Três dias depois do baque da morte e despedida de Clarissa Felippetti, a Sissa, e Fernanda Mikaella da Silva Barros, familiares e amigos se despedem nesta quarta-feira (25) de Isac Emanuel Ribeiro da Silva, 35 anos, o terceiro ciclista que morreu após o atropelamento registrado no último sábado (21) na RS-115, em Três Coroas.

Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial
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O velório iniciou ainda na madrugada, no ginásio municipal, e o sepultamento ocorre logo mais, às 15 horas, no Cemitério Católico da cidade.
A despedida de Isac é marcada pela lembrança de quem ele foi em vida, um marido dedicado, pai amoroso de dois filhos pequenos e o “mais brincalhão da turma” como repetiam os amigos.
Mas uma decisão tomada por Ribeiro há cerca de dois anos também acabou ganhando destaque neste momento. Em 2023, ele e Sissa, sua esposa, aderiram a uma campanha do cartório da cidade e documentaram o desejo de serem doadores de órgãos.
A morte cerebral de Isac Ribeiro foi confirmada na terça-feira (24) e, a partir do diagnóstico, teve início o processo de doação.
O desejo foi respeitado pelo irmão, que é o familiar mais próximo de Isac, e pelos amigos mais próximos, como o sócio de Isac Ribeiro numa imobiliária.
Contudo, eles ainda não tiveram acesso ao prontuário médico para saber quais órgãos foram doados, já que a prioridade, agora, é a despedida.
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Um gesto registrado em cartório

Foto: Arquivo pessoal
A decisão de se tornar doador foi formalizada em outubro de 2023, durante uma campanha promovida pelo tabelionato de Três Coroas.
Na época, mais de 200 moradores procuraram o cartório para registrar oficialmente a vontade. Hoje, segundo a tabeliã substituta Simone Margareth Ferreira, quase 400 pessoas já aderiram à iniciativa no município.
Simone recorda do dia em que Isac e Sissa foram ao cartório. “Não tem como esquecer do Isac”, afirma. Segundo a tabeliã, ele era conhecido no local por atuar como corretor de imóveis e sempre se mostrava solícito e compreensivo, além de engraçado.
“Nesse dia que eles foram fazer as escrituras declaratórias de doação de órgãos, ele, como sempre, veio brincando, e chegou dizendo que, além de documentar o desejo de ser doador, também queria aproveitar o momento para casar de novo”, recorda. Isac e Sissa já eram casados desde 2015.
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A campanha para estimular os moradores a se tornarem doadores de órgãos, segundo Simone, nasceu após ela participar de um congresso e ouvir o relato de uma transplantada de pulmão, o que a sensibilizou profundamente.
A partir dali, o tabelionato passou a dar ampla divulgação à escritura pública de doação de órgãos, inicialmente de forma presencial e gratuita. “Pode salvar até 8 vidas”, reforça.
“Ele vai, mas ele deixa”
A amiga Cléria Diel, integrante do grupo de pedal do casal, vê no gesto mais um reflexo da essência de Isac. “Foi uma campanha muito bonita do cartório da cidade e eles participaram dessa campanha juntos. Infelizmente, a Sissa não teve essa oportunidade, mas o Isac sim, e se concretizou o desejo dele de doar os órgãos”, pontua.
Para Cléria, a decisão traduz o que ele sempre representou. “Então ele vai, mas ele deixa uma parte muito simbólica dele, inclusive, salvando outras vidas. É a sequência do que o Isac foi aqui e vai continuar de certo modo”, analisa.
Para ela, essa decisão de Isac torna esse momento de despedida menos amargo. “Não tem como a gente não olhar para isso com mais leveza e mais tranquilos, era o desejo dele e ele permanece, ele continuou o que ele sempre foi. Nos salvava animando e agora ele vai salvar outras pessoas através dessa doação de órgãos”, complementa.
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A amiga também destacou a importância da conscientização. “É extremamente importante tanto a gente registrar a nossa vontade quanto conversar com os nossos familiares, com os nossos amigos, deixar isso bem claro, expressar essa vontade”, sublinha.