A alteração na cor, no gosto e no cheiro da água registrada em municípios do Vale do Sinos e do Paranhana tem origem, principalmente, na floração e proliferação de algas nos mananciais utilizados para captação. A explicação foi apresentada pela Corsan, que atribui o fenômeno a períodos de pouca chuva e ao aumento da concentração de matéria orgânica na água bruta.

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Segundo a companhia, esse processo pode provocar mudanças sensoriais, como odor e sabor, exigindo ajustes operacionais no tratamento, com uso de produtos como carvão ativado. Já a Comusa, que atua em Novo Hamburgo, além dos argumentos mencionados pela Corsan, acrescenta que episódios recentes de chuva também impactaram temporariamente as características da água captada. Conforme a autarquia, desde então, a situação vem sendo monitorada de forma permanente, com acompanhamento técnico e análises laboratoriais contínuas, sem identificação de risco à saúde da população.
Apesar disso, a Agência Reguladora Intermunicipal de Saneamento (Agesan-RS), que fiscaliza o serviço, afirma que a água tratada pela Corsan em cidades da região, mesmo considerada segura para consumo, não atende plenamente aos critérios legais estabelecidos. A legislação determina que a água potável deve apresentar características sensoriais adequadas, sendo incolor e inodora — parâmetros que não estão sendo observados nos casos relatados, conforme a Agesan.
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De acordo com o presidente da Agesan, Tiago Luís Gomes, o cenário não exige alarme, pois a água não afeta a saúde dos consumidores. “A água precisa ter características desejáveis ao consumo, inodora e incolor. Fora disso, deve haver controle da geração, feita a partir da estação de tratamento, com possibilidade de interrupção do abastecimento em caso de descumprimento”, afirmou.
A Agesan iniciou novos processos de análise da água nos municípios afetados. Os relatórios técnicos devem ser divulgados nos próximos dias e, após a publicação, as prestadoras terão prazo de dez dias para apresentar contraditório e ampla defesa.
Clientes reclamam
Nas últimas semanas, moradores relataram problemas semelhantes em diferentes municípios da região, como Novo Hamburgo, Campo Bom, Estância Velha, Rolante, Taquara e Sapiranga. Em Taquara, um grupo de manifestantes chegou a ir até a sede da Corsan para cobrar explicações sobre a qualidade da água.
Em Estância Velha, uma audiência pública lotou a Câmara de Vereadores, reunindo moradores, representantes da companhia e da agência reguladora para discutir o tema. Já em Novo Hamburgo, onde o abastecimento é realizado pela Comusa, também foram registrados episódios de alteração na coloração e no odor relatados por moradores.
Entre os consumidores, a insatisfação tem se intensificado. Moradora de Campo Bom, Andiara Pereira Moehlecke relata que buscou esclarecimentos junto ao poder público, mas não encontrou respostas conclusivas. “Hoje liguei para a Prefeitura, no setor do Meio Ambiente, mas disseram que não era com eles este assunto sobre a água. Moro há 13 anos em Campo Bom e nunca a água esteve nesta condição horrível para consumo”, afirmou.
Ela também questiona as justificativas apresentadas até o momento. “A desculpa que dão sobre estiagem ou chuva em excesso não pode ser. Já tivemos épocas assim e a água não ficou nesse estado”, questiona. “Pagamos caro para ter água potável e de qualidade e não estamos tendo. Em quem acreditar? Quem vai resolver essa situação?”
Fiscalizações apontam problemas
O histórico recente de fiscalizações reforça a recorrência do problema na área da Corsan. Em março deste ano, uma análise realizada em Estância Velha não identificou substâncias nocivas à saúde, mas apontou que a alteração na cor da água é frequente, recomendando que a prestadora adote medidas para evitar novas ocorrências. Situação semelhante foi verificada em Rolante, onde fiscais constataram que, embora a água estivesse dentro dos parâmetros de potabilidade, houve eventos anteriores que impactaram sua qualidade perceptível aos consumidores.
A Corsan foi procurada sobre os problemas anteriores relacionados à coloração da água, mas ficou de se manifestar nesta quinta-feira (9).
A Agesan reforça que a participação da comunidade é fundamental para o fortalecimento da fiscalização. A orientação é para que os consumidores formalizem denúncias por meio dos canais oficiais – 0800-222-4022 ou ouvidoria@agesan-rs.com.br -, permitindo que a agência atue por demanda.
Amvag cobra providências
A Associação dos Municípios do Vale Germânico (Amvag), que representa cidades do Vale do Sinos, informa que “tendo em vista os diversos relatos de consumidores referentes à qualidade da água tratada oferecida pela Corsan/Aegea em cidades da região e que envolvem episódios de alterações de odor, sabor e coloração do produto, está abrindo processo junto à Agesan para que tome providências quanto à solução definitiva dos problemas”.
A Amvag reforça que os consumidores que enfrentam esse tipo de situação formalizem denúncia junto à Agesan, abrindo protocolo por ‘desabastecimento’.
“A Amvag reitera sua preocupação com os relatos e considera indigno servir aos consumidores água, embora alegadamente potável, com cor alterada, cheiro forte e gosto discutível”, pontua a associação, em nota.
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