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CONCESSÕES

"Que seja revisto esse modelo": Oneração aos turistas e trabalhadores é assunto de audiência do Bloco 1 das concessões

Grande parte das prefeituras e entidades são contrárias à proposta apresentada de forma oficial, nesta terça-feira (18), em audiência pública que ocorreu em Gramado

Fernanda Steigleder Fauth
Publicado em: 18/11/2025 às 14h:44 Última atualização: 18/11/2025 às 15h:03
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“Que seja revisto esse modelo.” A fala, do vice-prefeito de Gramado, Luia Barbacovi, diz respeito ao projeto de concessão das rodovias do Bloco 1 – o qual integra as vias da Região das Hortênsias, como RS-115, RS-235, RS-020 e RS-466.

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Grande parte das prefeituras e entidades são contrárias à proposta apresentada de forma oficial, nesta terça-feira (18), em audiência pública

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Audiência do Bloco 1 de concessões em Gramado



Audiência do Bloco 1 de concessões em Gramado

Foto: Fernanda Fauth/GES-Especial

“Temos em torno de 8 mil trabalhadores que vêm de outros municípios, Taquara, Parobé, entre outras cidades. Isso vai aumentar o custo do vale-transporte, dos insumos, dos distribuidores, vai ter impacto na passagem intermunicipal. O que nós queremos, o que estamos pedindo é que, ouvindo a opinião das pessoas, seja revista essa modelagem, principalmente na quantidade de pontos de cobrança e valores”, completa o representante da administração municipal gramadense.

Audiência pública do Bloco 1 de concessões em Gramado é marcada por vaias e contrariedade ao modelo proposto

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Um dos principais pontos levantados por Luia é a alta oneração que o aumento do número de pedágios trará para a região. São 23 pórticos previstos nesse Bloco 1. “Nossas comunidades são muito próximas, o valor acaba onerando vários segmentos. Com o alto custo, as pessoas vão buscar outros caminhos, e vão passar por nossas ruas urbanas, e principalmente vai levar mais problemas de segurança e manutenção de estradas do interior”, explica. 

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O secretário de Inovação de Gramado, André Castilhos, trouxe dados e preocupações, sobre impactos na arrecadação e no turismo. “Mais de 46% das empresas em Gramado são MEIs. Isso vai fazer diferença. Quantas deixarão de vir ou virão menos vezes. Aquele valor que aumenta do pedágio, às vezes, é o valor que a pessoa ia investir num produto, numa lembrancinha. Essa é uma medida nada simpática que pode nos punir”, relata.

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O vice-prefeito ainda ressalta não ser contrário às obras. “Entendemos que precisamos de obras de duplicação, sem dúvidas nenhuma, A incompetência da EGR [Empresa Gaúcha de Rodovias], ou o que tem dado de retorno é insatisfatório, o pedágio nunca deu o retorno previsto. Mas o BNDES fez esse trabalho técnico e não consultou Prefeitura, Câmara, entidades, trabalhadores. Muito do que foi falado aqui, talvez estivesse no modelo que seria apresentado”, critica. 

E a RS-020?

O vice-prefeito de São Francisco de Paula, Beto Lopes, também se posicionou contrário ao modelo. “A RS-020 é uma estrada sinuosa, com muito tráfego de caminhões. Teremos dois free flows na rodovia e vemos que teremos R$ 12 para 40 quilômetros. Se tiver duplicação, acostamento, talvez seja o custo para termos. Mas vejo a apresentação e não vejo nenhuma grande melhora entre São Chico e Taquara. Vamos pagar para não ter uma grande obra de infraestrutura”, lamenta.

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O representante do Executivo municipal ainda se colocou à disposição do governo do Estado para achar uma solução melhor.

Preocupação na RS-235 e RS-466

Outro ponto que foi levantado por representante de um condomínio localizado na RS-235, no bairro Carazal, também diz respeito aos locais onde foram colocados os pedágios. “O Carazal é um bairro urbano, dentro da cidade de Gramado. Conforme vimos, tem obras que vão causar riscos, pelo que verificamos. Por exemplo, o Hard Rock Hotel terá 920 apartamentos e a saída dele fica a 100 metros do retorno que está sendo previsto. Os veículos vão ter que fazer uma manobra muito arriscada”, comenta o síndica do Aspen Mountain. 

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“Para entrar no condomínio, vou ter que ir até o Snowland para fazer o retorno e pagar o free flow duas vezes, no km 29, porque divide a área urbana em duas”, preocupa-se o morador.

O mesmo ocorreu em Canela, na RS-466, conhecida como Estrada do Caracol. “O free flow dividiu a cidade. A rodovia tem apenas 7 quilômetros. Mas naquele bairro, não temos escola, só tem uma de ensino fundamental, os pais vão ter que pagar pedágio, não tem posto de saúde para levar os filhos”, disse o vereador canelense Lucas Dias. 

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No município, o governo municipal está em tratativas com o Estado, para tentar municipalizar o trecho. Caso isso ocorra, não será mais incluso no Bloco 1 de concessões e a responsabilidade da manutenção passa a ser da prefeitura.

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