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Prevenção

Região já adotava mamografias a partir dos 40 anos antes de nova diretriz nacional

Campo Bom, São Leopoldo, Igrejinha e Dois Irmãos já seguiam protocolos ampliados; Novo Hamburgo ajusta práticas para se alinhar à mudança

Dário Gonçalves
Publicado em: 06/10/2025 às 18h:23 Última atualização: 07/10/2025 às 11h:12
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O anúncio recente do Ministério da Saúde ampliando a faixa etária para a realização de mamografias pelo Sistema Único de Saúde (SUS) traz repercussões diretas para a região.

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A partir de agora, o exame passa a ser oferecido também a mulheres de 40 a 49 anos, mesmo sem sintomas, além de estender o rastreamento sistemático até os 74 anos. A medida foi divulgada em setembro, às vésperas do Outubro Rosa, mês dedicado à prevenção e ao combate ao câncer de mama, e busca ampliar a detecção precoce da doença, que responde por 23% dos diagnósticos nessa faixa etária.

A mamografia é importante tecnologia a serviço das mulheres | abc+



A mamografia é importante tecnologia a serviço das mulheres

Foto: Karina Moraes/FSNH/Arquivo

Na prática, entretanto, a mudança não representa novidade para boa parte dos municípios da região, que já vinham adotando protocolos mais amplos em relação ao rastreamento do câncer de mama. Campo Bom, São Leopoldo, Igrejinha e Dois Irmãos, por exemplo, já ofereciam a possibilidade de mamografias a partir dos 40 anos, em alguns casos há quase uma década.

A principal alteração será a extensão da faixa etária para até 74 anos. Novo Hamburgo e Estância Velha, por sua vez, seguiam a diretriz nacional anterior (50 a 69 anos).

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Campo Bom já tem prática consolidada

Em Campo Bom, a oferta anual de mamografias a partir dos 40 anos é realidade há vários anos. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, a cidade se antecipou à orientação federal, adotando o protocolo defendido por sociedades médicas. Ainda assim, os dados mostram que o desafio não está apenas na oferta, mas também na adesão: o Boletim Epidemiológico do Câncer de Mama no RS aponta taxa de aproximadamente 255 casos por 100 mil mulheres, o mais alto entre os municípios gaúchos.

Apesar de não haver fila de espera para o exame, muitas mulheres deixam de realizar a mamografia, o que reforça a necessidade de ações educativas. A secretária de Saúde, Luana Schnorr, destaca que o diagnóstico precoce é fundamental. “Oferecemos o exame de forma regular e sem filas, mas é essencial que as mulheres procurem sua unidade de referência. O diagnóstico precoce salva vidas.”

São Leopoldo adota protocolo desde 2019

Em São Leopoldo, a mamografia a partir dos 40 anos já estava prevista no Protocolo Municipal de Saúde da Mulher desde 2019. Mulheres com histórico familiar ou de risco podem realizar o exame a partir dos 35 anos. Não há fila de espera, e o volume de exames no SUS segue expressivo: foram 5.202 em 2023, 4.066 em 2024 e 3.259 em 2025 até agosto.

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Dois Irmãos ampliou atendimentos há quase uma década

Dois Irmãos segue protocolo validado pelo TelessaúdeRS e COREN desde 2016, com rastreamento a partir dos 40 anos a cada dois anos e a possibilidade de exame já dos 35 anos em casos de risco elevado. Até agora, a cidade acumulou 6.456 solicitações de mamografia entre janeiro de 2013 e setembro de 2025. Atualmente, há 166 exames em espera para agendamento. Com a nova diretriz nacional, o município deverá adaptar apenas a faixa etária máxima, que passa de 69 para 74 anos.

Canoas zerou fila de espera em março

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Fila em Canoas foi zerada no início do ano | abc+



Fila em Canoas foi zerada no início do ano

Foto: Vinicius Medeiros/PMC

Canoas zerou a fila de espera para mamografias em fevereiro deste ano, quando toda a demanda reprimida foi atendida. Desde então, o município adotou os critérios que agora foram oficializados pelo Ministério da Saúde na Nota Técnica nº 626/2025, permitindo a solicitação do exame em qualquer idade por critério médico. Desta forma, mulheres de 40 a 49 anos podem fazer o exame pelo SUS, mesmo sem sintomas, desde que recebam orientação médica sobre riscos e benefícios. A oferta de exames tem superado a procura, evitando acúmulo de pedidos.

Igrejinha amplia adesão ano a ano

Em Igrejinha, a regra local já previa solicitação de mamografia a partir dos 40 anos, feita após avaliação por médico ou enfermeiro. A cidade também não registra lista de espera e garante a realização anual. A série histórica mostra crescimento na adesão: 801 exames em 2023, 957 em 2024 e 1.060 até setembro de 2025, além de outros 60 já agendados para outubro.

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Novo Hamburgo: adaptação em andamento

Em Novo Hamburgo, não há fila para mamografias desde 2022, conforme a Secretaria Municipal da Saúde (SMS). Entre janeiro de 2023 e agosto de 2025, foram realizados 14.819 exames, sendo 10.778 no público-alvo da diretriz anterior (50 a 69 anos) e 4.041 em outras faixas etárias, mediante indicação médica.

Para ampliar a adesão, desde julho a SMS implementou um sistema de agendamento direto nas Unidades de Saúde, eliminando a dependência de ligações telefônicas, que geravam desistências por desconfiança quanto às chamadas.

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Elaine Pires agendou sua mamografia diretamente na UBS | abc+



Elaine Pires agendou sua mamografia diretamente na UBS

Foto: Bruna de Bem/Arquivo GES-Especial

A secretária de Saúde, Betina Espindula, afirma que a mudança fortalece a linha de cuidado. “Queremos que nenhuma mulher deixe de fazer o exame por desconfiança ou esquecimento. O Outubro Rosa nos lembra que o diagnóstico precoce salva vidas, e a mamografia é uma das ferramentas mais importantes nesse processo”, destacou.

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Com a nova orientação do Ministério, a cidade terá de ajustar protocolos:

  • 40 a 49 anos: passa a haver possibilidade de mamografia mesmo sem sintomas, em decisão conjunta com o profissional de saúde.
  • 50 a 74 anos: rastreamento sistemático a cada dois anos.
  • Acima de 74: avaliação individualizada.

A secretaria reforça que o município apoia a diretriz, mas alerta para a necessidade de financiamento federal adicional, já que a ampliação tende a aumentar a demanda e exigir mais infraestrutura.

Sapiranga compra exames para atender à demanda

Em Sapiranga, a mamografia de rastreamento também já era solicitada anualmente pelo município para mulheres a partir dos 40 anos, independentemente de sintomas. Já a mamografia diagnóstica segue mediante encaminhamento médico, em casos de nódulos, sinais suspeitos ou histórico familiar.

Atualmente, a fila de espera para o exame é de cerca de 15 dias. Para acelerar os atendimentos e zerar a fila até o fim do ano, a Prefeitura firmou contrato com a clínica Intra (Instituto de Diagnóstico e Tratamento), garantindo a realização de 255 exames mensais. Segundo a Secretaria de Saúde, o quantitativo repassado pelo Estado oscila bastante: em média, são 120 exames mensais, mas em outubro, por exemplo, foram 198. A compra adicional busca dar estabilidade e ampliar a oferta do serviço.

Parobé vê distância como obstáculo

Em Parobé, o principal desafio tem sido garantir o acesso efetivo às mamografias oferecidas pelo Estado. Embora o município siga as diretrizes do Ministério da Saúde e da Secretaria Estadual da Saúde — com exames a partir dos 35 anos (histórico familiar ou de risco) —, as vagas disponibilizadas pelo sistema estadual (SISREG) ficam nos municípios de São Francisco de Paula e Rolante, o que tem gerado dificuldades de deslocamento para as pacientes.

Segundo o secretário de Saúde e vice-prefeito Adriano Azeredo, muitas mulheres acabam desistindo do exame por conta da distância e do tempo de viagem, o que implica perda de um dia de trabalho e, em alguns casos, de benefícios sociais como a cesta básica. Como a maioria depende do transporte fornecido pela Prefeitura, o custo logístico também acaba sendo elevado. A administração municipal já solicitou o remanejo das vagas para Igrejinha, por ser mais próxima e viável, mas o pedido não foi atendido pelo Estado.

Em razão desses obstáculos, cerca de 385 pacientes aguardam atualmente na fila para a realização do exame. O município mantém um contrato próprio para ampliar a oferta e, neste momento, está em andamento um processo licitatório para a contratação de 600 novas mamografias, o que deve permitir zerar a fila nas próximas semanas.

Estância Velha não vê impacto imediato

De 2023 a 2025, Estância Velha realizou 5.716 mamografias pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A Secretaria de Saúde informa que a cidade já seguia os protocolos do Ministério da Saúde e continuará atendendo conforme a nova diretriz, que amplia o acesso ao exame para mulheres a partir dos 40 anos. Segundo a pasta, a mudança não deve gerar impacto imediato na rede, mas aumenta a possibilidade de mais mulheres buscarem o serviço. Atualmente, não há fila de espera para realização de mamografias no município.

Taquara fala em livre demanda

Taquara afirma que não existe uma regra única que contemple todos os casos. Por isso, a oferta do exame para mulheres com menos de 50 anos já era prevista em situações específicas. “O que mudou foi a nova recomendação, que agora deixa claro o direito à livre demanda a partir dos 40 anos”, informa a secretaria de Saúde. “Isso significa que a realização da mamografia pode ser decidida em conjunto com o paciente, de acordo com sua necessidade individual para o rastreamento”, complementa.

A rede municipal não precisará passar por adaptações, já que segue as normativas do Ministério da Saúde e não possui fila de espera para a realização de mamografias desde março deste ano. Entre 2023 e 2025, foram realizados 6.948 exames, com média mensal de 211 procedimentos.

Os atendimentos são pactuados pelo Estado e realizados sem custo ao município, em unidades localizadas em Taquara e São Francisco de Paula. A secretaria reforça que a disponibilização dos exames segue critérios médicos, conforme preconiza o protocolo nacional.

Ivoti tem espera de até 60 dias

Em Ivoti, a solicitação de mamografia já ocorre a partir dos 40 anos, prática adotada antes mesmo da nova orientação do Ministério da Saúde. Durante as consultas médicas e de enfermagem, são realizados exame clínico e anamnese, e o pedido do exame é feito sempre que houver necessidade — inclusive em pacientes fora da faixa etária preconizada.

O município informa que o tempo de espera para exames eletivos é de até 60 dias, enquanto os casos classificados como urgentes são agendados de forma imediata. Em outubro, mês de referência para a prevenção ao câncer de mama, a Prefeitura adquire uma cota extra de exames com o objetivo de reduzir ou zerar a fila de espera.

Entre 2023 e 2025, foram realizados 2.444 exames de mamografia: 890 em 2023, 928 em 2024 e 626 até o momento neste ano.

 

 

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