Após mais de uma década do primeiro álbum solo, o artista Deluce retoma a trajetória individual com o lançamento de Pimenta, disco que marca uma virada estética e pessoal. Lançado em março, o trabalho será apresentado ao público em show gratuito no Grezz, em Porto Alegre, no dia 11 de junho.

Foto: Divulgação
Com influências da Tropicália, da música brasileira e do rock, o álbum traz participações de nomes como Ava Rocha e Rodrigo Fischmann, da banda Dingo. A proposta, segundo o artista, é mais provocativa do que o trabalho anterior, lançado em 2015. “O meu primeiro disco tinha uma aura mais pop. Nesse, eu quis algo mais ácido, mais picante”, resume.
Entre memórias e provocações
O nome do álbum sintetiza essa mudança. Pimenta surge como metáfora de um trabalho mais intenso, que mistura ironia e temas delicados. Entre eles, experiências da infância, como o bullying sofrido na escola, e relações afetivas.
“Tem uma música que se chama ‘O Bullying’, que eu queria falar sobre esse assunto. Quero confessar que sofri bullying, porque até então eu tinha vergonha. Eu pensava que seria acessar um atestado de idiota”, disse o artista em entrevista ao programa Coffe Break, da Rádio ABC 103.3 FM.
Além do tom autobiográfico, o título também carrega uma memória pessoal. “A minha mãe usava pimenta para me castigar quando eu dizia palavrão. E agora eu pensei que seria justamente esse cara que iria falar o palavrão. Então a pimenta simboliza isso”, explica.
Embora já tivesse o desejo de lançar um novo disco há anos, Deluce optou por esperar até ter estrutura para dar visibilidade ao trabalho. “Hoje a gente lança mais música por dia do que se lançava por ano antigamente. Se fosse só colocar na internet, ninguém iria ouvir”, avalia.
Tempo certo para lançar
O projeto ganhou forma após a aprovação em edital da Secretaria de Cultura do Estado, o que possibilitou investir em produção, divulgação e no próprio show de lançamento. “As coisas começam a fazer mais sentido quando a gente consegue dar um pouco mais de profissionalismo”, afirma.
Nesse intervalo, o artista integrou a banda Cartolas. No entanto, os planos do grupo foram impactados pela pandemia de Covid-19. “A gente vinha crescendo, com disco novo quase pronto, e teve que parar tudo. Depois foi esfriando e cada um seguiu outros caminhos”, conta. Segundo ele, não houve rompimento formal. “É uma pausa tácita. Talvez a gente volte, talvez não.”
O hiato acabou abrindo espaço para o retorno à carreira solo e para a finalização de Pimenta, que reúne composições escritas ao longo dos anos, além de faixas concluídas especialmente para o disco.
Com produção musical de Guri Assis Brasil e direção artística de Rodrigo Pilla, o álbum reúne músicos como Thomas Harres, Pedro Dantas e Antônio Neves.