Um surto de hantavírus em um navio com 147 pessoas de 23 países diferentes têm causado preocupação ao redor do mundo. O Ministério da Saúde reitera que o caso, que causou a morte de três pessoas, não representa qualquer risco para o Brasil. [Assista ao vídeo no final da matéria]

Foto: Gustavo Fring/Pexels
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Surto de hantavírus em navio
O que era para ser um momento relaxante, ou apenas mais um trabalho, se tornou um pesadelo para as 147 pessoas que estavam a bordo do cruzeiro MV Hondius. Deles, três morreram e 11 testaram positivo para a doença que, até então, era pouco falada.
Até a manhã desta terça-feira (12), 125 passageiros e tripulantes já foram evacuados do navio MV Hondius e levados para os seus países de origem, conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS).
O diretor-geral da OMS Tedros Adhanom Ghebreyesus afirma que o risco de haver novas infecções em outras partes do mundo por conta do hantavírus é muito baixo. “Não há o que temer”, diz.
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Hantavírus e a Síndrome Cardiopulmonar
O hantavírus é uma zoonose e faz parte de um grupo de vírus RNA que infectam naturalmente alguns roedores silvestres. Esses, que costumam carregar o vírus, são diferentes dos urbanos. Os que vivem nas cidades estão mais associados à transmissão da leptospirose.
Conforme o Ministério da Saúde, os animais infectados podem carregar o vírus durante toda a vida sem sequer adoecer, mas acabam eliminando o vírus tanto pela urina quanto pela saliva e fezes. Geralmente, é ao inalar as partículas de poeira, formadas por esses excrementos, que as infecções em humanos acontecem.
Na América do Sul, a hantavirose pode comprometer o coração da pessoa infectada, sendo denominada de Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH), pois pode comprometer pulmões e coração. O número de casos por ano não é grande, mas a SCHP é fatal.
Recentemente, o Rio Grande do Sul confirmou dois casos, com um deles resultando em óbito. Na segunda-feira (11), Minas Gerais havia também confirmado uma morte pelo vírus. No entanto, nenhum dos casos tem a ver com o surto no navio.
No Brasil, 81% das infecções acontecem nas zonas rurais, segundo dados da Saúde. Cerca de 53% da exposição acontece durante a limpeza de galpões e depósitos, seguido de 45% durante o desmatamento/aragem da terra e 45% por contato com um roedor infectado.
Algumas formas de transmissão em humanas são:
- Percutânea: por meio de lesões superficiais na pele, os arranhões (escoriações cutâneas), ou mordedura de roedores;
- Contato do vírus com mucosa: pelos olhos, boca ou nariz, podendo acontecer por passar as mãos contaminadas com excretas de roedores nos locais;
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Transmissão de pessoa para pessoa
Embora existam diferentes tipos de hantavírus ao redor do mundo, apenas alguns tipos específicos são capazes de infectar pessoas, conforme a OMS. O principal transmissor é o Andes, que fica nas Américas. Ainda assim, ele permanece incomum.
Quando a transmissão de humano para humano acontece, é sempre associada com uma proximidade muito grande e prolongada de uma pessoa contaminada com a outra, “particularmente entre membros da mesma casa ou parceiros íntimos”, como no caso do cruzeiro.
Nesta semana, o Ministério da Saúde relembrou que “mantém vigilância contínua em todo o território nacional, com ações de controle ambiental, orientação à população e monitoramento epidemiológico”.
Sintomas
O vírus pode ficar encubado no corpo de três até 60 dias antes dos sinais aparecerem. Os principais sintomas iniciais são comuns em outras doenças também. São eles:
- febre;
- dor de cabeça;
- dores musculares;
- dores de estômago
- náusea;
- vômito.
Depois, a febre aumenta e pode passar dos 38ºC. Pode haver ainda desconforto respiratório, tosse seca e dificuldade de respirar, conforme o Ministério da Saúde.
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Qual o tratamento
Não há um tratamento ou vacina específicos para as infecções por hantavírus. No entanto, medidas terapêuticas ajudam.
Como prevenir
- Manter os ambientes limpos;
- Selar aberturas que possam deixar com que roedores invadam o local;
- Guardar a comida de forma segura;
- Usar práticas para limpeza em áreas contaminadas por roedores;
- Evitar varrer ou aspirar excrementos de roedores;
- Umedeça as áreas contaminadas antes da limpeza;
- Higienize as mãos.
Veja vídeo:
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