Os municípios de Gramado e Taquara receberam audiências públicas visando discutir a concessão do Bloco 1 de rodovias. Com sessões lotadas, a comunidade da Região das Hortênsias e do Vale do Paranhana repetiram o mesmo pedido: “pedágio não”, em referência aos 23 pórticos no sistema free flow previstos para entrar em operação a partir de 2028, segundo ano da concessão.
No primeiro ano de contrato, os seis pedágios atuais continuam operando normalmente, com tarifa padrão de R$ 6,30. O período de transição servirá para instalação de infraestrutura tecnológica e sistemas de cobrança digital.

Foto: Arquivo/GES
Com nove rodovias fazendo parte do Bloco 1, oito delas consumadas (RS-020, RS-040, RS-115, RS-118, RS-235, RS-239, RS-466 e RS-474), além da RS-010, construída do zero, apenas uma não será pedagiada: a RS-118, que liga Sapucaia do Sul a Viamão.
Conforme a Secretaria da Reconstrução Gaúcha (Serg), o número expressivo de pórticos está diretamente ligado à justiça tarifária proposta pelo governo estadual. A partir da cobrança de R$ 0,21 a cada quilômetro rodada, quem se deslocar por distâncias mais longas, deverá pagar valores mais altos.
Já aqueles usuários que utilizam as rodovias em percursos mais curtos, terão custos mais brandos, evitando uma tarifa unificada. O modelo é utilizado há mais de 10 anos em países europeus, como Espanha e Portugal. O Estado explica que os pórticos também ajudam a melhorar o fluxo do trânsito, uma vez que não há filas de veículos em trechos que antecedem as praças atuais.
Praças x pórticos e como fechar a conta
Em alguns casos, como na RS-235, motoristas pagam R$ 7,10 ao passar pelas praças administradas pela EGR, situadas em Gramado e São Francisco de Paula (R$ 14,20), independentemente da quilometragem percorrida.
A partir do novo modelo, serão três pórticos, em Nova Petrópolis, Gramado e São Francisco de Paula ao custo total de R$ 7,98 caso o usuário utilize todo o percurso.
Por outro lado, quem for trafegar na RS-239 terá uma despesa adicional se optar pelo uso de toda sua extensão. Em Campo Bom, a tarifa é a mais baixa cobrada pela EGR (R$ 3,25). Com o free flow serão cinco pórticos: Novo Hamburgo, Campo Bom, Araricá, Parobé e Taquara (veja valores ao lado), com custo de R$ 14,84 para quem dirigir de Novo Hamburgo até Taquara, mostrando na prática a justiça tarifaria em um percurso mais longo. Segundo o Estado, existem opções para evitar as cobranças.
Cobranças do Bloco 3 no sistema antigo
Com cinco pórticos no sistema free flow, o Bloco 3 foi o primeiro a ser concedido à iniciativa privada no Estado. São quatro rodovias (RS-122, RS-240, RS-446 e RSC-287) administradas pela concessionária Caminhos da Serra Gaúcha (CSG) no Vale do Caí e Serra gaúcha.
No total, são seis pórticos instalados, quatro na RS-122 (São Sebastião do Caí, Farroupilha, Antônio Prado e Ipê), um na RS-240 (Capela de Santana) e um na RS-446 (Carlos Barbosa). No entanto, as tarifas não estão fracionadas no modelo de justiça tarifária, custando entre R$ 8,60 e R$ 13.
No contrato firmado entre Estado e CSG, ficou definido que os valores serão fracionados a partir de 2026.
Por que a RS-118 não terá pedágio?
A justificativa do governo do Estado para não incluir a RS-118 entre as estradas com pedágios é de que a rodovia terá apenas 15,9 quilômetros duplicados entre Gravataí e Viamão. Essas obras devem ser concluídas no 10º ano de concessão.
Outro ponto alegado é o fato da rodovia estar situada em trechos urbanos da Grande Porto Alegre. O argumento é o mesmo utilizado pelo governo federal na elaboração do edital da BR-448, inaugurada em 2013.
Na época, a então presidente da República, Dilma Rousseff (PT) expôs que a rodovia federal está localizada em uma zona metropolitana e de uso urbano. Dilma lembrou que as primeiras propostas previam tarifas elevadas no percurso entre Sapucaia do Sul e Porto Alegre.
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