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ENCHENTE

Prefeituras da região se empenham para evitar alagamentos; veja medidas que estão sendo tomadas

Trabalhos incluem desobstrução de rede e reparo nos diques e bombas

Publicado em: 07/02/2025 às 03h:00 Última atualização: 07/02/2025 às 13h:03
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Desde que assumiram suas novas administrações, há quase 40 dias, os prefeitos de Canoas, Novo Hamburgo e São Leopoldo têm implementado medidas para mitigar os impactos das enchentes que devastaram a região em maio de 2024. As três cidades, que são as mais populosas da região e as mais afetadas pela enxurrada, estão com obras em andamento para prevenir novos alagamentos.

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Em Novo Hamburgo, dique de proteção do bairro Santo Afonso está sendo recuperado | abc+



Em Novo Hamburgo, dique de proteção do bairro Santo Afonso está sendo recuperado

Foto: Susi Mello/GES-Especial

Desde terça-feira (4), por exemplo, a Operação de Controle de Alagamentos (OCA) foca na limpeza de bueiros por meio de microdrenagem e hidrojateamento em solo leopoldense. Os trabalhos recomeçaram as obras de elevação do dique do bairro Campina. No bairro Vicentina, a Rua das Orquídeas já foi contemplada pela ação.

Em um bueiro em frente ao campo do Flamengo, oito caminhões hidrojato, 11 para recolhimento de entulhos e mais de 70 servidores participaram do serviço. A OCA abrangerá, também, localidades como a Vila Brás, no bairro Santos Dumont, com um total de 91 pontos identificados pela força-tarefa.

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Em Novo Hamburgo, moradores do bairro Santo Afonso observam diariamente a movimentação de maquinários em razão da recuperação do dique. Além disso, a Prefeitura tem realizado a limpeza da Casa de Bombas e promovido a coleta de lixo em diversos pontos da cidade. A administração também busca recursos para contratar serviços de hidrojateamento, visando desobstruir os canos nos bairros mais impactados pela enchente: Canudos e Santo Afonso. O governo informou que, no dia 7 de janeiro, iniciou a primeira etapa de recomposição do dique de contenção do Rio dos Sinos, na Vila Palmeira.

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Projetos

Novo secretário de Obras em Canoas, o engenheiro Victor Hampel afirma que os diques só serão levantados após obedecer a um projeto de engenharia. “Estamos na fase de projetos, com sondagens, recolhimento de amostras e estudo de solo para laboratórios. Trabalhamos no projeto básico para chegar no projeto executivo. Em 60 dias teremos concluído a parte dos projetos, com a segurança que vão atender às normas técnicas exigidas e aguentar a pressão da água.”

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Medo de novas enchentes e perdas

Apesar da onda de calor que atinge o Rio Grande do Sul, muitos que sofreram com a catástrofe climática de maio do ano passado, que resultou na perda de imóveis, veículos e móveis, temem a chegada de chuvas que poderiam causar novos estragos.

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“Eu não me mudei de Canoas, porque não tenho dinheiro”, desabafa a vendedora Carina Ribeiro. “Sempre que o céu se arma, fico com o coração na mão. Perdi tudo durante a última enchente e estou me reerguendo, mas não sei tenho forças para recomeçar mais uma vez se a minha casa encher d’água de novo”, conclui a trabalhadora de 47 anos.

Na Rua Eldorado, na Vila Palmeira, em Novo Hamburgo, o comerciante Cláudio Guidini, 63 anos, acompanha de perto as obras de recuperação do dique. Em frente ao seu minimercado, ele observa a elevação do paredão de terra, embora acredite de que a invasão das águas aconteceu pelo lado oposto do Rio dos Sinos.

“Ela (água) veio por cima. Estourou primeiro na Pedro Adams Filho, lá em cima do bairro, desceu pela México e veio para cá!”, relembra. O estabelecimento de Guidini foi destruído e, no segundo andar da casa onde mora, a água alcançou a altura de seu pescoço. “Colocamos tudo na rua; todo mundo fez isso, e a limpeza só começou dois meses depois”, recorda.

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Pedido de verbas aos governos estadual e federal

Em 17 de janeiro, o prefeito de Novo Hamburgo, Gustavo Finck, reuniu-se com representantes do governo do Estado para solicitar apoio do Piratini na destinação de recursos para as melhorias necessárias, incluindo verba para o hidrojateamento das tubulações. Em 28 de janeiro, quando uma forte chuva atingiu a cidade, causando alagamentos em várias ruas do bairro Santo Afonso, Finck fez um novo apelo aos governos federal e estadual para o envio de verbas. Em 30 de janeiro, o secretário nacional para Apoio à Reconstrução do Rio Grande do Sul, Maneco Hassen, visitou seu gabinete e recebeu pedido de recursos da União.

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Manutenção assegura funcionamento

O Serviço Municipal de Água e Esgotos (Semae) de São Leopoldo está em processo de manutenção das casas de bombas. “Nosso objetivo é entregar as casas de bombas plenamente funcionando pra o próximo período de chuvas”, afirmou o diretor-geral da autarquia, Gabriel Dias. Hoje, das 21 bombas que integram as cinco casas de bombas leopoldenses, 15 estão funcionando e outras seis estão em manutenção.

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Já a Prefeitura de Novo Hamburgo explicou que no dia 13 de janeiro iniciou o processo para contratação dos serviços de dragagem e a limpeza da bacia de retenção junto à Casa de Bombas do bairro Santo Afonso. Além disso, continua, fez a limpeza da área em frente ao local, com a retirada de 14 caçambas de seis metros cúbicos de entulhos, e de arroios das vilas Marrocos e Kroeff.

Conforme o secretário Hampel, a administração de Canoas trabalha para garantir contratos para a limpeza das tubulações com hidrojateamento e para acabar com a erosão que atinge os canos, ao mesmo tempo, em que está empenhada em estudos que revelem a dimensão necessária para a vazão da água em cada ponto da cidade. “O problema dos alagamentos em Canoas é o caminho (até as bombas) que está obstruído.”

Pontos com entulhos persistem nas vilas

Embora as ruas do bairro Santo Afonso e Canudos, em Novo Hamburgo, não apresentem mais o cenário devastador dos meses de enchente, quando grandes volumes de entulhos, como móveis e restos de materiais de construção, foram deixados em frente às casas, algumas situações ainda persistem. A Prefeitura informa que o recolhimento do entulho da enchente foi concluído em dezembro de 2024 e que mantém um serviço contínuo de limpeza dos pontos de descarte irregular, que se tornaram ‘tradicionais’ nessas áreas.

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Mesmo assim, na Rua Vista Alegre, na Vila Palmeira, a moradora Roseli Pinto Fernandes, 38 anos, tem uma visão desalentadora. Enquanto rega sua roseira, recuperada após a enchente, ela se depara com o acúmulo de entulhos em um terreno baldio. “Depois da enchente, piorou. Não sei de onde trazem tanto lixo”, lamenta. Na quarta-feira de manhã, era possível ver marcas no asfalto que indicavam que o material havia sido empurrado para mais perto do terreno.

Impacto  enchente no bairro Santo Afonso: Roseli Pinto Fernandes, da  Rua Vista Alegre, na Vila Palmeira, percebe mais entulhos após a enchente | abc+



Impacto enchente no bairro Santo Afonso: Roseli Pinto Fernandes, da Rua Vista Alegre, na Vila Palmeira, percebe mais entulhos após a enchente

Foto: Susi Mello/GES-Especial

A casa de Roseli ficou submersa até o teto durante a enchente. “Fiquei um mês fora de casa e, quando voltei, era um mar de lixo. Tinha de tudo: bicho morto, graxas que ainda deixaram marcas no meu forro, móveis… de tudo que você possa imaginar”, comenta.

O espaço, que já era um ponto de descarte irregular antes da enchente de maio passado, piorou com o acúmulo de lixo deixado por quem havia perdido muitas coisas.

*Colaboraram: Amanda Krohn, Leandro Domingos e Priscila Carvalho

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