Assim como aconteceu em Gramado, o público do Vale do Paranhana marcou presença na audiência pública proposta pela Secretaria da Reconstrução Gaúcha (Serg). O encontro que ocorreu na Faccat, em Taquara, estava inicialmente previsto para ocorrer no Auditório 3, com capacidade para 250 pessoas.
No entanto, devido ao número elevado de participantes, precisou ser transferido para o Palco Principal, que comporta 1.100 pessoas. A comunidade levou faixas, se organizou com camisetas e lotou o espaço, mostrando a organização regional no Paranhana.

Foto: Jauri Belmonte/ Especial
O início da sessão foi tumultuado, com muitas vaias, críticas e assobios durante as falas dos secretários da Comunicação e da Reconstrução, Caio Tomazeli e Pedro Capeluppi, respectivamente. As cobranças eram relacionadas aos 23 pórticos de pedágios no sistema free flow, previstos no projeto de concessão do Bloco 1. “Vocês [secretários] estão defendendo o indefensável”, desabafou o prefeito de Três Coroas, Fabiel Port (Republicanos).
O mandatário ainda questionou a capacidade do Estado em administrar o dinheiro público. “Tenho certeza que, se repassar os valores aos municípios, vamos conseguir fazer todas as melhorias necessárias e sem precisar de pedágio.”
O presidente da Associação dos Municípios do Vale do Paranhana (Ampara) e prefeito de Igrejinha, Leandro Hörlle (PP), também voltou a criticar a concessão, reiterando não ser contrário às obras, mas sim ao modelo proposto. “Precisamos ter mais tempo para conversar. O Estado tem que escutar a comunidade.”
Já o deputado estadual e ex-prefeito de Igrejinha, Joel Wilhelm (PP) criticou a falta de algumas melhorias, que em sua visão, são necessárias na RS-239, uma das nove rodovias do Bloco. “Não está contemplada a duplicação entre Riozinho e Maquiné. Faltam projetos de viadutos e acessos adequados.”
O político também voltou a indagar os representantes do governo estadual no que se refere ao aporte de R$ 1,5 bilhão do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs). “Esse valor é suficiente para melhorias nas oito rodovias e construção da RS-010.”
Início tumultuado e falas aplaudidas
Após um início tumultuado, onde o secretário teve dificuldades em falar, as mais de 30 pessoas que foram ao palco se pronunciar, foram ovacionadas pelo público. Alguns, mais exaltados, proferiram palavras de ordem contra o governador Eduardo Leite (PSD), inclusive pedindo a renúncia do político reeleito em 2022.
Outros, afirmaram que podem derrubar o governo no caso da concessão ser concretizada com a cobrança de pedágios a partir de 2027 na região. Os moradores de Taquara, Igrejinha e Parobé também criticaram uma possível falta de transparência do Piratini quanto aos valores arrecadados pela Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR). “Queremos saber qual a previsão de arrecadação com os novos pórticos”, indagou um dos participantes.

Foto: Juliano Piasentin/ GES-Especial
No decorrer das mais de duas horas de audiência pública, poucas propostas foram apresentadas pelos críticos ao modelo de concessão. Ainda assim, o titular da Secretaria da Reconstrução julgou a assembleia como positiva. “Ouvir as pessoas é fundamental nesse processo”, completou Capeluppi.
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