As imagens de destruição em Rio Bonito do Iguaçu, região centro-oeste do Paraná, assemelham-se às memórias ainda recentes das enchentes de maio de 2024, no Rio Grande do Sul: dois desastres climáticos que resultaram na perda de vidas e em um cenário de caos, com toneladas de escombros que um dia foram casas e sonhos.
CLIQUE AQUI PARA ENTRAR NA COMUNIDADE DO ABCMAIS NO WHATSAPP
Mas, além das imagens, os gaúchos também recordam que não passaram por aquela condição adversa sozinhos. Em meio ao isolamento causado pelo avanço das águas, a esperança emergiu das divisas do Estado, por meio de milhares de toneladas de donativos que vieram de todo o Brasil.

Foto: Reprodução
A gratidão permanece viva no coração de hamburguenses, leopoldenses e demais moradores da região, que viveram a tragédia de 2024, quando partes significativas de seus municípios foram tomadas pela força da água. Agora, essas cidades somam esforços para levar a maior quantidade possível de doações ao município de Rio Bonito do Iguaçu.
As Secretarias Municipais de Desenvolvimento Social e Habitação (SDSH), de Novo Hamburgo, e de Assistência Social (SAS), de São Leopoldo, são as responsáveis pela organização da arrecadação, comandadas pelas titulares Juciane Saul e Simone Dutra, respectivamente.
“É um gesto de empatia e gratidão de quem já recebeu ajuda e agora pode retribuir”, destacou Juciane. “Unir forças é o que torna possível transformar solidariedade em ação concreta”, completou Simone, que também é a primeira-dama leopoldense.
Doações
Entre Novo Hamburgo e São Leopoldo, o Ginásio Municipal Celso Morbach (Rua Dom Pedro João Becker, 313, Centro – SL), serve como ponto de arrecadação dos donativos.
As doações deveriam ser encerradas na quinta-feira (13), mas, devido à quantidade crescente de materiais recebidos, mais dois caminhões serão enviados na segunda-feira (17). Em Novo Hamburgo, a SDSH está organizando a coleta e o transporte dos itens para quem não conseguir levá-los pessoalmente até São Leopoldo. Basta entrar em contato pelos números (51) 98447-2958 ou 3097-9469.
Entre os itens mais necessários estão materiais de construção para a recuperação das moradias, como fios para a rede elétrica, tomadas, chuveiros, lâmpadas, portas, janelas, fechaduras, tintas, pincéis, pás, enxadas, rastelos e forros de PVC. Também é possível contribuir financeiramente com doações via PIX, utilizando a chave CNPJ 88.368.691/0001-21, do Lions Club São Leopoldo Padre Reus.
Para quem deseja doar roupas, o endereço é Rua México, 466, no bairro Santo Afonso, de segunda a sexta-feira, das 9h às 16h30.
Estância Velha mobiliza comunidade
Apesar de não ter sido atingida pela enchente de 2024, Estância Velha promoveu ações de arrecadação na época. Agora, diante da tragédia em Rio Bonito do Iguaçu, o município iniciou uma nova campanha, com arrecadação de roupas, kits de higiene pessoal e alimentos.
Empresas locais também se uniram à ação e serão responsáveis pelo transporte das doações até o Paraná. “Nos solidarizamos com os paranaenses neste momento de dificuldade, especialmente com as famílias de Rio Bonito do Iguaçu. O pouco que cada um puder oferecer será muito para quem perdeu tudo”, destaca o prefeito Diego Francisco.
“Cenário de guerra”
O diretor da Defesa Civil de Novo Hamburgo, Gilson do Amaral, descreve a situação em Rio Bonito do Iguaçu como um verdadeiro cenário de guerra. Ele integra a equipe enviada ao município ao lado de outros três agentes. Segundo Gilson, cerca de 90% da cidade, que tem aproximadamente 14 a 15 mil habitantes, foi devastada em poucos minutos por ventos que, segundo relatos locais, ultrapassaram 300 km/h. A força do fenômeno deixou o poder de resposta do município extremamente fragilizado.
Com grande parte das moradias destruídas, famílias buscam abrigo em casas de parentes ou em prédios públicos de cidades vizinhas, como Laranjeiras do Sul. Gilson afirma que o impacto é muito mais violento do que o de enchentes, pois o vento destrói estruturas, arremessa móveis e arrasta veículos, deixando um rastro imediato de destruição.
CLIQUE AQUI PARA RECEBER NOSSA NEWSLETTER
No trabalho inicial, a equipe constatou que 60% das casas atendidas precisaram ser demolidas por terem a estrutura comprometida — fundações, pilares e telhados. A Defesa Civil atua na remoção de escombros, reconstrução de coberturas, retirada de famílias e orientação à população atingida.
“Comparado às enchentes, o fenômeno é completamente diferente. A água sobe aos poucos, dá sinais, permite prever o comportamento e projetar ações. Já o vento não oferece aviso: ele chega de forma repentina, arranca estruturas, destrói casas, derruba pessoas, levanta móveis e os arremessa contra tudo ao redor. Pelo cenário deixado — um cenário de guerra — o impacto é muito mais violento do que o provocado pela água”, explica Gilson.