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RAMILONGAS

Vitor Ramil fala dos sucessos e do desejo de seguir escrevendo histórias em formato de música

Em bate-papo com o Grupo Sinos, artista fala do passado e conta novidades siobre o futuro

Vitor Ramil fala dos sucessos e do desejo de seguir escrevendo histórias em formato de música
Publicado em: 19/12/2025 às 07h:02 Última atualização: 19/12/2025 às 07h:56
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Um dos grandes expoentes da música brasileira, Vitor Ramil volta aos palcos de Novo Hamburgo nesta sexta-feira (19). O espetáculo “Estrela, Estrela” é gratuito e está com as entradas esgotadas no Teatro Feevale. 

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O show faz parte do projeto Circulação Petrobras, que já passou por outras cidades gaúchas. “Antes de fazer aqui [Novo Hamburgo], me apresentei em Lajeado e Rio Grande. Foi incrível”, afirma o artista, que está empolgado com a apresentação. “As pessoas costumam vir com muito desejo de ouvir as músicas.”

Vitor Ramil_Capa | abc+

Em bate-papo por telefone com o Grupo Sinos, Ramil, que desde 1993 voltou a morar em Pelotas após passar anos entre Porto Alegre e Rio de Janeiro, reconhece que não é fácil tocar no interior gaúcho. “ Para mim, pelo menos, nunca foi. Existe um circuíto de música gauchesca que dificultava ter esse acesso”, afirma o pelotense.

Sobre a vida no Sul do Estado, o cantor, compositor e escritor conta que vive em uma casa que recentemente completou 100 anos. “Vim para Pelotas com o objetivo de reformar a casa e acabei nunca mais saindo. Havia saído da cidade com 17 anos para morar em Porto Alegre e depois me mudei para o Rio de Janeiro.”

Ramil salienta que atualmente não há mais a necessidade de morar no Sudeste para gravar, especialmente por não se considerar um artista comercial. “Não vou a programas de televisão, por exemplo.” Ele já gravou discos na Argentina, como o álbum “Tambong”, que completou 25 anos em 2025. “Estou desde 1981 trabalhando, lançando discos, livros. Estou sempre fazendo coisas, não me fixei em apenas sucessos do passado.”

Disco novo e relação com a música

Falando em novidades, Vitor Ramil anunciou que vai gravar um álbum com músicas inéditas em 2026. “Estou sempre compondo e trabalhando novas composições. Devo começar a gravar no fim deste ano ou início do ano que vem.”

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Mesmo revelando a novidade, o artista não entregou tudo. “Começo aos poucos, escolhendo as músicas que gostaria de gravar. Ainda não sei como será”, despista.

Mas, uma coisa é certa, além das plataformas digitais, o álbum será lançado em formato físico. “Tenho prazer nisso [lançamento de CD e vinil]. É todo um ritual que te aproxima da música.” O número de canções também deve seguir a tradição. “Hoje os gráficos mostram que as primeiras músicas são muito ouvidas, enquanto poucas pessoas chegam ao final do disco. Ainda assim gosto de lançar trabalhos mais longos.”

No que se refere a sua relação com a música em si, Ramil afirma que não utiliza plataformas de streaming. “Não tenho Spotify. Ouço muitas músicas em LPs. Tenho uma conexão com o vinil. Quando éramos crianças lá em casa, tínhamos o direito de comprar um LP por mês. Então escutávamos até esgotar.”

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O gaúcho também reforça que a relação com a audição de música está diferente nos dias de hoje. “Por exemplo, para ouvir um LP o ouvinte precisa estar presente fisicamente, até para trocar o lado do vinil. Até comprei um drive separado para colocar o CD no computador, já que os notebooks mais novos não possuem entrada.”

Parcerias e sucessos

Ramil vê suas músicas atravessando os tempos, como a canção que dá nome ao show desta sexta-feira: Estrela, Estrela. “Fiz ela [música] com 18 anos. Logo que compus, foi gravada pela Gal Costa e se tornou um grande sucesso.”

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Com sucessos como “Loucos de Cara”, “Ramilonga”, “Espaço”, “Sapatos em Copacabana”, Ramil também tem “Joquim” como uma das canções mais lembradas pelos fãs. “É a versão da música ‘Joey’ do disco ‘Desire’ do Bob Dylan. Sempre adorei esse disco e em uma ocasião me deu vontade de fazer a versão.”

No entanto, a história não é exatamente a mesma, como o próprio Ramil explica. “Certa vez o baterista que tocou comigo contou a história do seu avô, chamado Joaquim Fonseca, então Joquim é uma mistura de Joey com Joaquim.”

Além disso, a canção é inspirada em Graciliano Ramos, romancista e político brasileiro. “Que foi preso no Rio de Janeiro e era um personagem um pouco anarquista, assim como Joquim. Escrevi com 23 anos”, cita, lembrando a prisão de 1936, durante o período em que Getúlio Vargas governava o Brasil.

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Ainda sobre Bob Dylan, relata que foram cinco músicas versionadas e quatro gravadas. “Quero gravar outra no próximo disco.”

E para o show da noite, Ramil sabe o que vai encontrar no público. “As pessoas vão descobrindo meu trabalho. Tem de tudo [público]. Fico impressionado como tem jovens na plateia e até crianças, crianças que conhecem o trabalho e algumas pessoas mais velhas que eu [tenho 60 anos]”, completa.

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