias: uma análise sobre as multiculturalidades que nos constituem – Blumenau (SC)
CEI Pastor Nirton dos Santos
Profª Nadine de Andrade
Escola que Renasce: sustentabilidade e comunidade no pós-enchente – Campo Bom (RS)
EMEF Princesa Isabel
Profª Carla Castro
Mba’e Porã: brinquedos da terra – Bertioga (SP)
E.M.I.G Nhembo e a Porã
Profª Karen Cristina Silva Prado
Nosso futuro em construção: de mãos dadas com os ODS.s – contos que inspiram, sonhos que florescem – Capivari (SP)
EMEI Mª Aparecida Boaventura de Almeida Garcia
Profª Rosa Maria Muller
Refloresta: vivências e experiências com a Aldeia Kopenoti Terra Indígena de Araribá – Ribeirão Preto (SP)
EMEI Dep. João Sperandio
Profª Mônica Jaqueline de Oliveira
Nosso terreiro tem um mundo inteiro – Duque de Caxias (RJ)
Creche e Pré-Escola Municipal Deputado José Carlos Coutinho
Profª Judith de Lima Cortez
Território educativo das travessias – São Paulo (SP)
EMEI Gabriel Prestes
Profª Edna Monteiro
O quintal do meu Quilombo – São Francisco do Conde (BA)
Escola Quilombola de Educação Infantil José de Aragão Bulcão
Profª Arly Alves Batista
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