A noite de sábado (28) foi de emoção e reflexão no Largo do Museu Adolfo Evaldo Lindenmeyer, em Sapiranga. A encenação da Paixão de Cristo reuniu moradores e visitantes durante a programação da Páscoa das Rosas, que segue com atividades gratuitas neste domingo e também na terça-feira (31).

Foto: Dário Gonçalves/GES-Especial
Realizado ao ar livre, o espetáculo retratou momentos marcantes da história de Jesus, mobilizando atores locais e integrantes da comunidade. A apresentação começou ao anoitecer e conduziu o público por cenas que misturam fé, cultura e tradição, em um dos pontos altos da programação.
Antes mesmo do início, o espaço já recebia famílias que chegaram cedo para garantir lugar e aproveitar as atividades recreativas e culturais oferecidas no local desde a tarde. A proposta do evento é justamente reunir diferentes gerações em uma programação acessível e voltada ao convívio comunitário.
Envolvimento dentro e fora do palco
Para quem está em cena, a experiência vai além da atuação. Diretor da encenação, Leandro Coimbra destacou o compromisso envolvido na montagem, independentemente da crença individual.
“Mesmo para quem não é religioso, é um compromisso muito forte interpretar essa encenação. É feito um estudo dedicado para representar esse momento tão importante para o cristianismo. E a gente percebe a plateia envolvida com a história. A mensagem que fica é a do bem e da caridade. É uma honra e uma grande responsabilidade retratar esse momento”, afirmou.
Intérprete de Jesus, Kim Souza ressaltou o desafio e a importância do papel. “É um texto que exige bastante, porque tem significado para muitas pessoas. Mas Jesus é uma figura que, de alguma forma, toca todo mundo. Então é sempre uma honra participar dessa montagem”, disse. Ele também lembrou a experiência em outras apresentações. “Já fiz esse papel em outros momentos e, este ano, vamos apresentar mais vezes, o que mostra que o trabalho está dando resultado.”
Na pele de Maria, Emilene Elusa destacou a carga emocional da personagem. “É uma satisfação poder representar a Virgem Maria, retratando todo o sofrimento de ver o filho naquela situação e acompanhar toda essa caminhada”, comentou.
Já para Gabriel Rohde, que interpretou um guarda romano, o desafio está na expressão corporal. “É um papel que exige muito do físico. Mais do que o texto, o corpo precisa transmitir a intensidade da cena”, explicou.
Emoção na plateia e “ator” improvisado
Do lado de quem assiste, a encenação também provoca reações intensas. Ao longo da apresentação, o público acompanhou em silêncio e, em diversos momentos, comovido com as cenas. A emoção foi visível entre adultos e crianças. Em um dos momentos, uma mulher deixou o local antes do fim da encenação diante da angústia da filha, sensibilizada com o sofrimento retratado no espetáculo.
Durante a apresentação, um episódio inusitado também chamou a atenção do público. Um cachorro invadiu a peça em diferentes momentos e chegou a interagir com os atores nas cenas mais intensas, como o açoite e a crucificação de Jesus. O animal foi contido sem interromper o espetáculo, e a situação acabou incorporada à apresentação.
“Hoje a gente pode ver a importância de a plateia estar envolvida com a história, e mesmo um animal, ele entende que a maldade não tem lugar no mundo. Então ele, não tendo a noção do que estava acontecendo, viu alguém sofrendo e interveio para que isso não acontecesse. Parece que tudo foi conectado com a mensagem, que é a mensagem do cristianismo, a mensagem de Jesus, que é a mensagem do bem, da caridade”, afirmou o diretor Leandro Coimbra.
A programação da Páscoa das Rosas continua neste domingo (29), novamente no Largo do Museu, com atividades a partir das 15 horas, incluindo brinquedos infláveis para as crianças. Todas as atrações são gratuitas.