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"É sempre o mesmo desespero": Moradores precisam ser novamente realocados após cheia do Rio Caí

Moradores de São Sebastião do Caí que já perderam tudo três vezes não sabem como irão encontrar suas casas com nova cheia

Isaías Rheinheimer
Publicado em: 19/06/2025 às 14h:54 Última atualização: 19/06/2025 às 14h:55
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Com o semblante cansado, Elisabete Catarina Martins Soares, de 61 anos, repete a frase que resume a angústia que vive desde o ano passado: “É um pesadelo, e parece que nunca passa”. Pela quarta vez em pouco mais de um ano, ela e o marido, Valdemar Batista Soares, 65, precisaram abandonar a casa onde moram, no bairro Vila Rica, em São Sebastião do Caí, por causa da cheia do Rio Caí. O casal está, desde quarta-feira (18), em um dos abrigos montados pela Prefeitura no Parque Centenário.

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Elisabete Soares saiu de casa mais uma vez, e não deixou para trás os companheiros de toda hora, os cães Spoki e Tinho, e o cavalo Guri | abc+



Elisabete Soares saiu de casa mais uma vez, e não deixou para trás os companheiros de toda hora, os cães Spoki e Tinho, e o cavalo Guri

Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial

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A decisão de sair foi tomada com antecedência, diferente das outras vezes, quando a água invadiu a casa com rapidez e pouco pôde ser salvo. Nesta nova enchente, Elisabete e o marido decidiram não arriscar. “Antes, a gente tentava esperar, achava que não ia subir tanto, mas aí perdi tudo”, conta. Desta vez, ela conseguiu ao menos retirar alguns móveis e pertences de maior valor, mas, ainda assim, alguma coisa ficou para trás.

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Quem não ficou para trás foram seus “companheiros” de toda hora, os cães Spoki e Tinho, e o cavalo Guri. Nesta quinta-feira (19), no abrigo, Elisabete gastava o tempo interagindo com os animais de estimação, em um gesto que resume o apego e a dor de quem precisa deixar para trás a própria casa sem saber o que encontrará quando retornar.

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“É sempre o mesmo desespero”, desabafa. “A gente tenta se aprumar, luta para ter o mínimo, mas nunca tem certeza de que essa luta vai parar. Já perdi tudo três vezes. Agora, é torcer para que, quando eu voltar, ainda tenha alguma coisa lá.”

Rio Caí volta a inundar a cidade

O medo de reviver um cenário de destruição está mais uma vez presente. Desde o final da tarde de quarta-feira (18), o Rio Caí ultrapassou a cota de inundação, de 10 metros, e, nesta quinta, já chega próximo aos 13 metros, com tendência de alta, segundo a Defesa Civil. Mais de 270 pessoas já precisaram sair de casa. A maioria está em cinco abrigos disponibilizados pela Prefeitura.

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Entre os moradores afetados, muitos relatam a sensação de estar “sendo perseguidos pela água”. É o caso de Aline Rosa Fiel, de 43 anos, moradora da Rua Pinheiro Machado, no bairro Navegantes, que é sempre uma das primeiras regiões atingidas pela água quando o rio extravasa. Da sacada do segundo piso de casa, ela observa com apreensão o avanço das águas e diz viver uma constante tentativa de escapar do risco.

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Aline Rosa Fiel observa da sacada de casa o avanço da água em São Sebastião do Caí | abc+



Aline Rosa Fiel observa da sacada de casa o avanço da água em São Sebastião do Caí

Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial

“Morei em três casas diferentes tentando fugir da enchente, e todas já foram atingidas. Parece que, onde eu vou, a água vem atrás. Em maio do ano passado, a água chegou no segundo piso. A marca ainda tá ali na parede, e agora eu fico aqui olhando, torcendo para que não se repita”, coloca.

Aline nasceu em São Sebastião do Caí e conhece, como poucos, os impactos da cheia do rio. Ela conta que nem mesmo o loteamento popular, projetado para tirar moradores de áreas de risco, escapou da enchente de 2024. “Não tem mais um lugar seguro aqui. Só os morros. E, mesmo assim, tem o risco de deslizamento”, sublinha.

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Prefeitura e Bombeiros projetam: nível do rio não deve passar dos 13,5 metros

O clima é de apreensão em São Sebastião do Caí desde a última quarta-feira, e inúmeras famílias já retiraram os móveis de casa e seguem em alerta, especialmente devido à instabilidade climática e com a previsão de a chuva seguir pelo menos até sexta-feira (20).



Entretanto, a Prefeitura, baseada nas previsões mais recentes, trabalha com a possibilidade de o nível do Rio Caí chegar a 13,5 metros, abaixo da cheia histórica de maio de 2024, quando o rio atingiu os 17 metros e deixou mais de 80% da cidade submersa.

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Para o comandante do Corpo de Bombeiros Voluntários, Anderson Josiel da Rosa, a situação é preocupante, mas há um esforço para evitar novos traumas.

“Infelizmente, nosso município está sendo mais uma vez atingido por uma inundação, o que acarreta severos danos à comunidade. Temos uma ferida aberta das duas últimas grandes enchentes. Desta vez, o trabalho preventivo da Defesa Civil ajudou a evitar resgates em situações críticas. Mas o medo segue presente”, destaca.

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