Construída em 1882, a Casa Vidal está prestes a ser reinaugurada e entregue à comunidade. É reconhecida como o prédio em alvenaria mais antigo ainda existente em Taquara e é tombada como patrimônio histórico municipal. A restauração está na reta final e a cerimônia especial de abertura marcada para o dia 30 de setembro, às 15 horas, com a presença de autoridades e aberta ao público. O prédio passa por restauro desde 2018 e cada etapa da obra respeitou a história estrutural da casa.
Seguindo o princípio da construção, uma parte restaurada deixa à vista as primeiras paredes do local, ainda com a estrutura original em enxaimel, típica de regiões de colonização alemã. O forro alto também deixa nítida a imponência do casarão que era bem comum na época em que foi construído, assim como a pintura, o formato das janelas e aberturas
internas, além do poço que foi mantido no jardim.
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Do tempo dos tropeiros
Essa originalidade segue nas escadarias da frente, que voltaram ao seu desenho inicial. O subsolo receberá a Biblioteca Municipal, que terá um espaço especial com livros infantis. O acesso poderá ser tanto por dentro da casa quanto por fora, ideal para dia de visita das escolas. A entrada principal, no andar térreo, é onde fica o Museu Municipal, dando boas-vindas para quem chega. A Casa Vidal terá acessibilidade universal, com rampa externa, plataforma elevatória no anexo A e um elevador que conectará todos os pavimentos.
A Casa Vidal fica na esquina das ruas Tristão Monteiro e Edmundo Saft, que já foi a antiga estrada para a Serra Velha. Era o caminho usado pelos tropeiros no início do século passado para o transporte de mantimentos entre a região e Gramado e Canela. Inclusive, nessa área também ficam outros casarões antigos que ajudam a contar a história de
desenvolvimento socioeconômico do Vale do Paranhana.
Cultivar e valorizar a memória afetiva. É assim que Cristina Seibert Schneider, que é gestora cultural do imóvel neste período de restauração, vê o processo de resgatar um pedaço tão importante da história local. “Vejo como algo extremamente importante para a cidade e para toda a região contar com um espaço assim restaurado. A Casa Vidal é o patrimônio arquitetônico mais antigo de Taquara e, com a restauração, passa a abrigar o Museu Municipal Adelmo Trott e o Arquivo Municipal Maria Eunice Kautzman, além de oferecer áreas para exposições, atividades culturais, cafeteria e áreas de convivência”, pontua.
“Temos a chance de criar oportunidades de educação patrimonial, fortalecer a identidade local e, ao mesmo tempo, impulsionar o turismo e a economia criativa regional.
Penso que um espaço restaurado dessa dimensão transforma-se em um polo cultural capaz de conectar passado e futuro, tradição e inovação”, explica Cristina.
Estrutura nobre para a região aproveitar
Quando se pensa na Casa Vidal pronta e à disposição da comunidade, a ideia é oferecer acesso para que todos usufruam da cultura. Será um espaço multiuso voltado ao conhecimento e que ajudará não só o taquarense, como qualquer visitante, independentemente da sua cidade, a compreender a trajetória de muita gente que hoje não está aqui para contar a sua versão da história. Junto de tudo isso, ainda haverá outros confortos para tornar esse patrimônio histórico de Taquara um lugar moderno, aconchegante e atraente para quem visitá-lo.
Na parte interna, haverá um espaço que vai concentrar uma cafeteria, que será administrada pela empresa Cestear, das sócias Grazi Dias Flock e Emilia Ev. A empresa foi vencedora do processo licitatório realizado pelo Município para a gestão do espaço gastronômico. Além de tudo isso, espaços de exposição também serão realocados dentro do imóvel. Em princípio, serão três exposições diferentes, que contarão o restauro da Casa Vidal, a história do município de Taquara e dos povos originários que ajudaram a traduzir a trajetória do Vale do Paranhana, além de um espaço que vai trazer itens físicos, como móveis e utensílios de época.
A Biblioteca Municipal, assim como o Museu Adelmo Trott, já está em fase de montagem das prateleiras e realocação dos livros e painéis que vão compor esse reduto cultural. Ainda para ajudar os visitantes a compreenderem a história local, haverá o Arquivo Histórico Municipal Maria Eunice Müller Kautzmann, que é uma entidade vinculada ao museu
e que homenageia a professora, escritora, poetisa e defensora da memória cultural da região.
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Um conjunto minucioso de arquivos
“O Arquivo da Maria Eunice é muito denso, tem muitos assuntos ali que nos ajudam a compreender a história da cidade de Taquara e da região. Então foi um trabalho muito minucioso reunir tudo isso e dividir essa documentação por assuntos. Existem documentos que retratam desde a fundação da cidade de Taquara até os tempos atuais, falando de
pessoas que foram importantes e sobre diversas famílias que estavam aqui logo na época da colonização. Ou seja, é algo que enriquece ainda mais o acervo”, conta Eduarda Farias da Silva, historiadora da Equipe Movimento Curadoria e Projetos Culturais. “Tudo estava em um espaço temporário, quando estava sendo feita a restauração deste espaço. E,
agora, está vindo para um arquivo deslizante e mais moderno, de melhor manuseio, já que teremos um mobiliário mais novo aqui na Casa Vidal”, finaliza a historiadora.
A história da Casa Vidal
A Casa Vidal foi construída pelo coronel Jorge Fleck, que governou Taquara como intendente. Os tijolos usados na construção foram unidos com pó de conchas marinhas vindas de Nossa Senhora da Conceição do Arroio – atual cidade de Osório. Alguns anos mais tarde, a casa comercial foi adquirida por José Júlio Muller, figura política taquarense. No estabelecimento eram comercializados tecidos e ferragens, o que fez o local ser referência para os viajantes que chegavam na cidade. Henrique Vidal Kohlrausch foi balconista do comércio e depois adquiriu o negócio de seu antigo proprietário, mantendo em funcionamento até a época em que suas atividades foram encerradas, na década de 1990.
Para entregar uma obra à altura do que a história pede, foram três etapas de restauro, sendo que a última começou em 2022. Foram investidos para a execução dessa etapa da obra R$ 4,3 milhões, sendo R$ 3 milhões provenientes da Sedac e rendimentos de aplicação financeira, e R$ 1,2 milhão de contrapartida municipal. O investimento total do projeto é de cerca de R$ 6 milhões. “A restauração da Casa Vidal é um resgate da nossa história e um presente para as futuras gerações”, disse a prefeita Sirlei Silveira.