O Ministério Público não tem dúvidas de que o publicitário Ricardo Jardim, de 66 anos, é o autor da morte da cabeleireira Brasília Costa, de 65 anos, assassinada e esquartejada em agosto deste ano em Porto Alegre. Tanto é que, nesta segunda-feira (3), o MP apresentou denúncia formal contra o publicitário, que vai responder, assim que a Justiça aceitar a denúncia, por oito crimes.
Além de feminicídio, Jardim foi denunciado por ocultação de cadáver, vilipêndio, falsificação de documento público, uso de documento falso, falsa identidade, invasão de dispositivo informático e furto mediante fraude.

Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial
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O que mais choca o Ministério Público, no entanto, é a frieza do acusado, que, até hoje, não revelou onde deixou a cabeça da vítima.
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“É um caso tão cruel, mas sem sombra de dúvidas, a falta de empatia (do denunciado) ao não dizer onde está a cabeça. Até hoje, os familiares de Brasília Costa não conseguiram enterrar essa senhora e isso é de uma crueldade, não só com ela, mas com todos nós. Isso choca qualquer ser humano, mas não chocou o acusado”, pontua a promotora de Justiça Luciana Casarotto, responsável pela denúncia.

Foto: Reprodução/Redes sociais
A denúncia foi apresentada à 4ª Vara do Júri de Porto Alegre e descreve em detalhes a sequência de crimes cometidos por Ricardo Jardim. Segundo a promotora, o Ministério Público espera que ele seja condenado à pena máxima, o que pode representar até 100 anos de prisão. “Queremos ele condenado na maior pena possível e que fique preso”, reforça Luciana.
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Relembre o caso
O caso ganhou repercussão nacional pela brutalidade. Brasília Costa foi morta entre os dias 8 e 9 de agosto. No dia 13, foram encontrados membros superiores da vítima em sacos de lixo ao lado de uma lixeira em uma rua da Capital. No dia 20, uma mala com partes do corpo foi localizada no guarda-volume da rodoviária de Porto Alegre. Dias depois, duas pernas apareceram na orla do Guaíba, nos bairros Ipanema e Cristal.

Foto: Divulgação/Polícia Civil
Ricardo Jardim foi preso no dia 4 de setembro, mas nega o homicídio. Durante a fase de investigação policial, ele admitiu a ocultação de cadáver. Jardim alega que encontrou a namorada morta no quarto de uma pousada onde ela residia e que decidiu sumir com o corpo para não ser responsabilizado pelo feminicídio, pois estava na condição de foragido da Justiça.
Foragido depois de matar a mãe e concretar o corpo
O crime contra Brasília não foi o primeiro cometido pelo publicitário. Em 2015, Ricardo Jardim matou e esquartejou a própria mãe, Vilma Jardim, então com 76 anos. Ele concretou partes do corpo na parede de casa e chegou a fazer um móvel sob medida para ocultar o local.
Foi condenado a 27 anos de prisão em regime fechado, mas, após obter progressão para o regime semiaberto, fugiu e passou a constar como foragido.