Diariamente, milhares de motoristas percorrem a BR-116, entre o Vale do Sinos e Porto Alegre, uma das rodovias mais movimentadas do Estado.
Entre congestionamentos constantes, alto fluxo de caminhões, obras, acessos urbanos e registros frequentes de acidentes, o trajeto se tornou sinônimo de preocupação para quem depende da via para se deslocar.

Foto: Arquivo/GES
Um ponto específico desse percurso figura entre os dez mais letais do Brasil, segundo levantamento da Confederação Nacional do Transporte (CNT). O trecho de dez quilômetros entre Novo Hamburgo e São Leopoldo aparece como o terceiro com maior número de mortes em rodovias federais do país.
Em 2025, foram 12 mortes registradas entre os quilômetros 240 (Posto do Abacaxi, em Novo Hamburgo) e 250 (viaduto da Unisinos, em São Leopoldo).
No ranking estadual, este mesmo percurso é o segundo com o maior volume de acidentes, reforçando o alerta para a gravidade da situação na região metropolitana. De janeiro até dezembro foram 153 ocorrências.
Alerta antigo
O levantamento reforça o que a reportagem do ABCmais denunciava em todo ano passado: o risco cada vez maior na rodovia, com o aumento de acidentes graves resultando em mais mortes, ouvindo moradores e usuários da rodovia sobre a necessidade de intervenções na via, com reforço de sinalizações.
Um dos casos de maior comoção foi o dos três jovens militares que morreram após o carro em que estavam colidir na mureta do viaduto da Avenida João Corrêa. Outros dois jovens ficaram feridos.
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Região em atenção para vítimas fatais
Considerando o percurso de 30 quilômetros entre Novo Hamburgo (quilômetro 240) e a entrada de Porto Alegre (quilômetro 270, junto ao viaduto da free way), o ano registrou 22 vítimas fatais de acidentes de trânsito.
Neste mesmo trajeto, foram 472 acidentes registrados ao longo de todo o ano passado, conforme o estudo, que utiliza dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF).
Ou seja, em um ranking estadual dos dez trechos mais perigosos segundo o número de mortes em 10 quilômetros, a região aparece com três – todos eles na BR-116.
- Entre os quilômetros 240 e 250 (entre Posto do Abacaxi, em Novo Hamburgo, e viaduto da Unisinos, em São Leopoldo): 12 mortes, fazendo o trecho o mais perigoso do RS segundo o número de mortes em 10 quilômetros e o terceiro do país.
- Entre os quilômetros 250 e 260 (entre viaduto da Unisinos, em São Leopoldo, e Refap, em Canoas): cinco mortes
- Entre os quilômetros 260 e 270 (entre a Refap, em Canoas, e a entrada de Porto Alegre, junto ao viaduto da free way): cinco mortes.
Trechos críticos para acidentes
Dos dez segmentos com maior número de ocorrências de acidentes de trânsito apontados no estudo, quatro estão na BR-116, justamente no trecho que corta o Vale do Sinos e a Região Metropolitana de Porto Alegre.
Entre Canoas e Porto Alegre, o trajeto somou 192 acidentes em 2025, tornando-se o trecho com mais registros em todo o Rio Grande do Sul.
Entre Novo Hamburgo e São Leopoldo, foram contabilizadas 153 ocorrências, enquanto no segmento entre São Leopoldo e Canoas houve 127 registros.
O quarto trecho da região que aparece no levantamento é entre os quilômetros 230 (entrada de Ivoti) e 240 (Posto Abacaxi, em Novo Hamburgo). Foram 90 acidentes no ano passado e quatro mortes.
Esse trajeto inclui o chamado “trecho da morte”, parte do percurso entre Estância Velha e Novo Hamburgo que, entre 2023 e 2024, ganhou esse apelido em razão do alto número de vítimas fatais, o que motivou intervenções no local.
Cenário geral nacional e estadual
A publicação apresenta um retrato preocupante da segurança viária no país. Entre janeiro e dezembro de 2025, as rodovias federais brasileiras registraram 72.476 acidentes, que resultaram em 6.040 mortes e 83.490 pessoas feridas. Os dados indicam uma média aproximada de 199 acidentes e 16 óbitos por dia.
Colisões são o tipo de acidente mais comum (61,8%), seguido de saída de pista (14,1%) e capotamento/tombamento (10,7%). A ausência de reação do condutor é observada como a causa mais recorrente de acidentes, com um total de 11.456 (15,8% do total).
Tanto em mortes quanto em acidentes, a BR-101 foi a rodovia com mais registros.
No Rio Grande do Sul, no período foram 4.899 acidentes e 327 pessoas mortas – ou seja, sete mortes a cada 100 acidentes. Os acidentes também deixaram 5.553 pessoas feridas.
Assim como no cenário nacional, no Estado, a colisão também é o tipo de acidente mais recorrente, representando 63,7% dos casos, seguido também por saída de pista (18,6%) e capotamento/tombamento (8,1%).
A BR-116 é a rodovia federal mais perigosa no RS, registrando maior número de mortes (19,3%) e de acidentes (26,9% do total).
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