O número de farmácias com acesso ao programa Farmácia Popular diminuiu em cidades da região nos últimos dias, o que tem gerado dificuldades para pacientes que dependem da retirada gratuita de medicamentos. Em alguns estabelecimentos que antes realizavam normalmente o atendimento pelo programa federal, o serviço deixou de funcionar há cerca de uma semana.
Com isso, usuários do programa passaram a encontrar menos opções de farmácias aptas a liberar medicamentos pelo sistema do governo federal.
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Foto: Geison Concencia/GES-Especial
A situação afeta pacientes que utilizam medicamentos de uso contínuo. É o caso da aposentada Marina Santos Schürmer, de 90 anos, moradora de Estância Velha. Ela e o marido, de 92 anos, dependem de remédios obtidos pelo programa. Marina faz uso frequente de bombinhas respiratórias devido a um quadro alérgico. “Trabalhei muito tempo como professora, em uma época em que utilizávamos giz. O médico acredita que fui contaminada por substâncias presentes nele”, relata.
Segundo ela, até recentemente era possível retirar os medicamentos em diferentes farmácias conveniadas. Porém, nas últimas semanas, estabelecimentos da área central de Estância Velha passaram a informar que não conseguem mais acessar o sistema para liberar os remédios.
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Para evitar interromper o tratamento, Marina afirma que precisou comprar os medicamentos por conta própria. “Temo por aqueles que não têm condições de comprar, porque remédio é caro. Por enquanto estamos pagando, mas são muitos medicamentos”, afirma.
Farmácias relatam perda de acesso
A reportagem entrou em contato com farmácias de cidades da região. Situações semelhantes foram relatadas em Esteio, Estância Velha e Novo Hamburgo.
Os relatos apontam que não houve interrupção generalizada do programa. Parte das farmácias segue operando normalmente pelo Farmácia Popular. Outras, porém, afirmam que ofereciam o serviço regularmente, mas deixaram de ter acesso ao sistema nos últimos dias.
Estabelecimentos ouvidos pela reportagem, que pediram para não serem identificados, relataram que o bloqueio pode estar relacionado a auditorias realizadas pelo Ministério da Saúde junto às redes conveniadas.
No entanto, as farmácias ouvidas informam que não receberam explicações detalhadas sobre a retirada do acesso.
O que diz o Ministério da Saúde
Procurado pela reportagem, o Ministério da Saúde informou que não há oscilações no sistema do Farmácia Popular e que o programa segue funcionando normalmente nas redes credenciadas.
A pasta também não confirmou retirada de credenciamentos recentes de farmácias da região. Como orientação, o governo federal informou que os usuários podem consultar os estabelecimentos habilitados por meio do portal oficial do programa, https://infoms.saude.gov.br/extensions/SEIDIGI_DEMAS_PFPB_ENDERECOS/index.html.
Conforme os dados disponibilizados pelo Ministério da Saúde, Estância Velha possui atualmente três farmácias conveniadas — duas no bairro Rincão dos Ilhéus e uma no Centro. Já Novo Hamburgo conta com 32 estabelecimentos habilitados, São Leopoldo possui 30 e Canoas, 22.
O Farmácia Popular do Brasil é um programa do governo federal que visa complementar a disponibilização de medicamentos utilizados na Atenção Primária à Saúde, por meio de parceria com farmácias da rede privada.
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