A negociação que levou o apresentador Carlos Massa, o Ratinho, da Rede Record para o SBT em 1998 entrou para a história da televisão brasileira como uma das mais caras de sua época. O SBT arcou com uma multa rescisória que girava em torno de R$ 43 milhões para fechar o acordo, valor praticamente equivalente ao que o bispo Edir Macedo havia pago pela própria Record oito anos antes, em 1990.
As negociações duraram cerca de uma semana e foram encerradas com a assinatura do contrato com a emissora de Silvio Santos. O novo programa estava previsto para estrear em 14 de setembro daquele ano, no mesmo horário que Ratinho já ocupava na Record, de segunda a sábado, das 20h30 às 22h. Mesmo o nome do programa ainda não havia sido definido para a nova casa, mas a estrutura seria praticamente a mesma, incluindo a equipe de produção.
Quanto Ratinho iria ganhar no SBT
O salário fixo acordado era de aproximadamente R$ 600 mil mensais. Somadas as participações no merchandising do programa, a remuneração total poderia passar de R$ 1 milhão por mês, igualando o que Gugu Liberato, até então o maior salário da emissora, já recebia.
O contrato também incluía uma cláusula protetora para o apresentador, que poderia rescindir o acordo caso o programa fosse retirado do ar ou tivesse seu horário alterado pelo SBT.
O último episódio do Ratinho Livre na Record foi ao ar no dia seguinte à assinatura, coincidindo com o encerramento da novela Fascinação no SBT, que ocupava justamente o horário que seria entregue ao novo contratado.
Bastidores da transição
A chegada de Ratinho ao SBT não veio desacompanhada de movimentações nos bastidores. Dois dos principais executivos da Record, Luciano Callegari e Guilherme Stoliar, pediram demissão da emissora na mesma semana. Embora não tenham se pronunciado oficialmente sobre os motivos, a coincidência com a saída do apresentador chamou a atenção.
O diretor de programação e operações da Record, Eduardo Lafon, também teria encaminhado uma transferência para o SBT, para ocupar as vagas abertas.
Entre os colegas de televisão, a notícia gerou reações variadas. Márcia Goldschmidt, com quem Ratinho trocava provocações no ar, adotou um tom conciliador, explicando que as críticas eram parte da disputa de audiência, não algo pessoal.




