Basta uma chuva um pouco mais forte para que alguns bairros de Novo Hamburgo, que historicamente convivem com alagamentos, fiquem tomados pela água. O problema se agravou após a enchente de maio do ano passado.

Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial
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Por isso, a Prefeitura de Novo Hamburgo deu início, nesta segunda-feira (10), ao serviço de desobstrução e limpeza da rede pluvial nas regiões mais atingidas pela enchente. O trabalho começou pelo bairro Santo Afonso, considerado o mais afetado, e será expandido para outras localidades nas próximas semanas e meses.
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A ação está sendo realizada por uma empresa especializada contratada pelo Município e utiliza a técnica de hidrojateamento e sucção. O sistema funciona com um jato potente de água lançado dentro da tubulação, enquanto outro equipamento suga os resíduos acumulados. Segundo o secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano, Anderson Bertotti, a estimativa é de que 70% da tubulação atingida pela enchente esteja obstruída devido ao acúmulo de sujeira e sedimentos.
Serviço começa pelo Santo Afonso e será expandido
A escolha do bairro Santo Afonso para o início do serviço se deu pela gravidade da situação. Além de ter sido a região mais castigada pela enchente de maio, os moradores continuam sofrendo com inundações mesmo em chuvas de menor intensidade, como a registrada no dia 28 de janeiro. Isso ocorre porque a água não consegue escoar adequadamente devido ao comprometimento da rede pluvial. “Em vez de ter 100% de vazão na rede, só há 30% de capacidade”, detalha Bertotti.

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O trabalho começou pelas ruas Planalto e Beira Lago e, inicialmente, se estenderá para um total de dez vias do bairro. A Prefeitura justificou a escolha dessas ruas por serem as principais no escoamento da água para os arroios e, consequentemente, para o Rio dos Sinos. Após a conclusão no Santo Afonso, os bairros Industrial e Canudos também receberão o serviço. A ideia é de que todas as ruas destes bairros sejam contempladas com o serviço.
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Bertotti explicou que, no primeiro momento, dois caminhões-tanque iniciaram o processo de limpeza. Ainda nesta semana, mais dois veículos serão incorporados, totalizando quatro caminhões atuando simultaneamente no bairro. “O objetivo é dar mais agilidade à operação e reduzir os impactos dos alagamentos na região”, afirma o secretário.
Volume de resíduos retirados
Conforme o representante da empresa responsável pelo serviço Eduardo Adolfo, cada caminhão tem capacidade para armazenar até 20 mil litros de resíduos. Com quatro caminhões em operação, a remoção de material acumulado na rede pluvial será significativa.
“Posso garantir que esse tipo de operação é eficiente e surte efeito, restaurando o sistema de drenagem e minimizando os transtornos enfrentados pelos moradores”, destaca Adolfo. Somente em um turno, 20 mil litros de dejetos foram removidos da rede pluvial de duas ruas no Santo Afonso.
Moradores comemoram, mas pedem mais ações
O serviço tem sido bem recebido pela população, mas os moradores ressaltam que a limpeza da rede pluvial, por si só, não será suficiente para resolver os problemas de alagamento.
Valdir Melo Colatto, 55 anos, morador do Santo Afonso há quatro décadas, considera a iniciativa positiva, mas cobra medidas complementares. “Esse trabalho é essencial, mas precisamos de ações mais amplas, como a limpeza dos arroios e da bacia de acumulação de água que existe no bairro. Sem isso, o problema continuará”, afirma.

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Mariazinha Motta, 58, relata que já abriu mais de dez protocolos solicitando a limpeza da rede pluvial. “Não adianta limpar só algumas ruas. Precisa ser no bairro inteiro para a água chegar até os arroios e ao Rio dos Sinos”, destaca.
Claudenir Ribeiro, 48, morador do Santo Afonso há mais de 30 anos, também celebrou a ação da Prefeitura, mas reforçou a urgência do serviço. “Bastava uma chuvinha fraca para as ruas ficarem alagadas. A limpeza da rede pluvial é muito bem-vinda, mas espero que esse trabalho continue e alcance outras regiões que também sofrem com isso”, comenta.
Desassoreamento de arroios e bacias está no planejamento
Além da limpeza e desobstrução da rede pluvial, a Prefeitura também planeja realizar o desassoreamento dos arroios, córregos e bacias de acumulação de água que escoam para o Rio dos Sinos. No entanto, segundo Bertotti, esse serviço ainda não começou porque o Município aguarda o encaminhamento das licenças ambientais necessárias para a execução.

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“A Prefeitura já está com tudo planejado para iniciar esse trabalho assim que as licenças forem liberadas. Essa ação é fundamental para melhorar o escoamento da água e evitar novos alagamentos, principalmente porque estamos nos aproximando do período chuvoso, que começa a partir de março”, explicou Bertotti.
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A expectativa da administração municipal é de que os trâmites burocráticos sejam resolvidos a tempo de executar o serviço antes das chuvas mais intensas, garantindo uma melhor resposta a futuras intempéries e reduzindo os impactos para a população.