A prefeitura de Nova Santa Rita tornou público nesta sexta-feira (21), o relatório final da sindicância instaurada para apurar o falecimento da menina Isabella do Nascimento da Silva, de um ano e sete meses, ocorrido na Policlínica 24 Horas no dia 4 de outubro de 2025.

Foto: Arquivo pessoal
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O documento aponta indício de falha de conduta profissional no último atendimento realizado à Isabella quando estava na sala vermelha com a situação já agravada, identificado após análises técnicas, 25 depoimentos e a reconstrução completa da linha de atendimento.
Durante o processo de sindicância, alguns profissionais foram afastados preventivamente, e o Município comunicou formalmente o Ministério Público Estadual, a Polícia Civil e, agora, também encaminhará o relatório ao Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers) e Conselho Regional de Enfermagem (Coren-RS) para os procedimentos éticos e legais pertinentes.
Segundo a prefeitura, novas medidas já foram adotadas. Os protocolos de atendimento foram revisados e aprimorados, e novas rotinas de treinamento técnico com médicos e enfermeiros foram realizadas, sempre com foco na segurança assistencial e na melhoria contínua da saúde pública. Também está sendo concluída uma nova licitação para contratação de nova empresa prestadora de serviços médicos para a cidade.
No decorrer da sindicância, o prefeito Rodrigo Battistella afirmou que garantiu a transparência total na apuração. “A sindicância ocorreu nos moldes de uma administração que não teme a verdade. Me compadeço profundamente da dor da família da pequena Isabella. Assim que soube do caso, determinei a abertura imediata da sindicância. Sempre exigi a verdade, doa a quem doer”, disse.
De acordo com o prefeito, a administração seguirá sempre focada no aprimoramento deste importante instrumento de saúde que tem sido referência para diversas cidades da região metropolitana.
“Nova Santa Rita reafirma seu compromisso com a verdade, com a vida e com a responsabilidade institucional, garantindo que o sistema municipal de saúde avance com mais qualificação, humanidade e segurança para toda a população”, concluiu Battistella.
Relembre o caso
De acordo com avó da bebê, Selanira de Almeida Lara, os pais de Isabella buscaram o primeiro atendimento no dia 1º de outubro, na Policlínica de Nova Santa Rita.
“Custaram para atender. Durante a consulta, não pediram e nem fizeram nenhum exame. Disseram que era dor de garganta. Deram uma medicação e mandaram para casa. No dia seguinte, ela continuava indisposta, com dificuldade para respirar e com febre. Na quinta-feira, a minha filha e o marido retornaram, duas vezes, com a Isabella na Policlínica e, novamente, eles não fizeram nenhum exame. Dessa vez, disseram que era um resfriado”, explicou a avó.
Diante da piora no quadro de saúde, a família levou a bebê para consultar em uma clínica particular, em Canoas, e em um hospital da capital gaúcha.
“Ela continuava com febre e não queria comer. Estava com moleza no corpinho. Na sexta-feira, eles voltaram até a Policlínica. Quase tiveram que brigar para conseguir atendimento. Houve um bate-boca. Era troca de turno, tinha médico que não queria atender. Na minha opinião, não se importaram. Trataram com descaso. Depois de muita insistência, eles decidiram fazer um raio-x, mas já era tarde demais. Minha neta faleceu na madrugada do sábado.”
Nas redes sociais, o pai de Isabella desabafou sobre a situação. Na postagem, ele destacou o sentimento de dor e reforçou o pedido de justiça.
“Não foi feito nada correto. Se tivessem feito [o raio-x] na quarta-feira, de repente, teriam salvo a nossa filha. Tivemos quatro vezes para só quarta vez fazerem alguma coisa. Todos disseram que era uma gripe, sem exames. Somente na sexta-feira fez o bendito do raio-x. Quero justiça para que não aconteça com outros pais”, disse em um trecho da publicação.
Registro na polícia
Segundo a avó de Isabella, a família registrou um Boletim de Ocorrência (BO).
“Estamos inconformados. Queremos justiça. Precisa ser investigado a forma como as pessoas são atendidas na Policlínica. Estamos sofrendo com a perda do nosso anjinho e não queremos que outras famílias passem pela mesma coisa. Exigimos uma investigação séria e responsável.”