O gosto e o odor na água continuam afetando moradores e instituições dos vales do Sinos e Paranhana. A situação, que iniciou há cerca de duas semanas em Rolante e Taquara, se estendeu às cidades de Novo Hamburgo, São Leopoldo, Portão, Estância Velha, Campo Bom e Sapiranga.
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Foto: Paola Altneter/GES-Especial
A população segue buscando alterativas para o consumo de água considerada potável. Diante deste cenário, a Prefeitura de Estância Velha desenvolveu uma ação para garantir a segurança dos estudantes: a disponibilização de galões de água mineral nas escolas municipais.
Desde a última terça-feira (7), 16 escolas receberam galões de água conforme a quantidade solicitada à Secretaria de Educação. De acordo com a titular da pasta, Cristiane Spohr, o fornecimento será realizado até a água não ter mais o cheiro e gosto ruins.
“Esperamos que essa situação normalize o mais rápido possível para que todos, escola e comunidade, possam estar mais tranquilos quanto à qualidade da água disponível”, menciona.
A professora Raiana Letícia dos Santos, da Escola Municipal de Educação Infantil (Emei) Recanto da Floresta, relata que assim que os profissionais da educação perceberam que a água não estava boa para ser ingerida, as crianças foram orientadas para que não pegassem água dos bebedouros. Assim que a criança necessitasse, era direcionada ao refeitório, onde os docentes pegavam água potável em uma jarra para repor nas garrafinhas.
A coordenadora pedagógica da mesma instituição, Patrícia Braun, conta que o fornecimento de água mineral vem tranquilizando as famílias. “Eles não precisam ter este gasto de ter que ir atrás e comprar água, ou até fornecer uma água que a gente não sabe se vai estar potável ou não, então, assim, a gente tem certeza que é uma água de qualidade que as crianças vão estar tomando e não vai ter nenhum risco para elas”, declara.
O que diz a Agesan
De acordo com o diretor-geral da Agência Reguladora Intermunicipal de Saneamento do Rio Grande do Sul (Agesan), Tiago Luis Gomes, é comum, no verão, a floração de cianobactérias nos corpos hídricos, principalmente quando o nível está mais baixo, o que é o caso do Rio dos Sinos atualmente. “Essas algas muitas vezes promovem sabor e odor. Foi identificado no Rio dos Sinos do tipo planktothrix“, afirma.
“Utilizando de elementos como carvão ativado, antracito, que é um carvão mineral, isso vai ajudando e contribuindo para a redução do gosto e sabor, aliado a disso, um manejo, uma adequação na dosagem de produtos químicos, fazendo o teste de jarros”, explica.
Apesar de ser um processo ambiental, existem cuidados que as concessionárias de água devem ficar atentas. “O cuidado ambiental é da porta para fora da estação de tratamento de água. A operação tem que estar atenta que em condições indesejáveis, interromper o processo de produção de água”, pontua Gomes. Nestes casos, é necessário comunicar a Agesan, à população e o executivo municipal.
A Agesan segue fiscalizando as cidades que apresentaram alteração na água e algumas já foram multadas, como Taquara, Rolante, Campo Bom, Sapiranga, Estância Velha e Portão, que tem a Corsan como distribuidora. “Os motivos envolvem desabastecimento generalizado, qualidade da água não observada, ausência de comunicação ao órgão regulador, limpeza de reservatórios, entre outros”, explica o diretor.
Na região
O Serviço Municipal de Água e Esgoto (Semae), de São Leopoldo, informa que para corrigir o gosto e odor na água causado pela floração de algas, está sendo usado o carvão ativado no tratamento e que a água continua própria para consumo.
A Comusa, de Novo Hamburgo, também ressalta que a qualidade da água atende aos padrões de potabilidade estabelecidos pelo Ministério da Saúde, com monitoramento contínuo e análises realizadas em laboratórios certificados.
Sobre a área de cobertura, a Corsan explica que a água distribuída passa por rigoroso controle de qualidade em todas as etapas do abastecimento, conforme diretrizes do Ministério da Saúde, e que desde o dia 25 de março vem adotando medidas específicas nas estações desde a identificação do fenômeno.