O plenário da Câmara de Vereadores de Estância Velha ficou lotado na manhã deste sábado (4) para o Fórum Anual sobre Neurodiversidade “Compreender para Incluir”, promovido pela própria Casa Legislativa. O encontro gratuito reuniu profissionais das áreas da saúde, educação, inclusão e Defensoria Pública, além de familiares e educadores, para compartilhar experiências e debater estratégias de apoio às pessoas neurodivergentes — termo que engloba condições como o Transtorno do Espectro Autista (TEA), TDAH, dislexia, entre outras.
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Foto: Joceline Silveira/GES-Especial
Um dos principais temas abordados durante o fórum foi a importância do diagnóstico precoce, que permite que a criança receba acompanhamento adequado desde os primeiros meses de vida.
A psicopedagoga e neuropsicopedagoga Zuleika Janaina Baum, mãe atípica, destacou que a demora no diagnóstico pode comprometer o aprendizado.
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“Quando mais tardio o diagnóstico, mais difícil se torna o desenvolvimento da aprendizagem. Muitas vezes, a criança já foi rotulada pelos outros e por ela mesma — ‘eu não consigo, eu não sei, eu não posso’. E, às vezes, isso começa dentro de casa, quando os próprios pais chamam o filho de burro. Precisamos entender que diagnóstico não é rótulo: é a chance de ajudar”, afirmou.
Ela ressaltou ainda que cada criança aprende de forma diferente e que o diagnóstico antecipado permite que a escola organize um plano de atendimento mais eficaz.
“Nem sempre as escolas estão preparadas, mas com um pré-diagnóstico conseguimos observar melhor as dificuldades e planejar estratégias de aprendizagem”, completou, reforçando a necessidade de ações integradas entre poder público, escolas, famílias e entidades civis.
Legislação existe, mas ainda falta conscientização
O defensor público Evald Rodrigues, da Comarca de Estância Velha, destacou que o país possui vasta legislação sobre inclusão – apenas leis federais são 158. 164- mas ainda enfrenta desafios para aplicá-la de forma efetiva.“Temos leis suficientes — o Estatuto da Criança e do Adolescente, o Estatuto da Pessoa com Deficiência, a Lei do Autismo de 2012 —, mas o problema é colocar tudo isso em prática”, afirmou.
Segundo ele, muitas famílias ainda desconhecem seus direitos. “Falta uma cultura mínima de conscientização sobre as possibilidades que a legislação garante. A Defensoria Pública está sempre de portas abertas para orientar e auxiliar as famílias”, ressaltou Rodrigues.
Falta de atendimento de estimulação precoce
A principal demanda apontada por pais e profissionais da área da saúde durante o fórum foi o retorno do atendimento de estimulação precoce, suspenso em Estância Velha há cerca de cinco anos. Atualmente, as crianças precisam ser encaminhadas para Novo Hamburgo ou Canoas para receber o acompanhamento adequado.
O serviço consiste em um programa multidisciplinar voltado ao desenvolvimento de habilidades motoras, cognitivas, sociais e de comunicação desde os primeiros meses de vida, favorecendo a neuroplasticidade e a autonomia da criança.
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Segundo a diretora da AAPE, Sinara Poersch Nascimento, o atendimento era anteriormente contratado pela Prefeitura junto à Apae, mas deixou de ser oferecido pelo município.
“Na época, o atendimento era vinculado à Secretaria de Educação, e depois justificaram que estimulação precoce é uma área da saúde. Mas já se passaram cinco anos sem solução. Estive novamente na Prefeitura nesta semana para pedir que o atendimento seja retomado no próximo ano”, afirmou.
Ela ressaltou que o acompanhamento a bebês e crianças pequenas deve ocorrer no próprio município, evitando deslocamentos e garantindo a continuidade do tratamento.